Capítulo Seis

Maldição

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Assim que a criatura saiu para o trabalho, Sebastian pegou o celular de Rafael que havia escondido atrás da privada do banheiro imundo. O lavatório era um local que o monstro raramente entrava, apenas quando precisava empurrar os adolescentes para o castigo.

Sebastian e Helena se sentaram no meio do quarto e esperaram ansiosamente pela ligação de seus amigos. A menina encostou sua cabeça no ombro do garoto e suspirou pesado e triste.

— Você acha mesmo que eles vão ligar? — Era muito difícil ter esperanças quando lhe tiraram tudo.

O rapaz sorriu gentilmente para ela.

— Claro que vão, meus amigos jamais deixariam a gente aqui. — Esfregou o nariz no topo da cabeça da menina. — Nós vamos conseguir, Leninha.

Ela sorriu fraco ao ouvir o apelido pelo qual é chamada por seu pai.

— Não vejo a hora de voltar para casa… — Suspirou dolorosamente.

— Eu também. — Entrelaçaram seus dedos. — Helena, eu posso te perguntar uma coisa?

Ela se afastou para olhá-lo nos olhos, sua voz soava preocupante. O garoto encarou as linhas do chão de madeira.

— Você ainda ama o Pedro?

De repente o coração de Helena ficou mudo. A pergunta a pegou de surpresa. Olhando para si mesma, olhando para seu coração, ela nunca havia pensado nisso… será que ainda amava o garoto que lhe quebrou em milhões de pedaços?

— E-eu… não sei, Sebastian. — Baixou os olhos envergonhada.

— Você sofreu muito quando ele rompeu o namoro? — Quis saber.

Helena olhou bem nos olhos dele para dizer:

— Eu sou boa em fingir que está tudo bem, quando não está.

— Isso quer dizer que sofreu? — Pontuou o rapaz.

— Pedro foi o meu primeiro amor correspondido, o primeiro amor é sempre o mais doloroso. Eu nunca vou entender seus motivos por me deixar, quando o amor parecia ser tão real. — A moça baixou os olhos. — Mas, a vida é muito mais que um coração partido, então precisei seguir em frente, mesmo quando doeu.

Sebastian sorriu torto.

— Sei como se sente. — Desabafou.

— Por que está me perguntando isso? — A moça quis saber.

— Porque a única explicação para o Pedro ser o único que pode te ver é que você o ama, ou ele te ama. — Sebastian olhou bem nos olhos da garota ao dizer.

A respiração de Helena falhou. Pedro ainda a amava? Parecia impossível. Talvez ele nunca a tenha amado. No dia seguinte ao término, já estava agarrado com outra garota na escola. Ele esmagou o coração de Helena de diversas formas.

— Não acho que ele me ame. — Ela discordou.

— Então você o ama? Por isso ele te vê? — Confrontou Sebastian.

— Eu não me sinto mais do mesmo jeito em relação a ele. — A garota deu de ombros. — Sebastian, você sabe porque ele terminou comigo?

O rapaz desviou o olhar. Ele e seus amigos compartilhavam tudo um com o outro, é óbvio que sabia o porquê.

— Não sou eu quem deve te falar.

— Mas você vai me dizer, porque se você não contar, Pedro nunca irá. — Disse a menina. — Sei que estou te colocando em uma posição difícil, quando Pedro é o seu melhor amigo. Mas, por favor, eu preciso saber.

Sebastian respirou fundo.

— Pedro não queria te machucar. — Respondeu por fim. — Ele estava te protegendo…

— Protegendo de quê? — Helena não podia entender.

— Protegendo você dele mesmo. — Sebastian sorriu e balançou a cabeça, expulsando pensamentos. Queria ter coragem de contar tudo para ela, mesmo que não fosse seu direito.

Mas se ele a ama, não seria certo contar a verdade para ela?

— Por favor, prossiga. — A garota insistiu.

Sebastian segurou seu rosto delicadamente e a chamou:

— Helena?

— Sim?

— Quando saímos daqui, se é que vamos sair daqui com vida, me promete uma coisa?

— O quê?

— Você promete que vai ter um encontro comigo? — Sebastian olhou nos fundos dos olhos da garota. — Não como um amigo, ou cara que esteve contigo em uma casa assombrada, e sim como um cara que realmente a ama.

A garota abriu a boca para falar, mas não houve voz. Ela estava em choque com a declaração de Sebastian. Ele nutria sentimentos por ela? O coração de Helena se aqueceu, e por que estava quente? Por que suas bochechas estavam queimando?

— M-mas… você é o melhor amigo do Pedro, ele jamais concordaria com isso. — Helena tinha completa razão. — Sei o que fizemos aquele dia, mas foi só aquele dia e morreu conosco.

Sebastian fechou os olhos com raiva.

— Mas é claro que não morreu! Quer dizer, para mim não! Foi o melhor momento da minha vida, como eu poderia matá-lo? Pra você foi isso que a gente significou? Fui só um cara para você tapar os buracos que o Pedro deixou no seu coração? — A essa altura ele se pôs de pé, encarou a garota com mágoa.

— Não, foi muito especial para mim também. Só pensei que o certo fosse encarar as coisas dessa forma… — Levantou-se também e tentou se justificar.

— Até quando você vai mentir para você mesma dizendo que não me ama? Fala sério, Helena, você ficou com o Pedro, mas desde aquela época já gostava de mim. — Aquilo era completamente nítido para ele.

— Para, por favor! — Ela suplicou, à beira de colapsar em lágrimas.

— Helena, o Pedro, o meu melhor amigo, só pensa em si mesmo. Ele é a melhor pessoa do mundo, de fato, mas é egoísta. Você deveria ter enxergado isso enquanto o namorava por dois anos. Eu também já amei, Helena, e a garota que amei nunca soube sobre os meus sentimentos. Porque Pedro a tomou de mim. — Desabafou, alto e em bom som. Aquilo alívio seu corpo em grande imensidão.

A boca de Helena se abriu e fechou, mas nada saiu. Não, isso não podia ser o que ela estava pensando…

— Sabe o que é um amor platônico? — Sebastian riu. — Desde o jardim de infância. Eu sempre te amei, garota. E duvido muito que não tenha percebido…

— Sebastian… — Helena baixou os olhos, mas o garoto ergue seu rosto ao sustentar delicadamente pelo queixo. Ela não sabia o que dizer.

— Sim, é verdade. Mas eu não tinha coragem de me aproximar, nem quando você se tornou uma bela adolescente. Meus amigos sempre souberam de meus sentimentos por você. Mas eu sou assim, um homem fechado e tímido. E quando Pedro começou a se aproximar de você nas aulas de química e você começou a se apaixonar por ele e ele por você, eu tive que deixar de te amar. Porque eu não queria magoar meu amigo. E Pedro perguntou: “Você não vai se importar né, Lobo. Eu gosto dela, eu vou ficar com ela!”, ele não estava pedindo permissão e sim avisando que iria. Portanto, dei espaço para que no final ele magoasse seu coração com seu egoísmo. Pedro terminou com você porque acreditava que você não teria um futuro, porque ele queria uma mulher para cuidar da casa enquanto ele desfruta da herança e empresa dos pais, e você só se preocupava com sua faculdade e em ser uma mulher independente. Como você podia ficar com alguém que tinha tantas regras? Ele podia sair com os amigos, mas você não podia sair com as suas amigas; você só podia ler os livros que ele queria que você lesse e só usava roupas que agradavam a ele.

Lágrimas invadiram os olhos de Helena, porque o que Sebastian estava dizendo parecia tão real agora. Como ela nunca notou isso antes?

— Mas… ele só estava cuidando de mim, me protegendo… — Um soluço rompeu pela garganta da garota, que imediatamente engoliu o choro.

— Como alguém pode te proteger quando diz mais “eu” do que “nós”? — Sebastian negou com a cabeça. — É mais sério do que imaginei… você ao menos percebia que quando você se destacava nas aulas ele era o único que não comemorava o seu sucesso? Até eu ficava feliz, mas Pedro não, porque ele não aceitava sua namorada ser melhor que ele. E ele perguntava como havia sido o seu dia? Ele deixava você falar o que queria e o que não queria? Você precisava implorar quando queria uma coisa?

O pior era encarar na sua cara que as respostas eram ‘não’. O melhor amigo do seu ex, estava certo. E perceber o quanto fora tola, a faz odiar a si mesma.

— Chega! — Helena o empurrou. — Você não tem o direito de me dizer essas coisas! Pedro sempre esteve ao meu lado, nos momentos mais difíceis. Ele sempre foi romântico e carinhoso comigo.

— Sim, o mais irônico em tudo isso, Helena, é que Pedro te amou. Mas o seu egoísmo impediu que continuasse a amá-la, e por isso ele se afastou. — Sebastian puxou a garota para perto novamente. — Pedro jamais vai reatar com você.

— Eu não quero que ele reate comigo. — Ela respondeu, sinceramente. — Eu me amo o suficiente para querer o melhor para mim e eu sei que Pedro não é o melhor. Se ele me ama dessa maneira, prefiro ficar sozinha do que ser um objeto que pode ser facilmente trocável. Não sou como essas garotas idiotas que ficam chorando por dias, eu carrego meu coração partido e o torno meu de novo, ato as feridas e sigo em frente.

Um sorriso de orgulho se abriu no rosto de Sebastian. Ele havia se apaixonado pela garota certa. Se Helena soubesse que seu rosto era o único desenho que ele sabia desenhar tão bem; se ela soubesse a tortura que foi ficar anos sem poder desenhá-la em respeito a seu amigo. Quando finalmente a teve em seus braços, era como se não tivesse, pois parecia impossível que se tornasse algo além de uma noite.

Mas agora, contando com que saíssem dali, Sebastian tinha esperanças de conquistar o coração da menina que sempre amou.

Foi nessa hora que selou a promessa consigo mesmo, que ele e Helena sairiam dali vivos. E quando estava prestes a eternizar a sua promessa em voz alta, o telefone em suas mãos vibrou e o nome de Pedro apareceu na tela, coincidentemente.

Helena agarrou-se a Sebastian, a esperança os dominou…

O garoto deslizou o botão verde para cima e colocou o telefone no alto-falante.

— Alô? — Sua voz saiu um fio trêmulo.

— Vocês ainda estão vivos? — Foi a voz de Nathan que soou do outro lado da linha telefônica.

Sebastian respirou fundo.

— Estamos.

— Sebastian, a coisa está aí? — Carlos perguntou.

— Não, ele foi trabalhar. — Respondeu prontamente.

— Perfeito! — Sérgio bravejou. — Há uma longa história que vocês precisam ouvir.

— E quem vai contar se chama Clélia Barros. — Pedro revelou. — Esse nome soa familiar?

Helena tapou a boca, surpresa.

— Clélia não é o nome da filha dele? Que estava escrito no diário… — Helena olhou com olhos arregalados para o rapaz ao seu lado. — Pedro, vocês encontraram a filha dele?

— Através do nome que Sebastian nos deu, nós achamos diversas matérias de jornais antigos sobre o assassino Damiano Barros. E descobrimos que sua filha, Clélia, ainda estava viva, ela mora em uma casa para idosos, no sul de Perolino. Hoje ela tem 89 anos. — Contou Pedro.

— Nesse momento, estamos com ela aqui na casa de repouso e ela vai contar a vocês toda a verdade nunca dita sobre Damiano, seu pai morto há 88 anos. — Revelou Guilherme.

De repente houve um silêncio através da linha telefônica e apenas os corações dos jovens aprisionados podiam ser ouvidos.

— Helena? Sebastian? — A voz da velha senhora soou através do telefone, fraca e baixa.

— Sim! — Os dois responderam simultaneamente.

— Você pode ouvi-los? — Nathan quis saber.

— Não. — Respondeu Clélia. — Para ser sincera, jovens crianças, nunca acreditei na maldição que julgavam existir na alma de meu pai. E se querem ouvir, sugiro que sejam corajosos.

Helena e Sebastian estremeceram. Talvez eles nunca estivessem preparados para saber a verdade, mas ela estava ali pronta para ser dita.

— Por favor, senhora, nos conte. — Guilherme pediu.

— Damiano sempre foi um homem ruim. — Clélia começou a contar. — Ele era o tipo de criança que matava os cachorros com as próprias mãos, atirava pedras nos pássaros, machucava crianças de forma cruel. Meu pai nasceu com afonia, é uma deficiência que indica incapacidade total de reproduzir a fala. Mas isso não o impediu de ter o coração sombrio.

“Conforme foi crescendo e sofrendo devido a sua deficiência, ele se odiava ainda mais. Apelou para o suicídio uma vez, mas sua irmã Aiana o salvou, o que o fez odiá-la para sempre e foi assim que ele libertou o monstro dentro si. Ele matou a própria irmã, costurou sua boca por vingança, para ela saber o que era não poder falar. A esfaqueou e a deixou na floresta para morrer…

Papai seguiu em frente, lutou pelos seus sonhos de ser um advogado. E conseguiu a graduação, mas jamais foi visto ou aceito como um homem da lei e por isso se tornou assistente de um advogado importante. Foi nesse escritório que ele conheceu minha mãe, ah, que Deus a tenha. Meu pai violentou a minha mãe, ela ficou grávida e foi obrigada a se casar com o maníaco, no entanto, sua vida tornou-se um inferno, ele batia tanto nela que a fez perder seu primeiro filho. Naquela época as mulheres não tinham voz, por isso minha mãe apenas aguentou. Logo meus irmãos nasceram, mas suas existências se resumiam apenas em sofrer nas mãos de meu pai que os espancava praticamente até quase a morte. Meus irmãos tiveram uma infância sofrida, assim como a vida inteira minha mãe apanhou. Papai era um homem muito rude.

Aos olhos da sociedade nós éramos a família perfeita, mas dentro de casa vivíamos o verdadeiro inferno. Depois que eu nasci, as coisas ficaram piores, minha família estava sempre trancada no banheiro onde passavam fome e frio. Eu fui a única que não sofria maus-tratos, meu pai tinha um amor incondicional por mim. Além das surras, ele era louco, ouvia vozes e via coisas que ninguém além dele podia.

Um dia, meu pai empurrou minha mãe contra escada após uma discussão, eu era um bebê e estava em seu colo. Machuquei a cabeça, minha mãe quebrou a bacia. Fomos levadas ao hospital, onde ela denunciou meu pai pelo crime de matar sua irmã a anos atrás. Meus avós maternos anularam o casamento, nós passamos a viver com eles e papai ficou sozinho.

Ele estava sendo procurado pela polícia, mas conseguia se esconder muito bem, por isso nunca foi capturado. Há quem diga que o homem chorava dias e noites pela perda de seus filhos e estava sofrendo muito por estar longe de sua família.

Certo dia, meu pai sequestrou meus irmãos ao sair da escola. Foi nessa noite que ele os matou. E para que eles nunca mais fossem tirados dele, os espancou até a morte e colocou seus corpos dentro de um baú velho no porão. No entanto, depois que meus irmãos faleceram, papai pensou que suas almas ficariam presas na casa, o que não aconteceu, causando sua ira.

Quando ele percebeu que seu plano havia falhado, ele se deu conta do mal que havia feito a seus filhos. Mamãe foi atrás dos meus irmãos e acabou consequentemente morta violentamente. Ela foi enterrada no jardim abaixo da grande árvore. Até que poucos dias depois, Tia Aiana que havia sobrevivido e sido resgatada por um senhor que a levou para longe, apareceu para se vingar de Damiano.

Aiana costurou os lábios do homem e o esfaqueou até a morte, em seguida tirou sua própria vida se enforcando no porão. Mas antes de morrer, lançou uma maldição sobre a alma de seu irmão. Ela não sabia que torná-lo um demônio teria graves consequências. Quando alguém morre com tanta raiva, seu ódio se torna real e se materializa como uma alma que faz de tudo para conseguir o que quer.

A casa da colina se tornou amaldiçoada, a maldição diz: “Não bata, não entre… ou sua alma passará a ser dele”. Quem entra na casa, nunca mais sai. Damiano espera pelos seus filhos e como um bom pai, quando seus filhos aparecem batendo a porta e pedindo perdão por tê-los deixado, Damiano os aceita de volta. Para torturar e maltratar, assim como minha família sofreu em suas mãos. Para eles pagarem pela dor que lhe causou. Quando ele sai para trabalhar, ele realmente vai, porque julga ser um bom pai. Ele jamais deixou faltar algo para minha família, para ele um bom pai trabalha para cuidar de seus filhos, talvez esse seja o único lado bom dele.”

— Crianças, eu sinto muito que isso esteja acontecendo, para mim a maldição era falsa, uma lenda urbana que alguém que ouviu a história, inventou. Eu nunca imaginei que isso fosse real, e que estivesse acontecendo. Que meu próprio pai ainda continua ativo, matando crianças inocentes. — Lágrimas escorreram pelos olhos de Clélia.

— É algo realmente difícil de acreditar, senhora. — Concordou Guilherme.

— Senhora, tem alguma forma de libertar essas pessoas? — Sérgio quis saber, sua voz era um fio trêmulo.

— A maldição conta a forma de quebrar isso? — Carlos perguntou.

— Talvez até mesmo exterminar Damiano, já que se apenas salvar nossos amigos, isso quer dizer que ele ainda poderá continuar sequestrando crianças. — Falou Pedro.

A mulher suspirou fundo e triste.

— Há uma parte da maldição que diz que o amor cura o ódio, a dor, e transforma a escuridão em luz. A quem diz que se Damiano tivesse pedido perdão, o bom coração de Aiana teria o perdoado. A explicação para vocês enxergarem Sebastian e Helena, é óbvia, só se vê com o coração. Se amas, então tu verás. É o que diz a maldição, se amas, então tu salvarás. Se amas, tu baterá, entrará e salvará.

— Isso quer dizer que apenas aqueles que os ama podem salvá-los? — Perguntou Nathan.

— Sim. Mas acho que isso quer mesmo dizer que somente eu posso salvar a alma perdida do meu pai. Somente eu posso concedê-lo perdão para que a maldição se quebre ao meio. — Contou a senhora, justo a única que sobreviveu na família Barros. — Papai espera que Sebastian e Helena morram assim como as outras vítimas, eles têm esperanças que suas almas se junte a eles para sempre, mas isso não vai acontecer. Sebastian e Helena vão morrer assim como os outros e suas almas inocentes irão para a luz. Papai ficará furioso e quando outra pessoa bater e entrar, então essa criança será capturada e o ciclo se repetirá.

— Mas como você disse, senhora, seu pai tinha um amor incondicional por ti. — Rafael analisou. — Ele jamais te machucou propositalmente, será que conseguiria pará-lo?

— Eu tenho certeza que ele jamais irá me machucar, pelo menos não propositalmente. — Analisou, visto que a única vez que foi ferida, foi quando ele empurrou sua mãe e infelizmente ela estava em seu colo, sofrendo a queda também.

— Ele não machuca a Helena… — Sebastian contou e Nathan passou a informação para a mulher, já que ela não podia ouvi-lo. — Ele apenas fere a mim.

— Hmm, ele acha que Helena sou eu? — Analisou a velha senhora.

— Talvez. — Disse Sebastian.

Houve silêncio mútuo.

De repente o barulho de uma porta bater soou alto.

— Ele está aqui! — O grito de Sebastian, foi a última coisa que ouviram antes do telefone ficar mudo.

Pedro pode ouvir os berros de Helena.

— O que aconteceu? — Carlos estava branco, pasmo de susto.

— S-senhora, você vai salvar nossos amigos? — Guilherme apertou os ombros da mulher. — Por favor, salve nossos amigos! Eu te imploro.

Lágrimas caíram dos olhos de Clélia. Ela estava com tanto medo que temia que seu velho coração parasse antes da hora. Mas ela não podia mais ficar parada diante da situação, precisava honrar a memória de sua família e salvar as pessoas inocentes. A mulher amedrontada respirou fundo.

— Eu não tenho escolha. Fugi do perdão por muito tempo e posso lhes garantir, uma vida de ódio é uma vida em vão. Esse homem me tirou tudo. Mas não posso assistir ele tirar a vida de outras pessoas. — Com isso, forçou sua bengala no chão e se pôs de pé. — Por favor, criança, pegue a adaga na terceira gaveta do criado mundo e me leve até a casa da colina.

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