Capítulo Treze

desastres, brincando na neve, mistletoe e presentinhos

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Desastres na véspera de Natal acontecem, não é mesmo? E graças a Deus não estou falando de acidentes em estradas devido à neve. Infelizmente, foi só o Eugene que caiu na entrada do prédio após escorregar no gelo e derrubou toda a farofa que ele estava trazendo.

— Não ficou ruim não, Gene. Pode ficar tranquilo. — Amin tranquiliza meu sócio e melhor amigo que está usando uma calça de pijama do dele, estampado com coelhinhos enquanto suas roupas estão secando na minha secadora.

Eugene é um cara grande, não é gordo, mas sua estrutura óssea é mais larga que a minha, portanto minhas roupas não entram nele nem com reza.

— Desculpa mesmo, Amin. Sei que combinamos de cada um trazer uma coisa. — Eugene lamenta, ele sempre fica triste quando acaba quebrando algo o que acredite em mim, acontece com muita frequência. Até apelidamos ele de rei da destruição. Embora cair pelo gelo é falta de sorte mesmo.

— Parou aí, em! Não tem problema algum, Gene. Pode ficar tranquilo, viu? E aproveite nosso jantar. — Amin diz todo acolhedor como ele é. — Essas coisas acontecem, eu mesmo já escorreguei devido ao gelo três vezes só esse ano.

É verdade e uma dessas vezes fui eu quem o segurou para não cair, também escorreguei lá em Toronto, pagando mico em público e quase levei o Ami junto comigo, tadinho. O que foi? Não vai achar ruim por que não contei antes, já não basta pagar mico em público tem que escrever o mico no meu livro também?

— Ainda bem que estamos entre amigos. — Eugene diz, encarando seu reflexo no espelho e rindo sem graça.

Estou tapando a boca para não cair na gargalhada, pois imagina um cara de quase dois metros de altura enfiados nas calças de Amin? A barra está batendo na canela dele, não serve de jeito nenhum. Quando meu vizinho percebe me lança um olhar tipo: Jonah, para! Mas não consigo. É a melhor piada do nosso Natal. Estou aliviado por Eugene não quebrar o cóccix na queda.

Assim caminhamos pelo pequeno corredor de quartos de volta para a sala e esbarramos com Yohan no caminho que seguia para o banheiro, ele dá risada sem dó.

— Esses aí economizaram no pano, hein!? Gostei do estilo, garotão! — Yohan tirar sarro dando tapinhas nas costas do nosso amigo e enquanto caminhamos de volta para minha sala e nossos convidados.

Jessie está maluca com os gatos fazendo Odin – o amigo de Amin que veio de Toronto – tirar um montão de fotos dela segurando os bichanos gorduchos e exibindo sua barriguinha charmosa de grávida nas fotos. E ele é salvo por mim, já que Jessie corre na minha direção assim que me vê.

— Eu amei muito os presentes, Jonah. Você é um ótimo padrinho. — Agradeceu toda empolgada. — Imagina só meu menininho usando o conjuntinho de ursinho, não vejo a hora de o segurar em meus braços.

Ah, eu sou? Que bom né, fico mesmo aliviado. Não quero que meu afilhado cresça sem um bom padrinho. Mas os presentes foram Amin quem escolheu e ele piscou para mim, mantendo nosso segredo e exibindo uma carinha de: te falei que sei escolher presentes.

— Que bom que gostou, Jessie, escolhi com muito carinho. Também não vejo a hora de ter ele conosco. — Imagina que fofura um filho desses dois, ah não aguento tanto amor.

Falando nisso, já sabem o sexo do bebê. É um menino.

— E quando é que nosso pequeno Chad está para chegar? — Pergunta Amin acariciando a barriga volumosa e surpreendendo-se quando o pirralhinho corresponde com um chute que de longe consigo perceber.

— Em abril, provavelmente na terceira semana. — Minha amiga respondeu toda animada e deixo os dois engatados em uma conversa sobre maternidade, gestação e tudo mais.

Vou até à cozinha e pego uma bandeja com as porções de Tourtière[1] – que Jessie e Yoo trouxeram –, peru, purê de batata, molho de cranberries e torta de abóbora. Servi tudo separado em porções para que cada um escolhesse o que deseja. Todo o jantar foi Amin, Odin e eu que fizemos para servir nossos amigos (mesmo que cozinhar na frente deles seja vergonhoso para mim).

Vou distribuindo para todo mundo. Eugene e Yohan que batem papo sobre tecnologia e estão super envolvidos no assunto. Aproveito e converso um pouco com eles, mas logo chego até Odin que claramente está flertando com o neto da Sra. Sams, vulgo Theo Keyes.

Pois bem, acabamos de nos conhecer e o estudante de teatro já se deu bem com todo mundo. Inclusive minha casa está uma bagunça de bicho correndo para lá e para cá já que ele trouxe Shiro e Bear, os gatinhos estão apavorados, tadinhos. Mas foi o próprio Amin que sugeriu, pensando que os animais ficariam muito solitários abandonados no apartamento vazio.

E sinceramente quando vi que ele trouxe Eggnog[2] com conhaque, senti que meu coração foi conquistado imediatamente. Não só eu, mas todo mundo o adorou com seu jeitinho engraçado. Consequentemente foi impossível ver alguém de mãos vazias, já que nós somos fãs da bebida.

Ah, tive que voltar aqui, pois quando Jessie leu o livro reclamou que não narrei sobre a aparência deles, me perdoem pelo vacilo. Puta escritor que eu sou, em? Então, vocês não se importam que eu fale agora, não é? Assim do nada mesmo.

Resumidamente…

O Gene é um homão bonito da porra, dois metros de altura – que já comentei aqui – pele negra, lábios grossos, cabelo preto e olhos brilhantes. Usa óculos e possui uma barba charmosa no rosto. Pensa num homem grande e malhado, porém mega inteligente, atrapalhado e super fofo. Esse é o Gene. O maior solteirão do rolê, ele prefere jogar videogame do que arrumar uma namorada ou namorado. Meio que não sabemos nada da vida romântica dele e talvez nem ele saiba a sua sexualidade, mas está tudo bem.

Ok, isso não é uma característica física, mas está valendo?

Yohan é magrelo e tão branquelo que dá dó e o mais baixinho da trupe – só não mais baixinho que o Ami. Os olhos dele são extremamente puxados, pois, sua mãe é japonesa e ele tem um monte de sardas gracinhas no nariz e abaixo dos olhos. Seu cabelo é bem preto, mas na adolescência cada dia ele pintava de uma cor.

A Jessie tem um cabelão bem cheio no estilo afro de cor achocolatada e as pontas pintadas de loiro, sua pele é morena e ela é poucos centímetros mais alta que o Yohan, o que significa que ficam engraçadinhos juntos.

A Sra. Sams, bem, ela é uma velha senhora baixinha de olhos esverdeados, não tem muito o que dizer. Ela conta que na época dela era uma baita loirinha que fazia os homens caírem aos seus pés.

O Theo é bem bonitão que nem galã de novela, loiro de olhos claros e alto. Ele é bem engraçado e encantador, a gente o ama.

O Odin é todo tímido, alto, sua pele é levemente bronzeada e seu cabelo é naturalmente ruivo. Ele é um homem nitidamente bem simples, mas tem uma tatuagem maneira na perna, diz que ele costumava surfar, achei o máximo.

Voltando…

— Jonah, fico muito feliz que o Amin tenha encontrado alguém como você. — Odin diz quando estou prestes a me afastar. — Por muito tempo ele pareceu tão sem esperança e agora venho até aqui e encontro ele vivendo uma vida tão gostosa, namorando um homem tão bom. Fico muito feliz, muito obrigado.

Odin até se curva. Nossa… Não sei o que dizer, mas bem, ele é amigo do Amin e entendo que o queira ver bem.

— Acredite, Odin, não é por minha causa que ele vive uma vida tão incrível. Na verdade, só cheguei para completar, mas o esforço de superar toda aquela merda, foi dele e sozinho. Agora que estou com ele, tento ajudar da maneira que posso, mas não podemos esquecer que o mérito de se erguer foi totalmente dele. — Sou sincero, pois essa é a verdade.

Eu não salvei Amin Song.

Na verdade, ninguém pode salvar ninguém. Escolher viver é exclusivamente uma vontade que tem que vir de você. E se você não quer viver, então todos os que tentarem lutar por ti, será em vão. Essas pessoas vão se machucar e morrer cada dia mais contigo.

Não coloque jamais esse tipo de cargo em cima de uma pessoa, pois ninguém pode definir se você vive ou morre. Se você será feliz ou não. Não espere de ninguém, seja sua própria salvação. Sua cura e felicidade dependem exclusivamente de você próprio. O resto só está aí para te ajudar, bem, só aqueles que são verdadeiros contigo.

Estamos aqui para ajudar um ao outro a se erguer e buscar incansavelmente pela felicidade, não importa o que aconteça. Não precisa ser amigo e nem par romântico, qualquer um pode ajudar alguém que queira ajuda. E quando essa pessoa quer mesmo melhorar, quer mesmo viver, quer superar… É tudo mais fácil. Ninguém se machuca ao estar ao seu lado, do contrário. Ninguém ficará exausto, esgotado e tão pouco desistirá de você.

Meus olhos capturam os de Amin que me observam do outro lado da sala, ele abre um sorriso assim que tem a minha atenção. “Eu adoro você”, ele diz mexendo só os lábios e os leio. Ruborizado, não tenho tempo de responder, pois é bem quando Odin volta a falar:

— Fico ainda mais feliz sabendo disso, Jonah. — Ele diz, abrindo um sorriso e eu também sorrio. Depois se aproxima sorrateiramente. — Se machucar o Amin, corto suas bolas.

E sai, voltando para conversar com seu paquera, vulgo Theo.

Poxa vida já é a segunda vez que ameaçam minhas bolinhas. Qual é o problema?

Primeiro a Sra. Sams e agora o melhor amigo do Ami. Não mereço isso, viu? Sou um cara tão bonzinho, estou todo apaixonado pelo meu vizinho. Minhas pitchucas estão aqui guardadinhas e sem incomodar ninguém…

Enquanto me recupero, sinto as mãozinhas de Amin circularem meu corpo por trás.

— Benzinho, vamos cortar o Bolo de Natal[3]? Jessie e eu queremos um docinho. — E o que eu não faço por esse homem e a mulher que carrega meu afilhado?

Vou que nem um cachorrinho na mesma hora. Todo Bolo de Natal para os amores da minha vida. E olha que não sou fã de doce, mas os que Amin faz me deixa salivando. Ele fez tudo tão bonitinho, uma decoração fofa de boneco de neve no topo do bolo, tudo com pasta americana. Ele me deixou escolher o sabor baunilha para a massa do bolo e então combinou o recheio com nozes e chocolate meio amargo.

Quando corto a primeira fatia, todo mundo vem ver e soltam suspiros cheios de vontade para provar. Após distribuir bolo para todo mundo e quase desmaiar de tão gostoso que estava… Volto a caminhar por entre os convidados vendo se todos estavam à vontade.

Após conversar mais um pouco com meus melhores amigos, Yohan insiste em abrir um vinho e Amin faz a festa com ele. Então Eugene – meu sócio – conta que o pessoal do asilo quer que Amin e eu cantemos para eles qualquer dia desses. E sem chance de negar isso, são só alguns velhinhos precisando de distração. E eu adoro bater papo com eles.

— Não dou um ano para esses dois estarem casados. — Yohan faz a sua aposta de fim de ano em mim e Amin.

— Um ano é muito rápido, amor. Eles acabaram de se conhecer. — Jessica diz.

Amin e eu nos entreolhamos, bem… Não tem um mês que estamos juntos e parece que namoramos há uns cinco anos.

— Se Jonah Ambrose me pede em casamento agora, me caso com ele. — Amin anuncia claramente brincando e todo mundo faz barulho comemorando, Yohan dá um empurrão na minha cabeça que quase me faz levantar e meter o soco nele, é tudo brincadeira boba que fazemos um com o outro. — Mas ainda é muito cedo para isso. — Diz ele olhando para mim, ufa. Já estava pensando que era para me ajoelhar aqui e agora, fazendo o pedido. — Não quero fazer nada precipitado. Portanto, vamos ver no que isso vai dar.

— É isso aí! — Odin apoia o amigo. — Apressado come cru.

E nós rimos.

— Você quis dizer come o cú? — Theo rebate só para fazer Odin corar. Em troca recebe um tapinha no braço.

— E esses dois aí, a gente percebeu que está rolando um climinha. — Jessie comenta fazendo todos soltarem um coro de ‘uuuh’.

— Theo, convide Odin para ir ao Vancouver Aquarium[4]. Ele vai adorar. — Amin sugeriu.

— Parem com isso! — Odin rebate, ele já está de cor de um tomate.

— É mesmo, Odinie, você gosta de aquários? — O neto da Sra. Sams pergunta todo tímido. As bochechas vermelhas entregando toda a vergonha que ele sentia naquele momento.

— Sim, g-gosto.

— Quer ir comigo?

Odin fica em silêncio um tempo, bastante envergonhado. E finalmente diz:

— Sim, quero ir contigo, Theo.

E meus convidados explodem em comemoração. E assim nasceu mais um casal, rolou um pouquinho de pressão externa, sim. Mas o que importa mesmo é que eles vão a um date.

— Valeu pela mãozinha, pessoal. — Theo agradece todo brincalhão, como ele é, fazendo todos rirem.

— Não dou um ano do Chad e a Jessie vai engravidar do segundo. — É Eugene quem diz e todo mundo fica chocado. — Gente é sério, eles transavam o tempo todo lá no café.

— Para de expor minha vida sexual, Gene Foster! — Jessie ralha, mas brincando. Não é novidade para ninguém mesmo, sério. Eles sempre fazem sexo aonde quer que estejam. É uma loucura. Não sei como ela não ficou grávida de trigêmeos.

— Estou mentindo, Jonah? É verdade pessoal. Uma vez foi antes do café abrir, cheguei e encontrei a Jessie em cima da mesa com o Yoo… Ah, vocês sabem! — Era normal fazer essas brincadeiras entre amigos, zero privacidade para eles. Os podres são lançados como tomates estragados um no outro.

— Nós estávamos tentando conceber uma vida, ok? — Yohan levanta as mãos em defesa.

— Que bom que conseguiram, né! Só vem, Chad! — Eugene faz todo mundo gargalhar.

— Ei, ei, isso aqui está muito injusto, não podemos esquecer que temos um novo casal bem fogoso no grupo. E aquele dia da cantoria, esses dois desapareceram feito poeira. Depois vi eles saindo do banheiro do café, suados e ofegantes. — Yohan nos entrega.

Estava calado para não sobrar para mim, no entanto, um dos meus melhores amigos tinha que abrir a boca, não é?

— Não acredito! Seus safados! — Jessie cai na gargalhada. — Mas está na cara também, já viram como eles se olham o tempo todo? Parece que estão contando os segundos para ficar sozinhos.

E estava mesmo, mas a culpa é do Amin – em minha defesa, ok? O safado veio sussurrar no meu ouvido – antes do pessoal chegar – que tinha uma surpresa para mim com a clara conotação sexual.

— Vocês dois são terríveis. — Theo comenta. — Vamos ser terríveis assim, Odin?

Meu deus, ele é tão direto que Odin quase engasga.

E a festa continua entre risadas e contos safados das aventuras sexuais do nosso grupo de amigos. Eugene tadinho, até ficou calado, mas não deixamos por muito tempo, já que ele é o punheteiro do grupo – em outras palavras, o solteiro. Graças a deus perdi esse posto.

Depois nós inventamos de jogar bingo e foi uma gritaria que só, bebemos a cerveja artesanal que trouxe de Toronto, abrimos alguns presentes… Resumidamente a nossa reunião de Natal foi realmente agradável e quando todos começaram a ir embora, Amin e eu ficamos sentidos. Odin que ia dormir aqui, acaba decidindo sair com Theo, de repente as coisas estão se encaminhando muito bem entre eles.

Só me perguntei para onde eles vão às duas da manhã?

Amin está apostando que eles vão transar já no primeiro dia após se conhecerem, os jovens estão rápidos demais, é o que dizem por aí.

Feliz Natal para lá e para cá, Amin e eu ficamos sozinhos de novo.

— Gosto tanto dos seus amigos, meu bem. Eles são tão legais. — Ele diz enquanto exercemos juntos a tarefa de lavar toda a louça suja.

E para mim além de ter meus amigos aqui, foi realmente feliz ver Amin e o amigo se reencontrando depois de tanto tempo, quero que ele tenha mais momentos assim.

Odin chegou pela manhã e nos ajudou com tudo, Amin passou a tarde toda conversando com ele. O que mais gostei foi o quanto bom ele é com a cozinha, assim aprendi vários truques com o cozinheiro.

— Também gostei do Odin. A gente pode convidar ele mais vezes. Fico muito aliviado que ele tenha se enturmado tanto.

Oh se enturmou, até arrumou um encontro.

— Sério mesmo? — Amin não acredita.

— É claro que sim, meu bem. Não tem por que não juntarmos nossos amigos, uh? Faz você feliz e eu também. Nunca tinha dado uma festinha no meu apê e realmente foi gostoso. Obrigado pela sugestão.

— Fico tão feliz por isso. Mas não deixo de pensar que se eu não estivesse na sua vida, você passaria essas datas sozinho nesse apartamento usando suas roupas de casa, descabelado, bebendo café e tentando escrever alguma coisa. — E ele está certo.

Dou risada, concordando.

— Isso aí já é passado, estou bem melhor agora. — Garanto, secando minhas mãos e depois atirando o pano contra ele que o pega rindo para secar suas mãos também.

— Será por que, em? — Ele se gaba. Safado lindo.

— Você não o conhece. É meu vizinho lindo e gostoso do prédio aqui do lado. Ele tem uma raba desse tamanho. — Gesticulo exageradamente abrindo meus braços e Amin grita rindo me dando um tapinha.

— Para com isso, doído. — É o que diz quando me dá as costas e sai rebolando seu bundão para lá e para cá.

Puta raba gostosa!

E quando penso que ficou por isso mesmo ele solta:

— Se gosta tanto desse rabão, então, porque não vem pegar? — O danado me desafia.

O que me faz arregalar os olhos com a proposta e sair correndo para o alcançar, mas o espertinho é mais rápido e se enfia no banheiro, trancando a porta.

— Ah, quando eu te pegar, Amin Song! — Ameaço e ouço sua risada de dentro do recinto.

Vou até meu quarto com o intuito de pegar nossas coisas e ajeitar tudo para ir para seu apartamento. Amin vem em seguida e começa a me ajudar também.

— Parece que ele e Theo vão se dar bem. — Comento por alto, ainda falando de Odin.

— Sim, é um alívio. Odin está solteiro há um bom tempo. Não sei, ele não é muito de namorar. Vou ficar surpreso se acontecer com o neto da Sra. Sams.

— Falando nela, nos mandou um vídeo de feliz Natal no WhatsApp. — Conto, já dando risada. — Eu amo essa vovozinha.

— Só não a deixe ouvir você a chamando assim. — Meu vizinho me alerta, me fazendo gargalhar.

Pego meu celular só para mostrar o vídeo para Amin que ri até quase fazer xixi nas calças. A Sra. Sams é muito engraçada quando quer, ainda mais usando roupas como as da mamãe Noel. Depois ela me encheu de fotos dos seus netos e bisnetos, percebi que ela mandou tudo isso para o chat do Amin também.

Vai gostar de mandar mensagem de bom dia, minha nossa, além de que ela manda um monte de figurinhas e me enche de vídeos de Teorias da Conspiração do Universo. Não vejo nada, ela não se importa e continua mandando. Deixo o aplicativo no silencioso, odeio essas mensagens. Podem me julgar, mas prefiro os bons e velhos SMS.

— Mas é sério, voltando a falar do Odin, ele é muito talentoso como cozinheiro.

— Sim, ele é um ótimo chef, já tem o próprio restaurante e tudo mais. Até me convidou para fazer parte como sócio, mas sei lá, nunca quis ter um restaurante. Ainda não sei exatamente o que quero.

Até onde sei, Amin prefere cozinhar doces e não pratos refinados de um restaurante.

— Não fique preocupado com isso. Vai saber quando chegar a hora, é importante respeitar o nosso tempo e se conhecer o máximo possível antes de tomar qualquer decisão. — Tranquilizo ele, a gente se cobra demais com esse lance de futuro e profissão. Me lembro de quanta pressão sofria dos meus familiares em relação à faculdade e tudo mais.

Amin sorri fofo para mim.

— Quando você soube que queria ser escritor?

— Quando era molequinho amava ler. Tudo e qualquer tipo de livro. Naturalmente veio a vontade de escrever, então só comecei. — Conto, é gostoso lembrar de quanto evoluí por todos esses anos. — Escrever sempre foi essencial para minha existência. É como uma terapia para mim. Quando estou escrevendo, sinto como se meu coração estivesse fazendo algo que realmente o alegra.

— Que fofo, Jonie. Não vejo a hora de ler aquele seu livro que te inspirei.

— Muito em breve, vizinho. Muito em breve.

Graças a ele, o bloqueio criativo é uma fase bem distante agora.

Após isso, juntamos nossas coisas, colocamos os gatos nas caixas de transporte e partimos para o apartamento de Amin; já que combinamos que o dia vinte e cinco de dezembro seria mesmo na sua casa. É engraçado como seu porteiro já está acostumado com a gente zanzando de lá para cá e já sou mais que bem-vindo e reconhecido.

Assim que chegamos ao seu apartamento, os gatos são soltos e meu vizinho trata de acender todas as luzes de Natal da sua sala, liga o aquecedor e depois corre para sua varandinha me fazendo sentir uma sensação nostálgica da primeira vez que estive aqui e ele fez a mesma coisa.

— Jonah, vem cá! — Ele me chama ansiosamente.

Caminho pela casa sentindo a corrente de ar frio me guiar até sua varanda e quando atravesso o arco da porta sou atingido com uma imensa bola de neve. Amin cai na risada já preparando outra bola de neve para mim.

— Toda essa neve é só nossa, amor! — Amin gira com os braços esticados, todo feliz com sua neve particular.

Aproveito do seu momento de glória e distração para fazer uma boa bola de neve e tacar nele também.

— Aí! — Ele reclama quando lhe atingi a bochecha. — Seu ogro grosso!

— Meu bem, desculpa! Machucou? — Corro até ele preocupadíssimo e quando estou próximo o suficiente, Amin me passa a rasteira ao me abraçar e tombar o corpo, fazendo nossos corpos desabar na neve. E ele ri, muito mesmo. — Seu trapaceiro!

Cai feito um pato.

— Enganei o bobo, nah-nah-nah!

Oh peste fofa para um caralho.

Nós rolamos na neve por um bom tempo, fizemos mais uma guerra de bolinhas até cerca de três e meia da manhã. E foi ficando realmente frio de forma que ficamos molhados devido à neve e tivemos que entrar correndo para dentro.

— Vamos para a banheira, agora! — Amin diz cheio de tremeliques.

Ele aumentou o aquecedor e começou a tirar a roupa a caminho do banheiro, consequentemente deixando suas peças de roupa largadas pelo chão da casa como uma trilha para seguir. Apenas dei risada me abraçando de frio, seguindo seus passos.

Já pelado e no banheiro, Amin liga a água bem quente de forma que o recinto se enche de fumaça. Sem delongas entra na banheira sem sequer tê-la cheia de fato. Tiro minha roupa o mais rápido possível e me coloco entre suas pernas, encostando minhas costas em seu peitoral, sentando na banheira e sentindo a água quente nos aquecer gradualmente conforme vai se enchendo.

E é assim que a véspera termina e nosso dia de Natal começa, deitados na banheira imersos no chamego. Ficamos conversando e rindo por muito tempo, brincando com nossos dedos unidos e cobertos por espuma. Nós dois fazendo planos.

Mais uma lista é feita, dessa vez por nós dois e essa não é para o meu bloqueio criativo. Essa lista é para ficarmos juntinhos mesmo. Amin ficou tão empolgado que saiu da banheira igual um jato e voltou igualmente rápido só para ir pegar seu caderninho de listas e escrever a nossa:

Lista para o ano novo de JonMin:

  1. Ir para praia;
    2. Acender uma fogueira;
    3. Comer doze uvas;
    4. Beber champanhe;
    5. Pular sete ondas;
    6. Dar o primeiro beijo de ano novo;
    7. Nadar pelado;
    8. Fazer amorzinho na praia;
    9. Fazer planos/listas para o novo ano que se inicia;
    10. Jonah disse que vai usar uma fantasia de coelhinho para Amin;

Obs.: O último item é uma mentira, foi Amin quem inventou isso.

JonMin é o shipp que Odin criou para nós dois como um casal e Amin simplesmente amou.

O resultado foi uma lista manchada pelos respingos de água e ele jurou ser só um rascunho e iria reescrever tudo bonitinho como ele gosta.

Passar o ano na praia é um dos nossos maiores desejos e o primeiro item da nossa lista, então estamos cogitando alugar um chalé no Wild Renfrew Seaside Cottages[5] para o nosso ano novo com direito à praia, montanhas, conforto e muita natureza.

E a sensação gostosa que dá planejar nossos próximos dias juntos? Meu peito parece que vai explodir. Isso é mesmo real, eu tenho alguém!

E quando acabamos o banho e vamos para o quarto vemos no display do relógio que só faltam três minutos para às quatro da manhã.

— Estou morrendo de sede, vou pegar água e já volto, viu? Vê se não dorme, senão eu te dou um soco. — Brincou, falsamente bravo com a possibilidade. Posso estar babando de sono que não ousarei fechar os olhos sem ele aqui.

Assim fico esperando e dez minutos se passam e nada de Amin, será que ele está derretendo neve para beber? Só pode. Me sento na cama e encaro a porta fechada, uma música sensual começou a vir lá de fora e isso me fez ficar intrigado. O que esse malandro está armando?

Levanto-me em um pulo, tudo está apagado e só as luzes de Natal estão iluminando a sala, os gatos desapareceram e Twyla Willow canta We Burn Tonight, sua música extremamente sexy. É quando finalmente vejo Amin em meu campo de visão, sobre o sofá de quatro, ele me olha e rosna.

Pelas minhas santas bolas.

Amin está usando uma fantasia de gatinho.

DE GATINHO.

— Papai, meow, o gatinho quer leitinho?

Se existia qualquer pingo de sono no meu organismo, evapora-se. E meu pau fica rijo a ponto de bala numa velocidade sobrenatural. E só então entendi, é o meu presente de Natal cujo pedi para ele naquele dia que fomos à boate. Ele não se esqueceu.

— Gatinho! Porra… — Murmuro em transe e imediatamente obrigo minhas pernas a darem passos longos até ele.

É como aquele sonho que tive quando conheci Amin e acaba de se tornar realidade.

Parado diante do sofá, Amin me olha com desejo dos pés à cabeça e eu devolvo a análise na mesma intensidade. Sério, ele está até mesmo usando um plug anal para ter o rabinho e funciona quando ele chacoalha a bunda e balança de um lado para o outro ligeiramente. E o arquinho de orelhinhas felpudas, a coleira com detalhes prateados me fazem perder tudo.

Amin encosta a bochecha em meu caralho que a essa altura é nítido sobre o pano fino do pijama. Ele ronrona ao se esfregar ali e me olha felino. Sem usar as mãos, como um gatinho faz, morde a barra da minha calça e puxa para baixo. O ajudo no processo até meu membro ficar exposto na sua cara e ser abocanhado com vontade.

Ele me dá o boquete dos sonhos.

Meu gatinho mama como se realmente estivesse faminto e eu fico simplesmente grato a tudo e qualquer coisa no mundo. E bem, só vou contar isso para vocês, pois o que aconteceu foi realmente particular, desculpa aí. Mas de forma realmente resumida, gozei três vezes naquela madrugada. Comi e fui comido até o sol nascer. E até mesmo saí com uns arranhões do meu gatinho malvado.

Quando percebemos, já eram seis e meia da manhã e nossa brincadeira teve que acabar. Tivemos que tomar uma ducha rápida, pois ficamos suados e sujos, então vestimos os pijamas novamente. Assim que prontos, corremos para a cama, os dois de bunda quente e rabo doendo. Parece até que é a nossa rotina. É uma consequência das boas, tanto que nem reclamamos.

Nos abraçamos de conchinha para dormir e deixo Amin ser a concha de fora, pois amo descansar sentindo sua respiração quente na minha nuca é uma das minhas coisas favoritas.

Na manhã seguinte acordamos juntinhos, ficamos de chamego na cama o que resultou em uns toques aqui e ali que ficou quente demais e nós dois iniciamos o dia de Natal gozando. O que não é nenhuma novidade. Mas ficamos só nos toques mesmo, já que exageramos ontem à noite. Isso nos obrigou a tomar banho de novo e trocar os pijamas por limpos e vestir pantufas – já que vamos ficar o dia todo em casa.

Nossa como eu amo as comemorações que passamos o dia todo na casa quentinha fazendo coisas felizes com quem amamos. Amin e eu tínhamos uma lista a seguir e começou com músicas de Natal e nós dois bagunçado a cozinha numa tentativa suicida de cozinhar nosso almoço de Natal que basicamente é Mac&Cheese[6].

— Jonah, pelo amor de Deus, está queimando! — Amin se desespera, putz é agora que ele vê que sou um péssimo pretendente para namorar e termina comigo de vez.

— Calma, amor.

— Não me pede para ficar calmo, mistura mais rápido ou vai empelotar! — Ele dizia, gritando comigo. Minha nossa é a primeira vez que ele grita comigo e fiquei tão desnorteado tentando não deixar a massa queimar que apenas me concentrei nisso.

Mas era só o desespero do momento. Deu muito trabalho fazer isso aqui, minha nossa.

Por fim, consegui fazer a massa para nossas Beaver Tails[7] que ficou estranha por queimar o fundinho e empelotado. Isso porque são só cinco minutos no fogo e consegui queimar. Mas tudo bem, pois ainda assim, está gostoso e a decoração com M&M’s ficou uma gracinha. No caso, essa é a nossa sobremesa. Acho seriamente que meu vizinho nunca mais vai me deixar fazer doces.

Seguidamente, almoçamos nosso macarrão que ficou delicioso. Pela tarde tiramos uma soneca, pois estávamos sonolentos por irmos dormir tarde demais. Quando acordamos assistimos Esqueceram de Mim[8] que é praticamente um ritual de Natal e depois Amin inventou de dançar na sala naquele típico jeito que vocês bem sabem: escorregando sobre as pantufas, ou em outras palavras, como uma minhoca-louca.

Antes de começar a dança, dei a ideia de deixar o celular de longe gravando tudo. Realmente quero ver o resultado. E assim começamos nossa algazarra particular, bem do nosso jeitinho.

Tocou de tudo, até chegar a Vante Raoul[9]. Oh, sim, It’s a Christmas Kiss[10] tornava o apartamento natalino do meu vizinho mais mágico que já era. A canção natalina e romântica me fez agarrar Amin pela cintura, meus braços circulando e meu peitoral encaixando-se atrás de suas costas. Nós balançávamos com os rostos colados, em determinado momento ele desenrola-se de meus braços girando, mantendo apenas minha mão na sua que o puxa de volta e ele vem para mim.

Agora de frente um para o outro as nossas testas estão coladas, bocas partilhando a mesma respiração quente. Corpos unidos, gatos perambulando ao nosso redor, as luzes, a canção… Ele. Sobretudo ele. Nós dois aqui e agora.

— Tonight is so beautiful. I will never forget the way you smiled saw me. The way she ran into my arms. — Canto ao pé de seu ouvido. — It’s Christmas, love, people are falling in love, so love me a little more from now on, because…

Essa noite está tão linda. Nunca vou me esquecer da maneira como sorriu quando me viu. Da forma como correu para meus braços. É natal, amor, as pessoas estão se apaixonando, então me ame mais um pouco a partir de agora, pois…

— I’m a little more in love with you… — Cantamos juntinhos.

Eu estou um pouco mais apaixonado por você…

Mãos unidas, passos errados. Mas juro, sinto a velocidade que seu coração bate nesse momento. Explodindo como o meu.

— Your smell and your voice, my favorite melody. Your laughter fills me with vigor. I love the way you roll your eyes and how you run your hand over my cheeks. — É ele quem canta para mim.

Seu cheiro e a sua voz, minha melodia favorita. A sua risada me enche de vigor. Adoro o jeito que revira os olhos e como passa a mão por minhas bochechas.

E é a minha vez de cantar para ele:

No matter how much time you spend, just remain yourself. The person I fell in love with. Be mine. One more night be mine. You look so beautiful, I can only think how lucky we are.

Não importa quanto tempo passe, apenas continue sendo você mesma. A pessoa por quem me apaixonei. Seja minha. Mais uma noite seja minha. Você está tão bela, só consigo pensar o quanto temos sorte.

— When our lips come together it’s a Christmas kiss. We have our mistletoe.

Quando nossos lábios se unem é um beijo de natal. Nós temos o nosso visco.

Amin está com as bochechas avermelhadas quando a canção termina e tudo que consigo fazer é olhar intensamente em seus olhos brilhantes, vendo como gradualmente eles se enchem de lágrimas da mais pura emoção.

— Não chora, amor. — O abraço e ele puxa-me para si, escondendo o rosto em meu peitoral. — Essa noite, apenas sorria.

— É que… — Ele se afasta para falar, fungando. — Não quero que isso acabe, Jonah. Nós dois. Quero congelar esse momento para sempre, como se estivéssemos dentro de um globo de neve. Desejo profundamente que seja o nosso Natal em loop, para sempre, enquanto eu existir. Bem assim, nós dois na minha sala enfeitada, com meus gatos e Vante Raoul tocando. E essa sensação tão gostosa de gostar tanto de você.

Infelizmente, não dava para literalmente ficar aqui para sempre do jeitinho que ele falou. Se fosse possível, ficaria sem pensar duas vezes. Mas esse momento pode se repetir, quantas vezes a gente quiser.

— Só depende de nós dois, Amin. — Garanto a ele e na minha mais sincera opinião, se depender de nós, realmente vamos estar casados em menos de um ano. E Yohan ganha sua aposta com nossos amigos. — Eu também me sinto assim, também quero isso, amor.

— Você jura, Jon? — Ele pergunta e eu assenti freneticamente em concordância, a primeira lágrima cai de seu olho e eu seguro seu queixo, fazendo ele conectar seus olhos nos meus. Ele diz: — Você é como penicilina.

E dou uma risadinha da sua comparação. Ele quis dizer que eu, seu amor, seria como um remédio descoberto por acaso, assim como a penicilina em 1928.

— Sim, você é. Você é o meu Maneki Neko[11]. — Digo, fazendo a minha comparação também e Amin ri, chorando, tipo literalmente. E aceno para ele com uma mão levantada, assim como o gato em questão faz. Ouvi dizer que algumas pessoas e culturas, acreditam que ter um Gato da Sorte atrai boa sorte. Amin começa a soluçar o que realmente me deixa preocupado. — Ei, por favor, não chore esta noite… — Passo minhas mãos por suas bochechas, secando as lágrimas quentes. — Quero te mostrar uma coisa, olhe para cima.

E ele faz, mesmo pouco confuso. Estávamos bem no centro da sua sala, onde de uma ponta a outra há um arco enfeitando o teto. No meio o famoso mistletoe estava pendurado.

— Estamos debaixo de um visco, sabe o que significa, Amin? Que eu preciso desesperadamente te beijar. — Anúncio, sua boca forma um ‘o’ perfeito, surpreso.

Avanço, minhas mãos seguram seu rosto, as pontas dos dedos roçando sua nuca. Twyla Willow cantando uma música que não consigo lhe dizer qual é o nome agora. Respiração tensa, bocas indo de encontro uma à outra, ele me puxa mais, me abraça mais e dançamos lentamente. O beijo, debaixo do visco de natal, no seu apartamento, diante de todos os seus gatinhos. Faço Amin ser todinho meu com um só beijo, como se pudesse tomar sua alma para mim assim.

— Ami, você quer me dar a honra e privilégio de ser o meu namorado? — Solto de uma vez quando o beijo termina, nem nos afastamos completamente, minhas pernas estão bambas, Amin nem sequer abriu os olhos por completo e os mesmos se escancaram ao serem arregalados.

— Jon-Jonah… Meu deus… Jo-jon-nah…

— Estou falando sério. Você quer ser o meu namorado, Amin Song? Se quiser posso ajoelhar e tudo mais…

Quando estou prestes a fazer ele me agarra gritando um “pelo amor de deus, não” puxando para um beijo intenso com sua língua macia preenchendo minha boca. Suponho que isso é um super sim.

— Eu quero, Jonah Ambrose. Hanoj Black. Jon. Tchutchuco, tchuco. Benzinho. Amor. E tudo que já te chamei nessa vida. Quero você inteiro, Jonah. Sem tirar nem pôr. — Ele confessa, Amin está tremendo, olhando em meus olhos e chorando de novo. — Ai, minha nossa senhora dos desencalhados.

Eu rio e ele chora.

Talvez eu só devesse aceitar suas lágrimas de felicidade. E puta a merda, consegui. Pedi Amin em namoro sem enfartar, mas meu coração está explodindo de um jeito.

— Estamos namorando. — Falo desacreditado e Amin dá risada.

— Sim! — Amin pula e acaba pisando no meu pé, mas ele nem percebe e sai gritando e pulando por seu apartamento enquanto pulo igual Saci-Pererê agarrando meu pé. Amin pega cada um de seus gatos no colo e sai comemorando. — EU ESTOU NAMORANDO! PAPAI ESTÁ NAMORANDO! EU NAMORO MEU VIZINHO BISBILHOTEIRO JONAH AMBROSE. Meu deus, o que aconteceu?

Ele finalmente repara em mim e vem me acudir e a única coisa que consigo fazer é dar gargalhada da nossa situação. E ele começa a rir também e caímos no sofá rindo e rindo. Paramos lentamente olhando o rosto um do outro. Tudo cessa e o que resta são miados ao fundo em sintonia com uma canção aleatória vinda da vitrola do Ami.

— Já parou para pensar que nosso aniversário de namoro vai ser no Natal? — Sou eu quem quebrou o silêncio com minha brilhante observação.

— Não é fofinho? Ai, Jonah, a gente é tão gracinha. Parecemos um casal de fanfic. — Só consigo rir, principalmente com ele dando esses beijos no meu pescoço, me fazendo sentir cócegas.

Eu já contei que Amin sente cócegas ao redor do umbigo? Aleatório né, mas não vi uma oportunidade melhor para contar. Então, quando vou fazer oral, se me demorar nós beijos descendo por sua barriguinha é capaz dele se tremer todo de cócegas e até acabar o clima. Sensível ele.

Acho que o que mais temos nesse livro é TMI[12].

Voltando….

— Já podemos gravar nosso próprio dorama[13].

Mas ele me ignora, sua face se acende de repente, como se tivesse uma grande ideia:

— Quero te dar seus presentes agora! — Ele diz já pulando para fora do sofá e indo até à árvore de Natal pegar os pacotes ali embrulhados. — É claro que me presentei também, né? Não posso deixar de me mimar com vários pijamas e pantufas fofinhas.

Oh sim, Amin e seu vício em pijamas. Acho que ele não passa uma semana sem comprar um novo. E sinceramente, amo esses pijamas. Inclusive estamos usando um todo natalino hoje, vermelho e verde com um urso pardo bordado. E é claro, não poderia faltar os gorrinhos na cabeça.

— Pensei que já tivesse me presenteado nesta madrugada. — Comento e ele me olha como se não fosse óbvio que não era só isso. E que baita presente, só de lembrar sinto calor.

Logo faço o mesmo indo pegar os meus presentes, nos sentamos frente a frente no tapete felpudo. Davy brinca com o laço do meu presente, Anne senta entre minhas pernas e Diana nos observa ali do sofá. Gilbert está desaparecido, provavelmente usando a caixinha de areia lá na área de serviços.

Amin me olha ansioso, sabendo que ele deve estar quase morrendo para trocar esses presentes logo, passo na frente.

— Abre os seus primeiro. — Entrego dois embrulhos para ele, um vermelho e um verde. O vermelho é o maior e é exatamente esse que ele começa a rasgar primeiro.

Enquanto os pedaços de papel de presente voam, Diana se anima em tentar brincar com eles. Não entendo porque os gatos preferem tanto papel e papelão para brincar, Amin já comprou um mundo de brinquedos para eles, mas preferem as caixas das entregas que meu vizinho recebe.

Assim, finalmente meu presente se revela para ele e pude acompanhar sua expressão. De choque para super surpresa, inacreditável.

— MEU DEUS! MEU DEUS! JONAH AMBROSE! EU NÃO ACREDITO! — Ele não sabe o que fazer, se pula em meus braços, se aprecia os livros ou se surta. Resolve por fazer tudo em simultâneo. — São os meus livros favoritos da infância, ah não, Jon. Eu vou chorar.

E com um soluço ele cai no choro e me resta o consolar. Amin havia dito que Anne of Green Gables da Lucy Maud Montgomery são seus livros favoritos e que ele tinha todos, mas perdeu em uma mudança. Inclusive, o nome dos gatinhos veio desses livros. Definitivamente revirei o mundo das livrarias virtuais para encontrá-los com as capas típicas da época de sua infância, felizmente achei todos eles e agora estão em suas mãos.

Suponho que acertei em cheio.

— Obrigado, Jonie. Eu amei tanto, são tão lindos. Igualzinho aos que eu tinha. — Ele diz todo emocionado, acariciando a capa como se fosse um gatinho fofo. — Eu amei muito.

— Você merece muito mais, meu amor. E sei que nada se compara a esse presente, mas ainda tem outro para abrir. — Aviso e ele logo se acende de novo, pegando o embrulho de cor verde e rasgando. — E esse é o meu livro favorito para você, meu bem.

— Tchuco, que gracinha. Oh, meu deus, O Pequeno Príncipe é tão fofinho. — Meu namorado abraça o livro com amor, acolhendo um exemplar de muito valor para mim.

— Foi minha bisavó que me deu quando era moleque, ela também era a minha madrinha e assim como eu amava livros. Lembro de passar muitos dias na sua casa, lia para ela todas as noites antes de dormir. — Conto para ele.

— Jonah, que lindo. Mas tem certeza que vai me dar algo tão significativo? — Ele me encara com os olhos brilhantes.

Balanço a cabeça concordando. Mesmo se um dia não estivermos mais juntos, quero que essa parte de mim, fique com ele. Como um lembrete de tudo que ele significa para mim. Muito.

Tudo que Amin transformou na minha vida, é mais do que posso retribuir. Em tão pouco tempo, ele me fez ver o infinito e além. Se tornou mais significativo do que qualquer outra pessoa que tenha passado em minha vida antes.

Prometi a mim mesmo amá-lo até o fim. Como amigo, como namorado, tudo que estiver ao meu alcance.

— Obrigado, meu amor. — Amin me abraçou e me deu beijinhos novamente. — Agora é sua vez.

Logo me oferece um embrulho de coelhos de Natal e cenouras com lacinhos vermelhos. É Amin, peguei a referência, ele me acha parecido com um coelho. Tudo por causa dos meus dentões frontais e o nariz que enruga quando sorrio.

Ansiosamente, começo a rasgar o papel, Amin está ajoelhado à minha frente, abraçado aos seus livros, dando pulinhos de nervosismo.

Não demora para o presente revelar-se a mim. É uma jaqueta enorme de cor amarela. Muito bonita mesmo. Tinha até cheirinho de tutti-frutti. Mas quando digo amarelo, é amarelo mesmo! Igualzinho a nossa cor favorita e os corações pendurados na minha árvore de Natal. Como eu o amo. Meu Deus.

Uma cartinha amarela e vários minúsculos coraçõeszinhos também amarelinhos caem quando abro a jaqueta para estender diante de meus olhos.

— É linda. — Exclamou apaixonado. Essa definitivamente é a minha primeira peça de roupa colorida do meu guarda-roupa e fico muito feliz que combine com o casaco favorito do Amin. Agora pronto, vamos sair amarelo-ambulante pelo inverno, juntinhos. Não demoro a passar as mangas longas por meus braços e a vestir adequadamente.

— Que coelhinho lindo! — Amin elogia, todo apaixonado, então larga os livros e vem para mim, sentando-se frente a frente. Suas pernas sobre as minhas e sua mãozinha segurando a cartinha. — Jonah, chegou o momento. Acho que você merece saber três coisas, a primeira é que nós riscamos todos os itens da nossa lista. E a segunda é que você finalmente recebeu o direito de descobrir o que escrevi nela. E o terceiro…

Ele para de falar e me observa com o sorrisão mais lindo do universo.

Ah, minha Lua. Seu brilho é o meu clarão.

— Bom, a terceira coisa que precisa saber, descobrirá sozinho… — E Amin me entrega a cartinha.

Nesse momento meu coração está literalmente explodindo.

Com cuidado abro o envelope feito à mão que definitivamente terá todas as intenções de Amin. Dali tiro um papel dobrado e amassado, claramente era aquele que ele levou no meu apartamento no primeiro dia da nossa lista.

E eu pensando que isso não ia funcionar. Pois, funcionou até demais.

Assim, abro o papel com cuidado e finalmente me é revelado…

Lista de Amin Song para tirar o Jonie do bloqueio:

  1. Assistir aos primeiros flocos de neve do inverno.
  2. Ouvir músicas em alto volume enquanto dança e canta com todas as forças.
  3. Conhecer um lugar novo com muita natureza.
  4. Andar de bicicleta.
  5. Visitar os animaizinhos da fazenda.
  6. Tirar fotos.
  7. Ver um filme que faz chorar muito.
  8. Aprender a cozinhar com o Amin.
  9. Ir em um clube de dança e ficar bêbados.
  10. Ir ao show da Twyla Willow com o Aminie.
  11. Tomar café e comer bolo gostoso numa cafeteria charmosa e gostosa.
  12. Brincar na neve.
  13. Jonah tentar cozinhar cookies para o Amin sozinho.
  14. Enfeitar a casa do Jonah para o natal.
  15. Tomar banho com espuma na banheira.
  16. Beber vinho lendo um livro de frente para a lareira.
  17. Trocar presentes de natal.
  18. Beijar o Amin quando estiverem os dois embaixo de um mistletoe.
  19. Transar muito até gozar gostoso. VÁRIAS VEZES.
  20. Se apaixonar por Amin Song.

É impossível não me emocionar enquanto cada item me traz uma memória nossa. E quando leio o último item, um sorriso dos grandes surge no meu rosto, assim como as lágrimas de emoção.

— Você mentiu. — Conclui, abaixando o papel para o olhar.

— Sim, menti. — Ele confirma.

Nunca foi uma lista para me tirar do bloqueio criativo, quer dizer, foi sim. Mas sobretudo foi uma lista para fazer eu me apaixonar por ele.

E pensar que o bandido chegou a negar veemente que não tinha o propósito de conseguir um namorado com essa lista… Veja bem onde estamos agora…

Não consigo me arrepender de nenhum pequeno detalhe. Só consigo o olhar apaixonado, enquanto às três palavrinhas rondam nós dois, cedo demais para as pronunciar em voz alta. Mas certamente livre para se dizer na minha mente, ecoando na minha alma e refletindo no meu coração disparado:

Amin, eu amo você.

Eu realmente o amo tanto.

— A gente pode trepar agora? Estou doidinho para fazer um amorzinho gostoso! — E seu pedido me faz rir, meu deus, minha nossa senhora do vizinho safadinho. Esse é o meu Amin, sem tirar nem pôr. — Estou usando uma cuequinha amarela só para combinar com você, sabia? Você tem que me amar muito, seu namorado é incrível.

E vou me aproximando sorrateiro.

— Sim, ele é. Um safadinho completo. E seria maluco se dissesse que não quero trepar gostosinho com ele agora. — Garanto a ele, trazendo sua boca para a minha e a colando fortemente como se pudesse fazer aquele beijo cheio de desejo durar para sempre.

E beijando meu vizinho no seu apartamento encantado, cujo virou reino da Lua de Marte, pude concluir:

Graças a uma fantástica e criativa lista, derivada de um bloqueio criativo sufocante… Apaixonei-me perdidamente pelo meu vizinho.

Era uma lista, uma simples lista.

A Lista para se Apaixonar por Amin Song.

 


 

[1] Tourtière é uma torta de carne canadense originária da província de Québec, geralmente feita com carne de porco picada, vitela ou carne com batata.

[2] Eggnog é uma bebida que se parece com uma gemada. Ela é feita com açúcar, leite, ovos e baunilha, sendo que alguns adultos ainda adicionam rum ou conhaque à bebida.

[3] Bolo de Natal (Christmas Cake) consiste em um bolo simples, bem parecido com os bolos comuns, confeitado e decorado com temas natalinos e que pode ser encontrado em qualquer padaria ou confeitaria do Canadá. Ou, nesse caso, feito pelas mãos do Ami.

[4]  Vancouver Aquarium é um aquário público localizado no Stanley Park. Além de ser uma grande atração turística, o aquário é um centro de pesquisa marinha, educação sobre alfabetização oceânica, conservação e reabilitação de animais marinhos.

[5] Wild Renfrew Seaside Cottages é um hotel em Port Renfrew, British Columbia. Oferece casas de campo particulares à beira-mar.

[6] Macaroni and Cheese é uma receita que consiste em macarrão caracol, queijo, leite e um pouco de farinha e manteiga.

[7] Beaver Tail é uma sobremesa canadense muito conhecida, considerada até mesmo uma tradição. Sua massa é similar ao churros. O recheio pode ser creme de avelã ou pasta de amendoim e a cobertura é diversa, variando de cada gosto.

[8] Home Alone é uma série de filmes de comédia familiar de Natal americana criada por John Hughes.

[9] Vante Raoul é um cantor canadense, conhecido por suas canções de teor romântico em épocas natalinas. É uma criação fictícia para contribuir com o enredo da história.

[10] It’s a Christmas Kiss é uma canção natalina de romance, faz referência ao famoso beijo de natal debaixo do visco. Sobretudo, é uma canção fictícia (criada para o desenvolvimento da trama).

[11] Maneki Neko (Gato da Sorte, Gato do Dinheiro ou da Boa Sorte) literalmente conhecido como gato que convida, é uma escultura asiática comum, na maior parte das vezes feita em cerâmica, que se crê trazer boa sorte ao seu dono.

[12] TMI é uma sigla muito usada de modo informal, e significa Too Much Information, ou seja, informação demais.

[13] Dorama é um programa de televisão básico da televisão japonesa e transmitido diariamente. São uma variedade de séries dramáticas. Nesse caso, Jonah se refere às novelas românticas, cujo são bastante famosas.

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