DIAS ATUAIS

Paz & União

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Dedico a todos os românticos incuráveis que
apreciam e conhecem as verdadeiras nuances
do amor banhadas em doses de caos.

 


 

Theoden Horne, bruxo, atual rei de Poeth;
Casado com Renly Horne, caçador, atual rei de Haearn.
Há paz entre os reinos que se uniram em apenas um.

 

As florestas foram vestidas com belos mantos brancos, a neve tornava o reino pálido, lagos cristalizados, animais se escondiam e hibernavam, o vento gélido trazia pequenos flocos de neve que caiam a cada segundo mais abundante, por fim, finalmente é inverno.

A primogênita nasceu no primeiro dia da estação gélida, é histórico como Poeth e Haearn se alegraram com a notícia. Se tratava da pequena filha dos reis, gerada sob o botão de uma tulipa, através da magia e da sinceridade de dois homens livres para se amar. Festejaram com fartura de carne, frutas e magia. Abençoavam-na com todas as suas forças. Até as fadas vieram ao reino para apreciar a beleza única do bebê. A chamaram de Hedda, esta cresceu rodeada das habilidades mais almejadas pelo reino, afinal pertencia aos dois lados da moeda. Em quinze anos de vida, Hedda já era considerada uma das Feiticeiras mais habilidosas do reino. Resolveram denominá-la assim, uma Feiticeira, considerando fato de que além de ter erudição sob magia, também possuía o coração valente e o vigor necessário em um combate.

E hoje o reino estava em festa, comemorando alegremente mais um ano de vida da jovem princesa. A bela menina olhou para seu pai e lhe tocou seu rosto pacífico, Hedda completava quinze invernos agora, era uma moça. E como os rituais noturnos de todos os dias, seus pais vinham para lhe dar boa noite quando já deitada sobre seu leito de descanso.

Em seu sangue corre o poder de duas linhagens que se unem através de anos de guerra e sangue derramado: o astuto sangue de um caçador e o mágico sangue de um bruxo. Sobretudo, a primeira herdeira, cujo é filha de um mágico e um valente, traz sob sua existência a nítida realidade dos reinos em questão. Hedda é o símbolo da paz, união e cessar fogo. Uma aliança forte entre antes inimigos e agora um só povo.

Uma trágica história de amor que é contada e recontada há mais de duas décadas.

E Hedda gostava de a ouvir repetidas vezes, embora o final fosse tão mórbido. A princesa odiava finais infelizes, contudo este é diferente de tudo que já lhe foi relatado. Pois é a história de libertação do seu povo. Como poderia não querer ouvi-la?

— Papai, poderia me contar aquela história de novo? — Pediu a jovem ao Rei Renly, aconchegando-se debaixo do cobertor. — Ela me enche com um estranho fervor, não posso explicar a emoção que preenche meu coração.

— Um dia sentirá essa emoção mais nitidamente, quando se apaixonar. — Renly respondeu, cobrindo-a com o edredom. — Controvérsia, não desejo que tenhas que sentir a dor da morte tão rapidamente. Chegara, mas que tarde a vir.

— Bem dizeis, não tem como fugir do que fomos predestinados. — A menina revelou sua maturidade sobre o assunto.

Renly apenas assentiu com um aceno simples, Theoden que ouvia tudo do outro lado do quarto, veio curioso até os dois e estendeu mais um cobertor sobre a jovem. Estava frio demais, o inverno tende a ser rigoroso e às vezes o calor provindo do fogo que queima leigo na lareira não é o suficiente.

— De qual história se referia, querida? — Quis saber, ficou curioso ao ouvir sua filha pedindo por algo tão específico.

Já sabendo do que se tratava, Renly soltou uma risada baixa e nasalada, achando interessante atrair tanta atenção com as histórias de seus ancestrais. E sobretudo, o interesse de sua filha pelos assuntos do reino lhe confortava, considerando que ela só se tornaria Rainha se assim desejasse.

— Se trata da nossa história, de como a guerra entre Caçadores e Bruxos chegou ao fim. E o que consequentemente nos permite ser o que somos hoje, meu amado. — Abraçou Theoden por trás, logo que seu marido se sentou sobre a cama também, a sua frente, mas de costas para si.

— Amo essa história, porque é uma história de amor e de como amar envolve sacrifícios. Embora seja demasiado triste, não consigo deixar de gostar. Nos mostra que, sobretudo, o ódio é um veneno difícil de se purificar. — Disse Theoden sorrindo singelo para sua filha, a menina amava a história pela mesma razão. As doses violentas de amor e ódio. O veneno. O engano. O caos e a derrota. A verdade desmascarando a mentira. O coração que é devorado pelas trevas, torna-se incapaz de amar.

Há fogo, sangue e gelo. E por fim, o cessar fogo.

Renly apoiou o queixo no ombro do seu marido de forma que pudesse ver sua filha.

E assim, se dispôs a contar.

 


 

“Estas alegrias violentas, têm fins violentos
Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora
Que num beijo se consomem.”
― William Shakespeare
Romeu e Julieta, Ato II, Cena IV

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