Seis
Um tipo diferente de perigo
Coragem, é tudo que me resta agora.
Deslizando pelo palco, correndo em direção ao nascer do sol. O Cisne morre essa noite e em seguida renasce das cinzas, como uma fênix.
Escalando os muros, as luzes estão piscando, o show está acabando.
Serei livre e ficarei bem.
Agora que vejo a luz do fogo, posso enxergar novamente.
Atear-te-ei sob o fogo, o colocarei sobre essas chamas flamejantes de perigo, para que queime até o fim.
É do seu veneno que agora estou cheia, praticamente transbordando.
Fique longe, passei muito tempo sobrevivendo às doses da sua morfina, mas agora estou tentando te destruir.
Quando o organismo é exposto tempo demais a um veneno, aprende a criar seus próprios mecanismos de defesa. Não surge mais efeito, sua manipulação caiu terra abaixo. Um antídoto único corre por minhas veias. A cura está a um centímetro dos meus dedos.
Os sinos estão soando tão alto, sou um tipo diferente de perigo. A jovem felina e selvagem corre em direção a floresta, adeus aos dias de prisão.
Meus pés estão rodopiando ao redor do fogo. Assisto-te queimar. Esse é o nosso fim.
No que você está pensando agora? Você me viu aqui e me segurou a milhas de distância.
Gravado sob a minha pele como uma cicatriz. Como uma serpente, troco de pele. Essas tatuagens não têm nenhum significado agora.
Se essas correntes continuarem a me apertar, as arrastarei por aí, pois já não podem mais me impedir. Tudo está desmoronando agora.
Poderia te levar até lá e te devolver aos céus, se eu desejasse com todo meu coração.
Se você me deixasse ver, o porquê de você ser o único.
Sim, e você é o único para mim.
Pegarei qualquer lâmina que eu alcançar para te cortar.
Agora você não passa de um menino e mais uma mentira.
Enforcada, sufocada pelo seu amor. Entorpecida, cega pelo seu prazer.
Meus pulmões respiram ar límpido. Meus olhos estão bem abertos agora.
O tempo que tivemos juntos, está gasto. Não estou mais perdendo o sono. Portanto, não fique aí me encarando. Venha e me mostre seus dentes, porque você me viu em meio às árvores, você me amou sobre o céu estrelado, você me ouviu chamar.
Talvez seja esse o motivo por não sentir tanto medo agora… Porque você está sob a minha pele. Você está em meu caos. Você é o meu caos.
E quando for embora, para me deixar sozinha, catando os pedaços, destrua o meu coração enquanto beija meus lábios, enquanto minha vida abandona meu corpo impuro.
Permita que eu também seja o seu caos, a luz da lua que jamais irá te iluminar novamente.
Engula-me, eu, sua lua, quando se tornar um buraco negro do qual nada, nem mesmo partículas que se movam na velocidade da luz, podem escapar.
Rápido, estou correndo tão rápido. Arrastando essas correntes enquanto danço feito o tolo Cisne enganado. Ansiando demais pela minha liberdade. Deslizando por aí com todo o meu próprio caos que se mantém dentro de mim. Unindo meus caquinhos para me tornar um novo ser.
Eis aqui a Fênix que renasceu das cinzas.
É preciso manter o caos para dar à luz uma estrela infame.
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