Prefácio

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Para todos aqueles que já foram esquecidos.

 

 

Certa escuridão é necessária para ver as estrelas.
– Osho

 

 

Meu Amado

Caelum Ronan
25 de Dezembro, 2039

 

Ocasionalmente, você não sabe se está sonhando ou aquilo está realmente acontecendo. Às vezes, é difícil distinguir a realidade de um devaneio. Nossas mentes são capazes de projetar filmes tão perfeitos. Cada detalhe conta.

O inverno e a época festiva me inspiram a acreditar que isso é um sonho.

É Natal.

As luzes coloridas piscam ao nosso redor. Estou na sala da minha casa – ao menos imagino que seja minha, se considerar a posição agradável de cada enfeite e as cores calmas que tanto gosto. Há presentes debaixo da árvore enfeitada e pela janela posso ver a neve cair sutilmente. A casa parecia estar localizada sobre uma colina, de forma que havia floresta densa ao redor, a visão perfeita do mar e uma torre compondo a paisagem lá no horizonte.

Algumas coisas soam tão familiares, me sinto como se pertencesse a tudo isso. E talvez… isso realmente seja parte de mim. Meus sonhos são partes significantes do meu ser – ou ao menos, acredito que seja, na grande parte das vezes que os tenho.

O mar estava agitado, podíamos ver e ouvir as ondas quebrando-se contra o rochedo – e gosto de assistir a essa cena. Segurando uma caneca de chocolate quente, sentado no sofá macio, encostado ao encosto do móvel enquanto olho pela janela e ainda usava meu pijama. O gato de pelagem manchada miou irritante vindo em minha direção como se eu fosse seu dono, ronronou e esfregou sua cabeça no meu tornozelo fazendo o sininho da coleira soar fofo.

Ouvi passinhos no andar de cima da casa, para em seguida ver uma menina descendo os degraus da escada – julgo que sua idade seja sete anos. Um a um, tomava cuidado para não cair, o pijama que vestia era grande demais, a obrigava a pisar sobre o pano que sobrava, cobrindo seus pezinhos e com certeza isso poderia a fazer cair.

A menina possuía um longo cabelo escuro caindo em ondas perfeitas sobre suas costas, embora estivesse um pouco bagunçado; ela estava dormindo – muito provavelmente –, antes de vir. Ela olhou para mim e sorriu, disse algo que de início não compreendi e foi imediatamente em direção a árvore de natal, se abaixou e pegou uma caixa de embrulho rosa. Seu presente de natal.

No centro da sala, se sentou sobre o tapete branco e felpudo, cruzou as perninhas com o presente diante de si. A pequena mãozinha tão delicada desfez o laço da caixa com cuidado, podia-se ver a excitação nítida em seu rosto. Ela não via a hora de descobrir o que estava em seu interior. Quase sinto a expectativa dela dentro de mim, como um déjà vu.

E quando ela finalmente tira a tampa da caixa… meu coração bate mais forte e a sensação familiar dentro de mim fica ainda mais presente. Suas mãozinhas de unhas pintadas de cor rosa-bebê tiram dali seu presente, um lindo e perfeito globo de neve. Eu gosto, são tão delicados, tão inspiradores e ficam lindo como decoração. Além de muitas das vezes em seu interior, como uma cena de teatro, há um momento como cenário. Certamente pode-se eternizar uma memória.

Senti uma mão firme apertar a minha e quando virei o rosto, ele estava sentado ao meu lado, tão perto que pude ver as cores dos seus olhos. Castanhos como amêndoas e tão delicados, como se o brilho de todas as estrelas o iluminasse.

E aquele simples olhar que sustentou o meu, me deu a certeza definitiva, isso não é um sonho. E esse é o homem que eu amo.

Finalmente soube… Finalmente me lembrei…

A estrela cadente entrou na atmosfera com uma velocidade de aproximadamente 250.000 km/h. E enquanto ela é totalmente desintegrada antes de chegar ao chão, minhas memórias voltam e se completam como um quebra cabeça.

Sim, me lembro de tudo com clareza agora, meu amado.

Meu.

Meu homem.

Todas as noites estreladas que nos trouxeram até aqui.

O globo de neve conta uma história. Mais especificamente a minha história de amor. E se virar a página, as galáxias te guiarão por esse conto, como capítulos. E basta observar a noite… use um telescópio se for mais fácil, siga as estrelas. Cada constelação guarda mil memórias. Eu repito, está escrito nas estrelas. Observe e leia…

Nossas noites estreladas.

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