Capítulo Sete

O passado e o futuro

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O sol queimava a face de Sebastian Lobo, a primeira coisa que sentiu foi um medo incomum, seguido da sensação que estava tudo errado. O planeta terra parecia estar sendo inclinado e o garoto estava caindo em direção ao espaço, o vazio em seu peito era tão assustador quanto o da casa que fora aprisionado.

Ao longe, ouviu sons de corvos sobrevoando na floresta não muito distante.

Com dificuldade, ele abriu os olhos lentamente e precisou erguer a mão para tapar a luz do sol no rosto que esteve apenas em repleta escuridão nas últimas semanas. Olhou tudo ao seu redor sem conseguir compreender bulhufas, estava deitado sobre um campo macio de grama alta, só havia capim.

Não era o pasto que apontava no mapa? No meio do bosque que cerca a casa da colina? Isso significa que ele estava livre e fora da casa?

Não, não podia ser.

Sua cabeça estava doendo tanto que não podia raciocinar, sentou-se e o ato foi dolorido.

— Arrrg! — Resmungou de dor, parecia ter sido triturado por um moedor de carne.

Sebastian segurou sua cabeça que pulsava dolorosamente. O que havia acontecido? Ele não conseguia se lembrar?

— Helena? — Resmungou e quando se deu conta que ela não estava a seu redor, se ergueu com dificuldade e sobressaltado. — Helena? Helena?

Seu grito ecoou pelo vasto campo, apesar do sol estar se pondo, ainda era dolorosamente quente. Helena estava sozinha naquela casa? Sebastian não pensou duas vezes quando desatou a correr na direção que julgava ter vindo.

— HELENA! — Gritou por todo caminho.

E enquanto corria, se lembrava de ter percorrido o mesmo trajeto horas atrás por essa mesma floresta, só que em sentido contrário. De repente parou, completamente sem forças. Havia um homem a sua frente apontando-lhe uma espingarda, aparentemente um caçador.

— Quem é você?

— Senhor, por favor, sou apenas um sobrevivente da casa da colina… — Sebastian respirou ofegante, estava prestes a desmaiar, sua cabeça doía muito.

— Do que está falando menino? — O homem não pode compreender.

— Me leve a casa da colina, por favor, a garota… — Sebastian caiu de joelhos. — A garota, ela… está presa lá. Helena Cabral, minha garota…

— Você é o garoto desaparecido… — Disse o homem baixando a arma e indo na direção de Sebastian para socorrê-lo.

No entanto, tudo ficou preto e o garoto foi ao encontro do chão, inconsciente.

Sebastian Lobo não havia se dado conta que finalmente estava sendo visto, ele voltou a ser visível e isso só pode significar uma única coisa…


Nem tudo é o que parece ser, nem tudo é o que está escrito. O destino é algo cruel, ele jamais escreveria algo em vão, sem sentido ou significado. Sem propósito ou cura.

Helena abriu os olhos para a escuridão do porão, lembrava-se de ter sido puxada escada abaixo até bater a cabeça em um degrau com força o suficiente para fazê-la perder a consciência. Não conseguia enxergar nada à sua frente, só restava abaixar-se e apertar seus joelhos contra seus seios, até que alguém a encontrasse ali.

Chorou baixinho e só parou ao ouvir uma respiração se aproximar.

— Quem está aí? — Sussurrou amedrontada.

No momento seguinte, uma luz se acendeu e uma mulher de lábios repletos de cicatrizes se aproximou dela. Ela usava um belo vestido branco e era tão parecida com Helena que era assustador. A diferença era o tamanho de seus cabelos, os de Helena são médios na altura dos ombros e o da mulher é longo caindo sobre as costas em um liso perfeito. Sua pele é mais clara, mas ainda assim, sentia-se como se a conhecesse.

A mulher se aproximou sorrindo bonito e estendeu a mão para a garota.

Helena encarou a mão à sua frente, a mulher tinha a mesma pinta no polegar que a garota tinha. O mais incrível foi que se sentiu segura, como se pudesse confiar na moça a sua frente.

— Você deve estar se perguntando quem eu sou. — A moça a puxou quando ela entrelaçou a mão na sua. Helena se colocou de pé, frente a frente com a mulher. — Eu sou você, Helena.

A garota piscou atordoada.

— O que…

— Você e eu… — Apontou para o peito da mesma. — Partilhamos a mesma alma, só que em vidas diferentes. Eu sei, é louco demais.

— Quem é você? — A voz de Helena era tão baixa que mal dava para ouvir.

— Aiana Barros. — A mulher apertou sua mão, era tão confortante. — Permita-me te mostrar…

— Sim, por favor.

A mulher tocou o meio da testa da menina com o dedo indicador e Helena viu coisas que jamais acreditou.


— DAMIANO! — Aiana gritou quando encontrou o irmão desacordado no banheiro, não pensou duas vezes antes de o salvar.

{…}

— Damiano, por favor, não faça isso…  — A garota chorou alto, enquanto o irmão imobilizava seus braços e pernas. A garota não podia se mexer e por mais que gritasse, ninguém podia a ouvir.

O irmão impiedoso pegou a agulha e linha e costurou seus lábios inferiores aos superiores, sem dó nem piedade, enquanto a garota chorava e engolia o próprio sangue. Ninguém, nem mesmo os céus podiam ajudá-la naquele momento.

{…}

— Garota, você está viva? — Um homem velho a socorreu na floresta. — Meu nome é Lúcio, e vou salvar sua vida.

O homem possuía os mesmos olhos que Sebastian Lobo.

{…}

— Querido irmão, não é uma ocasião feliz reencontrá-lo novamente? — Aiana sorriu para o monstro, a sua frente, o monstro que ela chamava de irmão. — Pensou que eu estivesse morta? Pensou que nunca me vingaria?

{…}

— Eu quero que sua alma sofra para sempre e a eternidade recheada de dor é pouco para um monstro como você! — A mulher gritou enquanto sentia o sangue do irmão quente em suas mãos.

***

— Helena, venho lhe dizer, a vingança nunca foi a melhor escolha e você está aqui agora, você pode consertar o nosso erro. Acabe com isso logo, e salve nosso Sebastian. — Aiana abraçou a menina. — Esse mundo nunca nos pertenceu, nós merecemos mais do que isso. Sinto muito, Helena Cabral, por estragar a sua vida, e manchando o seu destino. Talvez agora nós possamos traçar outro caminho para nossa alma.

A mulher puxou a menina escadaria acima e pararam no último degrau de frente a porta do porão.

— Eu vou distraí-lo. — Olhou bem nos olhos da garota. — Sebastian está no quarto da morte, ele ainda está vivo, faça ele escapar, Helena Cabral. Salve nosso Lúcio.

— Mas… Aiana, eu…

— Shh! — A mulher sibilou. — Apenas faça o que eu te disse e tudo vai ficar bem.

Helena assentiu, não havia escolha senão concordar e acreditar em Aiana. Seu coração parecia conhecer o dela tão bem. Quiçá… fosse verdade. Talvez ela fosse mesmo sua própria alma.

A mulher vestida de branco abriu com facilidade a porta do porão, o monstro – que estava parado no último degrau da escada para o segundo andar –, sorriu sarcástico ao ver a porta se abrir. A mulher foi com tudo para cima dele e enquanto os dois lutavam, Helena correu para o segundo andar. Não demorou muito para ouvir os gritos de Aiana, a garota abriu a porta do ‘quarto da morte’ e a trancou assim que estava dentro.

Sebastian estava desacordado, deitado sobre a cama ao lado do cadáver do garoto desaparecido a mais de 50 anos, ratos passeavam aos pés do menino. Mais do que depressa, Helena se direcionou até ele.

Helena Cabral

— Sebastian! — Sacudi seus ombros com todas as minhas forças.

Eu me lembro agora, com muita clareza, minha alma se lembra do que me foi predestinado. Não uma vida onde eu me torno uma jornalista formada pela UFOP, ou a garota que se tornaria a mãe dos filhos de Sebastian. Não, meu destino nunca foi esse. O que seria de minha mãe quando sua filha mais nova deixasse de existir? Meu pai choraria para sempre… o meu irmão… todos vão morrer junto comigo.

— Sebastian! — Continuei sacudindo-o enquanto chorava descontroladamente, não podia evitar as lágrimas naquele momento.

Não era familiar a sensação de estar tentando salvar Sebastian? É como se estivéssemos trocando os papéis, como se ele estivesse naquela campina onde Aiana estava quase morta. Mas agora, não seria salva novamente, eu o salvaria dessa vez. O garoto por quem me apaixonei, o garoto que salvou a minha vida milhões de vezes.

O ciclo estava se fechando agora.

Para sempre.

A coisa batia com força na porta e logo estaria do lado de dentro. E nós estaríamos mortos. Corri até a escrivaninha e a empurrei contra a entrada, assim dando-nos mais tempo.

— Helena? — Sebastian murmurou, ao recobrar a consciência.

— Sebastian! — O puxei pelas mãos, para que ele ficasse de pé, segurei seu rosto e olhei em seus olhos. — Você tem que sair daqui, por favor, precisa ir.

— Helena do que está falando? — Ele me olhou assustado.

Eu não tinha tempo o suficiente para explicá-lo. Ergui-me nas pontas dos pés e beijei seus lábios, meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que ele podia ouvi-lo nitidamente. Mesmo machucado, mesmo dolorosamente ferido, ele passou suas mãos por minha cintura, me puxou para perto e aprofundou o beijo. Mesmo quando a criatura esmurrava a porta, Sebastian estava me beijando como se esse fosse nosso primeiro e último beijo.

E bom, o último de fato era.

— Eu te amo, Sebastian, eu te amo muito. — Estalei selares por todo seu rosto. Despedidas sempre doem, talvez pelo simples motivo de que sempre que alguém vai embora, leva um pedaço de você consigo.

— Helena… — Lágrimas apareceram em seus olhos e isso era como uma facada em meu coração.

— Você precisa ir. — Ressaltei, não tínhamos muito tempo.

— Eu não vou deixá-la sozinha. — Sebastian me apertou em seus braços. — Vamos morrer juntos.

— Não! — Chorei alto. — Sebastian, confia em mim!

Ele encarou meus olhos sem compreender e acariciou meu rosto com suas mãos longas. Seu polegar paralisou pequenas lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

Eu não tinha um destino escrito, mas Sebastian tinha um…

E eu não tinha o direito de tirar isso dele.

— E por que eu faria isso? — Ele questionou. — Por que a deixaria Helena?

— Porque eu te amo e estou te pedindo. Você precisa confiar em mim. — O puxei até a janela. — É você quem vai procurar ajuda dessa vez. E eu vou manter a criatura ocupada, você sabe que ele não vai me machucar. Quando você voltar, Clélia vai ter chegado e tudo vai ficar bem.

— Mas…

Um buraco apareceu na porta, a criatura estava destruindo a madeira.

— Corra, por favor, corra! — Gritei.

Sebastian estava tão confuso e entorpecido de dor que apenas o fez, me abraçou pela última vez e passou para o outro lado da janela.

— Eu vou voltar. Vou conseguir ajuda e vou te salvar, Helena. Apenas, mantenha-se viva. — Ele apertou minha mão, parecia uma promessa e seria se eu não soubesse qual era o meu destino. — Você me deve um encontro. Não se esqueça que eu te amo.

— Eu te amo… — Sorri, mesmo quando diante do caos parecia impossível sorrir.

E Sebastian se foi… e assim que fez menção de pular do telhado, sussurrei:

— Nós vamos nos encontrar em seus sonhos mais belos, serei para sempre o seu primeiro amor.


A criatura avançou com fúria, agarrou Helena pelo pescoço e a ergueu do chão.

“Porque fizestes isso, minha menina, por quê?”, sussurrava na mente da garota.

— Você… não é… meu pai! — Helena murmurou entredentes.

A criatura gritou tão enfurecida que seus lábios romperam, as linhas apenas puxaram a carne até se soltar, Helena ficou encharcada do sangue negro que esguichou e atingiu seu corpo. E um grunhido horrível escapou por sua boca, o monstro ficou tão surpreso de ouvir seu próprio grito que quase vacilou.

— Você… é um assassino! — Helena murmurou, chorando. — Eu odeio você!

“Você tem que morrer!”, o homem gritou em sua mente enfurecido, no mesmo instante que enfiou um objeto pontiagudo na barriga de Helena. “Só assim me obedecerá e permanecerá comigo para sempre…”.

A garota perdeu completamente suas forças e antes de remover o objeto, o monstro a forçou para baixo, fazendo um corte grande jorrar tanto sangue que sentiu sua mente fraquejar.

Quando a criatura viu os olhos da menina falharem, se deu conta do que havia feito. Novamente havia matado sua filha. Mais uma vez havia cometido o mesmo erro. Pegou Helena em seus braços e chorou, enquanto a garota agonizava.

— Me perdoe, filha, me perdoe! — Finalmente ele tinha voz e era nítida carregada de um arrependimento que ecoou pela casa.

Helena entendeu o que estava acontecendo… mesmo quando a dor fazia ver tudo branco.

“Isso quer dizer, que somente eu, posso salvar a alma perdida de meu pai. Somente eu posso concedê-lo perdão para que a maldição se quebre ao meio.”

Se Damiano considerava Helena sua filha, talvez ela pudesse conceder o perdão.

— Eu… perdoo… você… — A garota concedeu e a criatura chorou alto, como um lobo uivando para a lua cheia no alto do céu noturno.

A criatura sentiu seu corpo fraco, o perdão… ah, o perdão pode transformar as trevas em luz.

O monstro largou o corpo da garota, enquanto chorava cada vez mais descontroladamente.

— PAI! — Uma mulher gritou com a voz fraca. — Pai, por que fez isso? — A velha senhora se aproximou. — Papai, sou eu, Clélia. Sua pequena flor de cerejeira.

O monstro parou de chorar para encarar a velha senhora à sua frente. Clélia se aproximou cautelosamente.

— Damiano, isso precisa acabar. — Abaixou-se de frente ao monstro. — Você me fez muito mal, pai, você me machucou muito.

A criatura caiu nos braços da mulher.

— Por favor, pare com isso! Eu te perdoo. Te perdoo… — Clélia concedeu.

A mulher, em um ato de bravura, enfiou a adaga de uma vez no coração de Damiano. A criatura gritou doloroso.

— Amo você, pai. — A mulher dizia enquanto a criatura gritava. — Eu te perdoo, sim, eu te perdoo…

Aiana/Helena havia perdoado assim como Clélia havia o absolvido em nome de toda a sua família. O perdão estava concretizado de ambas as partes.

A criatura lentamente se desfez em uma neblina escura e a nuvem negra preencheu a casa, todos ouviram quando um grito horripilante estourou todos os vidros e porcelanas do lugar. E a poeira sombria se dissipou pelas janelas, desaparecendo para sempre.

Como em um passe de mágica, a casa da colina tomou forma de paz. A escuridão já não era mais tão amedrontadora e o silêncio tão pouco era aterrorizante. O medo fugira, como a presa foge do caçador.

A maldição havia chegado ao fim.

Pedro entrou no quarto correndo, enquanto Helena ainda gritava de dor e arfava para sobreviver.

— Helena! — Pedro pegou a garota em seus braços, mal podia ver seu rosto pálido porque as lágrimas em seus olhos eram descontroláveis. — Helena, não morra…

— Pedro… — A garota tentou falar.

— Estou aqui.

— Diga ao Sebastian… — A menina interrompeu sua própria fala para cuspir sangue. — Que não se culpe. — Foi o que disse, antes de fechar os olhos.

Pedro chorou segurando o corpo da garota.

Rafael, Guilherme, Sérgio, Nathan, Carlos e Clélia viram quando a vida abandonou o corpo da pobre menina desaparecida de Perolino. A polícia chegou logo em seguida, os pais de Sebastian, os pais de Helena…

Lágrimas, desespero, dor…

A maldição estava quebrada, mas a tristeza parecia não ser reversível.


Sebastian se lembra de tudo agora, em seus pesadelos os gritos de Helena trazem a verdade.

Abriu os olhos no instante que as lágrimas rolaram para fora de seus olhos, sentiu uma mão macia acariciar seu rosto. Estava em um quarto tão branco que seus olhos doíam. Era um hospital, o bip irritante ao seu lado só confirmava isso.

— Está tudo bem agora, meu filho. Estou aqui, o pesadelo acabou. — Era a voz de sua mãe. — Você foi resgatado e não está mais naquela casa. Está seguro.

— Mãe? — Sebastian chorou baixinho, estava tão aliviado por ouvir a voz de sua amada mãe.

— Estou aqui, querido, eu te amo e agora estou contigo. — Garantiu a mulher.

— Mamãe, onde está a Helena? — Era a única coisa que assombrava sua mente. — Vocês a encontraram na casa? Eu disse para aquele senhor… E-eu a deixei para pedir ajuda. Vocês a encontraram?

Sua mãe desatou a chorar descontroladamente, com sons horríveis enquanto se curvava sobre a barriga do filho e o apertava, tentando consolá-lo. Havia dor, desespero e lástima.

O choro de sua mãe bastava, foi a resposta à pergunta do jovem.

Sebastian havia perdido Helena, ele quebrou a promessa de que sairiam vivos dali, quebrou a promessa que voltaria para salvá-la.

A garota que amava estava morta, para que ele estivesse vivo.

Era óbvio que isso iria acontecer a partir do momento que ambos se encontraram presos ali, alguém tinha que morrer. Como em todos os filmes de terror onde uma maldição é contada, alguém tem que se sacrificar… quando há uma maldição envolvida e você quer quebrá-la, precisa encarar o fato que é a morte é apenas uma consequência.

Um ato de livramento.

A morte de Helena Cabral nunca será em vão, e Sebastian está vivo para honrar a memória da garota e viver, livre da maldição pelo qual sofreu por tanto tempo.


Sebastian caminhou pelo cemitério carregando rosas-vermelhas, tinha certeza que a garota que amava iria amar as flores que comprou especialmente para ela.

Parado diante do túmulo de Helena, ele deixou as flores para a amada, sentiu dor pela perda e, ao mesmo tempo, gratidão, não poderia ser em vão o sacrifício que ela havia feito e ele sabia que um dia conseguiria entender.

“Nós vamos nos encontrar em seus sonhos mais belos, serei para sempre o seu primeiro amor”, a doce voz de Helena sussurrava em sua mente. Lágrimas de saudade queriam rolar dos olhos de Sebastian, mas ele as manteve ali.

Não foi sua culpa, ele precisou de dias para entender isso. E graças ao amor de seus amigos e familiares, Sebastian podia seguir em frente, mais do que isso, ele sabia que Helena iria querer que ele prosseguisse. “Não se culpe…”, foi o que Pedro disse serem as últimas palavras de Helena.

— Nunca vou me esquecer, Helena, nunca.

“Chore por pouco tempo, e em troca se lembre por muito tempo!”, era o que Helena dizia em seus sonhos mais tranquilos.

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