Epílogo
Destino
40 anos depois
— Papai? Está me ouvindo? — Amanda apertou a mão de seu pai.
O velho homem abriu os olhos e sorriu para sua bela filha.
— Minha menina, por que me acorda tão cedo? — Resmungou o velho homem, por mais que dormisse o suficiente ainda se sentia cansado.
Sua bela filha sorriu bonito para ele e tocou a cicatriz em seu rosto, quase não podia vê-la mais, com o tempo ela se tornou cada vez mais invisível. Amanda amava as cicatrizes de seu pai, por mais que carregassem dor e sofrimento, demonstrava positivamente que ele era um homem forte.
“Devemos encarar cicatrizes como algo belo, cicatrizes significa que você sobreviveu!”, é o que seu pai sempre dizia.
Amanda acariciou sua grande barriga, estava prestes a ter seu terceiro filho, pediu espaço para seu pai e ele arredou-se na cama de casal para que ela deitasse com ele. Amanda amava estar abraçada ao seu pai como se fosse uma garotinha assustada, se pudesse jamais teria crescido. Era o desejo do seu velho, que ela ficasse menininha para sempre, mas o tempo passa, querendo ou não, e agora seu pai está velho e cansado.
— Papai, eu tive um daqueles sonhos de novo… — Contou a garota. — Onde sua amiga, Helena, queria te dizer algo.
Sebastian arregalou os olhos e se sentou na cama para ver melhor o rosto de sua filha.
— Conte-me.
— Ela estava em um belo pasto de capim, bem extenso e iluminado pelo pôr-do-sol cor alaranjado. Estava usando um vestido branco e segurando uma bela rosa-vermelha. Ela é tão bonita, tão… não sei, é tão pacífico. Ela disse: “Estava tudo escrito…”, não entendi muito bem, assim que acordei, escrevi para você. — Contou a garota, entregando o papel dobrado ao pai. — Bom, eu vou deixá-lo ler isso, sozinho.
— Querida, vamos, já tirei o carro da garagem! — O marido de Amanda gritou do andar de baixo.
— Obrigada, filha. — Sebastian sorriu agradecido. — Boa sorte com a consulta médica.
— Eu volto logo. — Disse a mulher, deixando o quarto.
Uma vez que se viu sozinho, Sebastian sorriu para o papel dobrado em suas mãos. Helena mantinha sua promessa de se verem em sonhos, ele só não imaginou que seriam nos sonhos das pessoas que ele tanto amava. Abriu o papel e leu tudo rapidamente:
“Pude te reconhecer assim que te vi, agora eu me lembro, agora eu sei.
Quando éramos crianças, você era o único garoto que me ajudava a subir na casa da árvore. Pedro não quebrou o meu coração em vão, se ele não tivesse me tirado de você, se minhas notas não tivessem caído, se não tivéssemos que fazer o trabalho juntos, eu jamais chegaria à casa da colina.
Foi como se estivéssemos chamando um ao outro, uma providência do universo, a evidência que o destino me deu. Tudo isso não foi uma coincidência. Era o meu destino, o nosso destino, com caminhos diferentes, mas era nosso.
E eu precisava chegar até Damiano, por mim, a minha alma, por Aiana e toda a família Barros. E principalmente por todas as crianças que foram vítimas de Damiano. Era algo que precisava ser quebrado. Se nós não tivéssemos chegado lá… se não tivéssemos sofrido tanto e sacrificado muito, outras pessoas estariam sofrendo depois de nós. Se eu não tivesse me sacrificado pela sua vida, outras crianças continuariam sendo assassinadas.
Não se culpe, não se arrependa, Sebastian Lobo, não se preocupe, porque isso não é uma coincidência. Não olhe para trás. Nós tomamos caminhos completamente diferentes. Porque encontramos nosso destino. Não se arrependa disso, estamos juntos para sempre, nos nossos sonhos.
Amo você, Helena Cabral.”
E Sebastian deitou-se na sua cama novamente, abraçando a carta.
— Eu aceito o nosso destino, Helena Cabral, só me resta, aceitar.
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