Dois

Te amar com todo coração

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Naquela noite.

Ainda me lembro que de pés descalços caminhei até o jardim, usando uma simples camisola branca, quase translúcida.

Deixei a brisa da noite beijar meu rosto e me envolver em um abraço firme.

Deitei-me sobre a grama verde e molhada, deixei que as gotas de orvalho umedecessem o pano e tocassem a minha pele; mais uma vez fitei o céu, com pesar em meu coração.

Uma canção soou em meus ouvidos, enquanto me desfiz em lágrimas desesperadas. A dor que invadia meu coração, era tão caótica. Parecia que não iria passar.

Nessa mesma noite encontrei uma estrela diferente no céu, seu brilho ofuscava as outras. E era tão sublime, que trouxe uma lembrança recente…

Papai disse em seu leito de morte: “Se desejar que uma estrela caia, ela vai te amar com todo seu coração”, mas há quem diga que estrelas nascem do caos.

Quando os planetas se chocam, causam uma terrível confusão.

O desastre, controvérsia, gera uma bela estrela. Seu nascimento resulta em apenas beleza para se apreciar no céu de algum planeta.

Entretanto, assim como caoticamente nascem estrelas, também morrem.

A ciência chama a catástrofe de supernova, é donde nasce a anomalia inexplicável conhecida pela denominação: buraco negro.

Fechei os olhos e desejei que o caos se instalasse na galáxia que envolvia meu planeta. Que haja catástrofes, e assim se fez. Destrua Júpiter, que se choque em Marte. “Que você me salve”, sussurrei para a estrela mais brilhante do céu.

As últimas lágrimas escorreram pelos cantos de meus olhos e deslizaram para dentro de meu ouvido, trazendo uma sensação agoniante. Fechei os olhos e ali mesmo adormeci.

E entre sonhos distorcidos, de repente, acordei desesperada.

Meus olhos se abriram arregalados e o céu estava sob mim, onde acontecia uma catástrofe surreal. Sublime!

Só Deus pode acreditar em mim, mas juro, o vi cair do céu.

Uma grande estrela-cadente, brilhante, queimando gravidade abaixo.

Passou bem acima da minha cabeça, seu rastro de destruição era fogo.

Foi em direção a floresta.

Corri com todas as minhas forças, atravessei meu jardim, pulei a cerca e fui em direção à clareira no meio da floresta – me infiltrando por entre as árvores.

Como por instinto, eu soube, onde a estrela havia caído. Uma força sobrenatural me puxava como imã. Meus pés me guiavam como em uma dança.

Soube que os céus haviam atendido a minha súplica. Só não sabia se fora amaldiçoada ou abençoada… O que sei é que fiquei paralisada ao vê-lo erguer-se do chão.

Santo Deus!

Senhor, salve-me!

O Diabo tem forma física. E lamento afirmar que ele é terrivelmente belo.

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