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A minha última dança

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Minhas memórias tão caóticas, soam como uma orquestra sinfônica da melodia do mais puro pandemônio.

Sou a bailarina no centro do palco. Seus olhos ferozes estão sobre mim enquanto meus pés ligeiramente deslizam sobre o chão liso.

Os dedos que tocam as teclas do piano, são os mesmos que acariciam os meus cabelos enquanto choro todas as noites assombradas por pesadelos.

O tocar camuflado do perigo. Uma fera selvagem que se esconde na escuridão.

Dizem que o leopardo é o que tem a tática de caça mais sofisticada, és como um felino que focaliza sua presa indefesa antes de dar o bote silencioso.

Assista-me dançar, suspire quando eu der meu último respirar; quando meu fôlego acabar e a morte me abraçar, derrame lágrimas de sangue enquanto sussurra pela última vez o meu nome.

Ouvirei o seu chamado e olharei em seus olhos uma última vez, antes de me entregar para a escuridão.

O cisne negro dança singelamente vestido de penas negras, seus movimentos melódicos são tão amargos.

O gosto de sangue nunca esteve tão acentuado, as batidas do meu coração são tão graves, as notas são tão suaves quanto a dor.

Esta é a minha última dança. Após isso, me deito nos braços da morte.

Vejo a sua sombra, ela está crescendo conforme se aproxima. Você vai me devorar, rasgar minha pele, dilacerar a minha carne e roer meus ossos até alcançar a minha alma.

Faça-o.

Mate-me.

Não tenha pena.

Não estou com um pingo de medo agora.

É preciso coragem para encarar os olhos da fera, eu grito seu nome.

Não tenho medo. Não estou com medo. A minha respiração descompassada não significa absolutamente nada. Não consigo sentir dor, não quando a adrenalina acelera meu pulso.

Danço com toda a minha energia, como se deixasse o meu ser naquele palco. A plateia enlouquece com a minha performance, os encantei. Todos eles estão sem fôlego, seus batimentos são meus.

A hora é agora.

Fale-me agora, todas aquelas palavras envenenadas que tanto preciso ouvir.

Beije-me enquanto o veneno corre pelas minhas veias e possua-me enquanto estou cega de desejo.

Meu coração já não se acelera mais, caio. Em queda livre atravesso a atmosfera, meu coração volta a bater, vai sair pela minha boca.

Quando atinjo o chão, meu coração some novamente e tudo que posso ouvir é a minha respiração. Meu organismo luta para me manter viva.

Tento me levantar quando escuto a melodia tocar, mas parece que o tempo parou quando nossos olhos se encontraram.

Você é tudo que eu sempre temi. Ouço meus batimentos cardíacos soando lentamente em meus ouvidos, teimando em me manter existindo.

É um erro, sempre soube, mas a teimosia é um castigo humano. Um grave erro – minha mente alerta e meu coração ignora com todas suas forças.

É a minha morte cujo almejo tanto me entregar. Dentro de mim, o Cisne tenta fugir, mas volto para seus braços como um raio. Choro em seu colo, é um grito silencioso.

Afogo-me no oceano. E ignoro todas as luzes.

Silêncio…

Não ouço mais nada.

Isso está me matando agora. Mate-me.

Mas você ainda pode me ouvir, mesmo quando estou afundando lentamente. Estamos presos em um transe eterno. Essas cicatrizes vão nos perseguir para sempre.

Você pode filmar a minha última dança agora?

Mais fundo. Solte a minha mão.

Afogando-me cada segundo.

Me liberte, meus próprios pés vão me guiar. Na mais profunda escuridão do meu ser, irei desaparecer.

Lentamente, abro meus olhos…

E me assusto com a quantidade de vermelho.

O Cisne negro foi assassinado.

Naquela noite…

O Cisne negro está morto.

Entro em um caleidoscópio e navego para onde tudo começou…

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