Quatro
Sedados por um veneno indolor
“Este momento foi escrito para nós, o destino está se reunindo neste momento para se tornar nosso”, seus dedos longos e frios tocaram meu rosto, seus olhos devoraram os meus. “Eu vou te amar com todo o meu coração”, beijou minhas têmporas levemente. “Vou cuidar de você com todo o meu caos…”, e por fim, tomou meus lábios em um beijo sincero. Me embebedando com seu veneno.
De vez em quando…
Só de vez em quando, você encontra alguém com a mesma dose de caos que a sua.
Uma catástrofe que combina com a tua, uma cicatriz grossa e expressa, que jamais será absorvida por seu organismo.
CAOS! Rio de mim mesma quando estou sozinha, esse deveria ser seu segundo nome. Leonhard, sou tão tola, sou tão inocente e estúpida.
Sua adrenalina me deixa tonta, mal posso acompanhar seus passos, quem dirá notar seus erros. Todos os sinais que o universo me dava – alertando que você era um erro – eram sutilmente ignorados pela minha ignorância.
Sedada pelo seu veneno indolor. Você corrói a minha mente, envolve minhas córneas com uma fumaça escura.
Minhas veias estão tão ocupadas com o seu veneno. O silêncio é um presente divino para a minha mente, me entorpece.
Assisto suas sombras nas paredes da caverna e danço ao redor do fogo.
Meus pulmões estão impregnados com o seu perfume estonteante. Quando estou sozinha sua fragrância me envolve, como posso senti-lo tão perto mesmo estando tão longe?
Deve ser um tipo de bruxaria. Sou livre e jovem, mas não consigo mais me sentir assim. Estamos surdos, estamos mudos, cegos em nosso próprio mundo.
Querido, eu sei que isso está tão errado. É que seres humanos tendem a gostar do que é mau. Eles se atraem como hipnose quando os demônios tocam flautas.
Estou flutuando em algum lugar fora do meu corpo. Tentaram me alertar com palavras, mas elas perdem o significado quando entram pelos meus ouvidos.
Tento arranhar esses muros, mas não surge efeito, não consigo sair. Tornei-me escrava da sua profunda ilusão.
Deus, eu deveria correr para tão longe, mas meus pés continuam estagnados nesse lugar – criando raízes junto das ervas daninhas.
Você não vai me salvar. Não vai me arrastar para longe disso.
Acreditei que se o deixasse me ver despida, salvaria minha pele, purificaria minha alma e me privaria de toda a desgraça que me cerca.
Nós queimamos, intensamente, da mesma maneira que desabamos. E explodimos como fogos de artifício, assim como as bombas atômicas.
Leo, eu acreditei que você era minha estrela, gerada do caos, nascida de Júpiter que ousou beijar Marte.
Olhando para trás, percebo a minha tolice.
Fui tão fácil, uma presa frágil em meio a floresta.
E você o leopardo impiedoso, o fenômeno das Leônidas.
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