Seis
Conjure prazer, promessas e traições
Tanisha, a Médium
As duas se beijavam como duas feras selvagens, os estalos dos lábios sintonizavam com os crepitares da madeira sendo devorada pelo fogo. No segundo que fui possuída, meu corpo projetou-se astralmente para fora, me tornei uma telespectadora daquele incêndio. Ainda assim, estava conectada ao meu ser, podia sentir tudo, Lorelei e eu nos tornamos apenas uma. Era como se nós duas estivéssemos ali, prestes a enlouquecer aquela bruxa nociva de prazer.
A cada segundo a tensão aumentava fazendo-me almejar muito aquilo, elas não conseguiam desgrudar os lábios, estavam se beijando como se o mundo fosse ruir.
Era tão estranho me ver de fora. Quero dizer, sou eu ali, o meu corpo. É assustador, mas de fato é uma experiência sem igual. E não estava achando nada ruim. Parece que ser uma médium implica ter experiências sexuais bem espirituais pelo menos uma vez na vida. Quando tudo isso acabasse, teria muita história para contar e Brynja não iria acreditar, era loucura demais.
Rasguei o colo das vestes de Odessa, libertando seus seios medianos, cujo desproviam de roupa íntima. Seu corpo já não me era segredo, considerando que a trouxe para o mundo sem uma peça de roupa sequer. Que mulher!
— Continua perfeitamente deliciosa. — Comentou Lorelei que imediatamente afundou-se entre os seios, depois com o olhar conectado ao da bruxa, lambeu devagar um dos mamilos rijos. Odessa fechou os olhos com força, um gemido demorado saiu de sua boca. O jogo dos olhares conectados me fazia salivar. — Eles possuem um brilho tão bonito diante do lume do fogo. Quero te lamber dos pés à cabeça.
— Pois me permita sentir sua língua. — A bruxa ofegou, completamente entregue a sua amante.
Elas voltaram a se beijar, seus corpos sobre o sofá roçavam-se um no outro, ansiavam a cada segundo por mais. Enquanto o ósculo continuava acontecendo intensamente, Odessa se dispôs a desabotoar os botões da minha camisa, não demorou para ter a peça de roupa longe do meu corpo, meu sutiã foi atirado pela sala e em seguida ela separou o beijo para contemplar meus seios pequenos. Suas mãos os agarraram, apertando-os cuidadosamente, apreciando a maciez da carne. O indicador e o polegar, fecharam-se em meus mamilos rijos e pequenos, apertando-os gentilmente, enviando-me ondas sutis de prazer. Em resposta, me mexi em seu colo, buscando algum contato lá embaixo, na área já úmida de desejo.
Odessa encarava-me profundamente, deixando seus olhos conectados aos meus, trouxe a boca até meus seios, que foram lambidos um por um apenas ao redor, na parte pomposa e depois ela arrastou a língua molhada até os pontos rijos e estremeci, senti algo quente escorrer e molhar a minha calcinha.
— Tira a roupa para mim. — Ela ordenou e imediatamente sai de seu colo para me colocar de pé e retirar o restante das minhas vestes, quais eram a calça moletom que usava e a tanga preta. Ela observou meus movimentos, não deixando de notar cada detalhe do meu corpo.
Agora nua, chamou-me com o indicador e me aproximei do sofá onde se encontrava sentada. Me deparei com ela diante do meu quadril, cara a cara com o desejo pulsante entre as minhas pernas. Ela começou lambendo meu corpo, sem se aproximar dos pontos íntimos. Apenas me umedeceu com sua saliva, passeando pela minha pele. A barriga, as coxas, os pulsos, pescoço… era bom, delicioso, na verdade. Me fazia sentir toda sua, marcava-me com seu gosto.
— Quer ver um truque de mágica, Tanisha? — Odessa falou diretamente comigo, enquanto Lorelei sorriu diabólica.
Encostada contra uma parede de frente para elas, observei quando Odessa desceu sua língua até o ponto entre minhas pernas. O músculo estava gelado, o que me fez soltar um grito de arrepio, no segundo seguinte, tornou-se quente, tão quente que quase me desfiz com as pinceladas sutis em meu clitóris.
Odessa sorriu para mim, vitoriosa. Maldita!
Puxei-a pela nuca, até que estivesse de pé e assim removi o restante de suas vestes, nós nos atracamos novamente, agora nuas. Os seios roçando um contra o outro, fazendo-nos gemer graciosamente enquanto chupávamos a língua uma da outra. Pele quente e arrepiada contra a outra. Batimentos cardíacos pesados, fazendo-me sentir as vibrações do seu coração. Acho que passamos longos minutos assim, apenas nos tocando e sentindo com o corpo, explorando com as mãos, sem chegar ao ponto realmente desejado. Criamos toda uma expectativa, nós nos amamos. Lambemos e apreciamos o calor das peles juntas, sem pressa. Aproveitei para fazer o mesmo e lamber a sua epiderme, apreciando cada centímetro do seu ser. Saboreando-a lentamente, como se faz com um doce. Não conseguia fazer truques mágicos com a língua, mas ainda assim sua pele se arrepiava e sua boca soltava gemidos graciosos de prazer.
Nos deitamos sob o chão da sala, onde o pentagrama ainda estava desenhado, as pedrinhas de sal grosso inicialmente machucaram suas costas, o que nos fez rir enquanto ela se sentou rapidamente apenas para que pudéssemos afastá-las da nossa cópula. Assim que pode se deitar confortavelmente, sentei-me sob seu quadril e finalmente sua mão escorregou até o ponto molhado entre as minhas pernas. Ela tocou meu clitóris gentilmente, o que me fez estremecer e fechar os olhos para gemer com ternura.
— Tão molhada para mim. — Comentou, enquanto deslizava um dedo para dentro da cavidade lubrificada, tremi. — Se fode.
Em sua ordem, comecei a me mover, sentando sobre sua mão, sentindo ela penetrar-me de um jeito tão gostoso. O brilho em seu olhar era sublime, a forma com que me devorava como uma loba. O indicador e o dedo médio estavam dentro de mim, enquanto o polegar circulava o ponto inchado que pulsava. Eu estava ficando cada segundo mais úmida, mais sensível, mais desesperada e necessitada por mais. Ondas quentes possuíam meu corpo, levando-me ao nirvana.
Odessa dobrou os joelhos e abriu as pernas, isso me manteve sentada em sua barriga, ainda me movendo sob seus dedos, mas a posição me permitiu levar uma de minhas mãos até sua vulva, era uma posição complicada, mas aos poucos encontramos o eixo. Ela choramingou quando escorreguei meus dedos em v por seus lábios até encontrar o canal onde gentilmente a penetrei da mesma maneira. Assim sincronizamos nossos movimentos, encarando nossas almas através dos olhos.
— Deixa eu te chupar? — Pedi, em determinado momento, Lorelei não queria alcançar o ápice de imediato. Queria aproveitar cada segundo precioso com a sua amada, visto que não poderia manter a possessão por muito tempo.
A bruxa assentiu e assim removeu delicadamente seus dedos do interior da moça, que fez o mesmo consigo, saindo de seu colo imediatamente para abaixar-se diante da vulva molhada. Lorelei lambeu as coxas internas e proferiu mordidas suaves, atiçando-a. Odessa morria de ansiedade, mordendo os lábios com força e observando a moça entre suas pernas. Quando a deixou à beira do precipício, esperando pelo toque, decidiu ser hora de prová-la e sutilmente deslizou a língua de cima a baixo.
A mulher se contorceu em seus braços, gemendo alto e por reflexo agarrou seus fios de cabelo. Lorelei brincou com a fenda, dançando a língua sob ela, enfiando-a gentilmente antes de subir, chupando os grandes e pequenos lábios, acabando-se no ponto pulsante. Manteve-se ali, passando a língua macia constantemente, sentindo-a pulsar, ouvindo-a gemer e vendo-a umedecer-se ainda mais. Agarrou-a pelas nádegas, sustentando seus quadris para ter mais precisão em seus movimentos. Tomava todo seu mel, lambia-a mais, até que tremesse em seus braços, gemia contra seus nervos, afundava sua boca de forma que mais parecia um intenso beijo.
— Mais! — Odessa suplicou, imersa naquela névoa de deleite.
Lorelei foi obrigada a abaixar o quadril da moça para libertar suas mãos, assim levou dois dedos de volta a cavidade macia e quente da outra, voltando a fazer movimentos certeiros enquanto ainda mantinha sua língua no emaranhado de nervos que levavam sua amante à loucura.
Quando a bruxa estava perto de seu ápice, afastou-se encontrando ideias um tanto inusitadas na mente de sua hospedeira.
— Hmmm, Tanisha quer nos ensinar algo. — Disse Lorelei.
— Um truque de mágica, suponho. — Odessa sorriu, bastante interessada.
Lorelei afastou as pernas de Odessa ao máximo para encaixar-se entre elas e fazer ambos os sexos se conectarem em um beijo. As moças gemeram com o contato quente, macio e úmido. Quase perderam a razão. E não conseguiram mais se conter, diante do lume vindo do fogo, das decorações natalinas naquela sala e todo o prazer acumulado, se moveram com maestria, uma contra a outra, os pontos de prazer sufocando mutuamente, fazendo-as gemer em um harmonioso concerto de luxúria. Era uma cena de volúpia, a música era seus gemidos prolongados que já não eram mais controlados por si, fluíam naturalmente assim como o mel entre seus sexos que tornava tudo mais escorregadio. Foram intensificando os movimentos, esfregando-se com velocidade. Odessa agarrou a bunda de sua amante, segurando a carne com força, enquanto se forçava para cima, rebolando e implorando por algo que estava por vir.
— Lorelei! Oh! — Gemia o nome da sua amada, proferindo tapas ardentes na nádega acentuada. Seu interior todo vibrava, ansiando pelo êxtase que estava a um fio.
— Odessa! — E ela prontamente respondia, agarrada a uma das pernas da amada, cujo tornou-se o apoio para melhorar os movimentos.
Estavam dominadas por volúpia, era impossível suportar a sensação incrível que sentia, não podendo mais evitar o mais esperado. Apertaram-se com força quando o ápice lhes alcançou, fazendo suas pálpebras tremerem, o útero vibrar, o suor lhes escorria e por um minuto suas mentes ficaram nubladas. Entre elas era um caos melado, sensível e permaneceram se movendo muito sutilmente, causando-lhes calafrios de prazer enquanto deliravam e se acalmavam.
Quando se deram por satisfeitas e pararam os tremeliques, Lorelei deitou-se sob sua amada, completamente exaurida e satisfeita. Odessa, embora cansada, não pode deixar de abraçá-la, enchê-la de selares e carícias. Depois de tanto tempo estavam juntas e amaram-se da maneira mais sincera que podiam.
— Eu amo muito você, Lorelei, serei eternamente grata por tudo que fez por mim. Para me libertar. Não consigo descrever a dor no meu coração de termos sido impedidas de nos amar. É tão injusto que, agora que sou livre, não poderei tê-la. — Havia lágrimas nos olhos da bruxa má, todos os sentimentos estavam expostos, ela não tinha que manter muros erguidos quando estava com a garota que curava pássaros, a mesma que, posteriormente, passou a destruí-los por si. Não tinha o que temer.
Lorelei se afastou para encarar melhor seus olhos marejados e selou suavemente seus lábios antes de dizer:
— Odessa, prometa-me que viverá a vida que lhe roubaram, aquela que devaneamos e jamais nos foi permitido viver. Nada mais me alegra senão o fato de saber que agora, em sua liberdade, poderá ser feliz. — Confessou sua amada, fazendo-a segurar um soluço.
— Prometo. — Garantiu a bruxa.
— Eu sempre vou te amar, Odessa Vreea. Você sempre será o meu diabo. A praga que detonou toda a bondade do meu coração. — Lorelei disse, fazendo a bruxa dar risadas em meio ao choro. — Não me arrependo nem por um segundo.
— Como poderíamos nos arrepender? — A bruxa má questionou, colando seus cenhos para encarar os olhos com mais precisão. — Essa é a nossa forma de amar. Perfeita ou não. Se isso é ser perversa, então é o que somos.
Suas bocas se uniram novamente em um beijo intenso de despedida, as almas se conectavam de tal maneira. Senti meu corpo formigar quando Lorelei deixava-o e retornava para o plano espiritual, permitindo que abrigasse em minha casca novamente. Agora era eu que beijava Odessa, finalizando o beijo de despedida das bruxas, depois de indiretamente amá-la com meu corpo através da possessão de Lorelei.
E acho que a moça que fez de tudo para libertar sua amada bruxa, deixou muita coisa para trás. Parecia que ela tinha me escolhido para cuidar de sua amada.
— Tanisha. — A bruxa me reconheceu.
— Oi. — Saudei, sentindo-me extremamente envergonhada por estar nua sobre seu corpo.
— Acho que devo te agradecer. — Ela revirou os olhos.
— Não precisa, continue sendo a boa e velha bruxa maldosa. — Pela primeira vez, eu a fiz rir. E ela ficava ainda mais bonita sorrindo. — Vou me vestir, não quero rever a minha mãe estando nua. — Lembrei-a de nosso acordo.
Odessa assentiu e assim soltou-me de seus braços, me pus de pé e percebi que ainda estava bamba, possessões levam toda a energia de seu corpo, portanto estou fisicamente ainda mais exausta por isso, mas não era o que me tanto surpreendia. Sentia os toques dela em meu corpo, deixado para trás como marcas, notava ainda o efeito pós-orgasmo, cujo fazia-me flutuar. Havia sido memorável, mas precisava afastar-me do emocional, pois a verdade é que foi só sexo e nada mais.
Caminhei até o banheiro da cabana e tomei uma chuveirada quente, limpando todos os toques dela do meu corpo, não permitindo que se tornassem ainda mais significativos. Tudo em mim, mudou como o anoitecer. Eu estava diferente e não conseguia compreender ao certo o que isso significava.
Quando retornei à sala, tudo estava ajeitado em seu devido lugar e não havia mais rastros do ritual que acontecerá horas atrás. Odessa estava de costas a lareira, perfeitamente vestida com seu vestido preto que não possuía sinais de que havia sido rasgado a pouco. Ela sorriu para mim, o batom vermelho sangue destacando seus dentes brilhantes e as chamas em seus olhos voltando a se acender.
— Chegou a hora, queridinha. — Seu sorriso se tornou muito maléfico. — Preciso cumprir a minha promessa, mas lhe garanto que meu agradecimento será muito além disso.
— O que você quer dizer? — Indaguei, arqueando uma sobrancelha em desconfiança.
— Ah, não queremos estragar a surpresa, não é? — Odessa se aproximou ligeira. — Eu te disse, Tanisha, sua alma está cheia de segredos e vou te ajudar a revelar o melhor deles. Garanto-lhe que irá me agradecer.
— Do que está falando? — Comecei a ficar muito assustada com sua expressão, a entonação suspeita em sua voz, dei passos para trás e percebi estar encurralada.
Mais uma vez naquela noite, vi a bruxa conjurar a adaga que insistia em estar em sua mão, senti meu corpo formigar ao ser paralisado por seus poderes. Não conseguia me mexer, nem sequer respirar.
— Sinto muito, queridinha. — Disse a bruxa, quando empunhou o objeto cortante e sem pestanejar o fincou contra meu abdômen.
Gritei de dor, tudo queimava, ardia e era inundado por vermelho.
— NÃO! — Gritei, se é que ainda tinha forças para isso. — O que você fez, Odessa?
Ela apenas sorria, a satisfação estampada em sua cara.
A bruxa maldita me traiu.
— Shhh! — Ela sibilou. — Vai ficar tudo bem, queridinha. Confia em mim. — Silenciou meus lábios com seu dedo indicador, aproximou-se para pegar meu corpo que, agora livre de seu controle, planejava despencar.
A bruxa sentou-se no chão comigo em seu colo, o sangue quente jorrava para fora de mim e umedecia seu vestido, a cada segundo aproximando-me da minha morte. Meus olhos derramavam lágrimas silenciosas.
— O que a sua mãe fez para proteger a alma dela é irreversível até para uma bruxa do meu patamar. Mas antes que encontre a escuridão, tem alguém que poderá lhe conceder todas as respostas que você precisa. É tudo que posso fazer por você, querida. — Odessa acariciava meu rosto, seus olhos já não eram mais fogo, era de um verde intenso, como uma floresta. — Aprecie sua morte, Tanisha.
Senti a minha alma ser arrancada do meu corpo e gradualmente tudo ficou escuro.
— Acho que esse é um final bem feliz, não é mesmo? — Ouvi a última frase de Odessa, acompanhada da sua típica risada diabólica.
Morri sabendo que era deveras estúpida.
Gostou do capítulo?
Indique para um amigo
Compartilhar
Faça parte do Clube de Leitores da Raposa
Está gostando da leitura?
Deixe seu e-mail aqui embaixo.
Ao se inscrever, você concorda com a nossa Política de Privacidade.
Comentários