Epílogo

nosso livro, a primeira vez que te vi, três palavrinhas, nova lista

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Amin Song

Coloquei minha música favorita para tocar, pois, finalmente encontrei meu grande amor. Na frente do espelho, passei batom vermelho porque me sinto sexy assim, e disse para mim mesmo: você é incrivelmente poderoso, Amin Song.

Faço isso porque sinceramente, meu plano deu certo. Não tinha nenhuma intenção ruim quando decidi tentar fazer Jonah Ambrose se apaixonar por mim, mas nem consigo acreditar que funcionou. Fica calmo, sei que isso está parecendo aqueles discursos de novela onde a vilã finalmente revela seu plano maligno, mas não é nada disso. Pelo contrário, conquistá-lo foi um desejo genuíno do meu coração. Sabe quando você quer muito que o crush te note? Foi só isso. Só queria ser notado, só queria o ajudar a superar o bloqueio criativo e talvez, finalmente, viver um grande amor.

Como todo romântico incurável, meu sonho sempre foi me apaixonar da forma mais verdadeira possível e viver esse amor intensamente por toda minha vida.

Então abram os champanhes em meu nome, pois consegui.

E segundo, o mais importante de tudo, é porque a cada dia venho me amando mais e o meu passado está ficando em seu devido lugar, sendo apenas uma cicatriz e menos um tormento.

Enquanto me olho no espelho ouvindo Twyla Willow, me orgulho da pessoa que me torno a cada dia. Pego a foto de Jonah, presa à moldura e dou um beijinho. Meu coração regressa no tempo, volto para o início desse mês, dezembro… E tudo retorna a minha mente como uma lembrança calorosa.

É vinte oito de dezembro de dois mil e dezoito, seguro em minhas mãos a impressão nua e crua do livro que meu namorado escreveu para mim. As folhas A4 comuns estão fixas por um clip grosso o suficiente para aguentar quase duzentas páginas.

Estou segurando o meu livro de amor. O nosso romance escrito e fiel ao roteiro que vivemos.

Um livro que fala sobre nós e toda a nossa história de amor.

Faz três dias que ele me pediu em namoro do jeitinho mais fofo e romântico do mundo. Era uma noite de Natal, nós dançávamos em meu apartamento ouvindo Vante Raoul, com meus gatinhos miando ao nosso redor; e eu desfalecido em lágrimas implorando a todas as divindades existentes que esse momento não acabasse nunca. E é quando Jonah me pede para olhar para cima e só então reparo no visco verdinho com lacinhos vermelhos.

E ele me beija intensamente, com seu coração gritando que me ama, o meu gritando de volta.

Só queria estar em um daqueles filmes que você fica preso numa data, acorda e dorme revivendo esse dia e todos os acontecimentos em loop. Infelizmente, não estou preso num looping. Mas tudo isso está escrito da maneira mais pura e sincera, eternizado em forma de livro. E enquanto não é Natal de novo, reler é o suficiente.

Jonah nem sequer enviou para a editora ainda, ele está só esperando minha autorização, já que é um livro que querendo ou não fala sobre mim – é claro que temos nomes fictícios. E todas às vezes que penso é tipo: meu Deus, me apaixonei pelo meu vizinho e ele escreveu um livro do nosso amor. Sinto como se estivesse em um filme da Disney.

Mas isso é real.

Nosso amor é real.

Abraçado ao exemplar impresso, caminho de um lado para o outro. A gata Anne mia sem parar, implorando por ração já que acabou a do potinho. Vou até à lavanderia e coloco mais para ela que imediatamente se dispõe a comer, caminho até a cozinha e ataco os pacotes de biscoitos. A ansiedade é quase uma velha amiga imaginária me acompanhando aonde quer que eu vá.

Realmente estou em choque até agora, logo que terminei de ler o livro. Quer dizer, meu deus, Jonah escreveu um livro todinho para mim. Se isso não é uma prova de amor, não sei o que é.

Quando percebo, estou a caminho da minha varanda só para olhar para o apartamento do meu vizinho. Confesso que é um costume vigiar um pouquinho do Jonah, antes de nos conhecer já fazia isso e ainda vigio como namorados. Não é com nenhuma má intenção, juro. É só que eu gosto de ver o mínimo dele, que nesse caso é só quando ele aparece na vidraça da sala.

A luz do escritório está acesa, Jonah está acordado. Muito provavelmente escrevendo. Hoje de manhã ele me deixou sozinho com um presente embrulhado, cujo é este livro. Acho que ele queria me dar privacidade para ler. Dito e feito. Passei o dia todo lendo e metade da madrugada, terminando somente agora.

Penso que ele também precisava de um momento para fazer suas coisas. Estivemos passando bastante tempo juntos.

E bem, o final do livro me deixou ainda mais sem palavras.

Saio do frio gélido da varanda e volto para meu apê, indo direto para o quarto de modo a me agasalhar para cruzar a calçada e me enfiar na casa do meu namorado. Mas antes tiro o batom vermelho, já que borrou um pouco e não quero parecer um palhaço.

Estou indo, mais especificamente, enfiar minha língua na sua boca, pois após ler isso, só penso em como quero beijar ele, envolver aquelas nádegas durinhas nas minhas mãos e massagear forte…

Não me julguem, a bundinha do Jon é uma delícia. Mediana e durinha.

Ok, Amin, foco!

Com o livro abraçado ao meu corpo, de pantufas e pijama, vou de um prédio para outro. Meu coração batia ansiosamente, parece que vai sair pela boca. É sempre assim desde que comecei a ter contato com Jonah, sempre uma ansiedade em níveis infartórios só de imaginar que vou o ver.

Essa palavra existe? Provavelmente não, então me perdoa aí e aceita ela.

E agora – encarando o número dezessete cravado na porta do seu apartamento –, o mês de dezembro é colocado diante de meus olhos como uma linha do tempo. Cada progresso que tivemos, cada mísero momentinho. Nossa história é como um filme muitíssimo romântico, ou um livro, literalmente. Meu coração se acelera mais a cada segundo, nossos momentos viraram tatuagem dentro de mim, cada toque eternizado na minha memória.

Jonah mudou meu coração de uma maneira que não sei descrever. Mesmo tendo me reerguido depois do que o Lennon fez, me senti extremamente vazio por um lado.

É que eu sempre fui assim, carente de amor. Sempre fui um garotinho ingênuo esperando pelo príncipe encantado. E agora eu tenho o meu.

O meu Marte.

Meu Jonah.

Quando bato na madeira da porta uma única vez ela se abre imediatamente, Ambrose está usando um sobretudo para cobrir-se do frio. Ele estava indo até mim. Como se nossos corações nos alertasse da necessidade de estar com o outro. É uma telepatia inexplicável.

Desde que nos conhecemos, são raras as noites que passamos sozinhos. Ele está sempre me abraçando na hora de dormir. E como posso viver sem isso?

Ele fica vermelho conforme sua expressão de choque passa. E aproveito para me apaixonar de novo por seus gigantes olhos negros, como eu amo a imensidão dentro dele. É como se todas as estrelas da galáxia brilhassem para mim quando ele me olha. E os dentões de coelhinho quando ele sorri grandão? O nariz enrugadinho. O cabelinho grande e enroladinho como um macarrão caracol, amo enrolar esses cachinhos perfeitos na ponta do meu dedinho. A cara é de menino, mas o corpo é de um homem muito gostoso, e bota gostoso nisso aí. Jonah é o pecado encarnado em forma de homem.

— Eu estava indo até você. — É ele quem quebra o silêncio e eu abraço mais o livro dele em minhas mãos. E ele percebe a presença da sua obra, erguendo as sobrancelhas em uma faceta de surpresa. — Oh, você leu?

É claro que li, como poderia não ler? Só se eu fosse doido. E não é que doidinho sou mesmo? Mas só um tiquinho e não o suficiente para deixar de ler o livro que meu Jonah escreveu para mim.

Chegou o momento.

Quero falar tudo para ele, tudinho que estou sentindo aqui dentro.

Mas o que eu realmente quero dizer para ele? Quais palavras escolher? Quais frases? Como encaixar todos esses sentimentos? Pareço um quebra-cabeça embaralhado. Céus… Leva um tempo para meu cérebro raciocinar, mas quando deixo meu coração falar mais alto… Tudo fluiu naturalmente, como deveria ser: uma confissão verdadeira de amor.

— Eu me lembro da primeira vez que te vi. — Começo a contar de repente. — Foi o dia que vim ver o apartamento. Quase sete meses atrás. A corretora me encontrou ali embaixo, você saiu do carro todo estressado e estabanado. Estava em um dia ruim. Você não me viu. De início, não havia nada de especial em você. Entrou para dentro do prédio, eu subi com a corretora.

Quando cheguei na varandinha do meu apartamento, vi você conversando ao telefone encostado na vidraça. E você chorou, Jonah. Eu vi quando você escorregou, sentou no chão e chorou. E foi só isso. Queria vir aqui e te abraçar, mas não é assim que a vida funciona. De resto, gostei do apartamento e fechei contrato. Sabendo que muitas das vezes me sentia como você, uma vontade terrível de chorar.

Naquela noite fui dormir pensando no meu futuro vizinho. Não diria que foi amor à primeira vista. No entanto, havia um ímã que me atraia até você. Sei lá, você me deixava muito curioso. E sempre que tinha uma oportunidade, ia para a varanda te ver. Fiquei surpreso quando peguei você me olhando algumas vezes. Ao menos sabia da minha existência, era meu único consolo. Logo fui criando coragem para te dar tchauzinho, mas foi o dia que te vi na praça que meu coração realmente deu as batidas erradas. Se for algum tipo de amor à vista, foi definitivamente ali que me apaixonei.

Jonah, quando te vi naquele dia… O mundo parou ao meu redor. Já tinha muito interesse em você e vivia fofocando sobre sua vida com a Sra. Sams no clube de tricô. Mas foi a primeira vez que estive tão próximo de você. Não deixei a oportunidade passar.

Mesmo de longe, de alguma maneira sentia que sua existência me dava forças. Nos primeiros dias no meu novo apartamento foram os mais doloridos. Eu estava sozinho, em um lugar vazio, sem móveis e só os gatinhos. Então enchi tudo com o que meu mundo mais precisava, cores, vida, móveis e tralhas desnecessárias. E sempre ficou ali, como um espaço vazio com a necessidade de ter alguém. Sei que não preciso de um homem para ser feliz, mas é o que o amor sempre foi uma necessidade extrema para mim. E você… Ah, Jon. Meu Tchuco, você preencheu esse espaço desde o segundo que conversamos.

E me ajudou tanto implicitamente que quando me contou que estava passando por um bloqueio criativo, só conseguia pensar em como queria te ajudar também. E quando fui para casa, naquele dia, após conhecer o príncipe encantado mais cavaleiro do mundo, só conseguia pensar que era a minha chance.

— É o destino me cutucando: “Vai Amin, conquiste-o. Faça-o se apaixonar perdidamente por ti”. E saber que, naturalmente isso aconteceu, me faz sentir finalmente preenchido, Jonah. — E meus olhos estavam cheios de lágrimas, estávamos paralisados no mesmo lugar, podia ouvir meus próprios batimentos cardíacos. A respiração descompassada de nervosismo e por tagarelar tudo de uma vez, sem pausas. Meu vizinho tinha uma expressão de choque, mas também apaixonado, quase chorando. — Jonah Ambrose, não vou ter mais medo. Prometo. Não importa que nos conhecemos em menos de um mês. Você escreveu um livro sobre mim, portanto, creio que suas três palavrinhas já estão sendo ditas o tempo todo. Em cada gesto, cada toque seu, posso sentir. Todavia, é a minha vez. — Pego sua mão e a uno a minha e olhando em seus olhos, finalmente me liberto, quando digo: — Jonah, eu amo você. De verdade. E pretendo te amar muito mais.

— Ami… — É tudo que ele consegue sussurrar com a voz extremamente abalada, ele pisca e lágrimas escorrem por suas bochechas. Meu deus, como dói ver meu neném chorando, mesmo que de felicidade.

Fico na ponta dos pés para secar suas bochechas quentinhas e o beijar.

E nos beijamos, apenas nos beijamos como se todos os nossos sentimentos pudessem ser explícitos ali. E ficamos nus um para o outro e fazemos amor de novo, fundindo nossas almas através da conexão dos nossos corpos, jurando nos amar cada dia mais, beijando pintinhas no corpo um do outro e jurando que elas são constelações de estrelas.

E eu acredito, Jonah.

Eu acredito em você.

Anexado ao livro, havia uma cartinha feita a mão, também em envelope de cor amarela. Como a que fiz para ele no Natal… Era mais do que eu esperava.

Por muito tempo tive medo de que nunca, ninguém no mundo poderia me enxergar de verdade. As pessoas só olhavam para mim e enxergavam um problema.

Lá vai o menino que foi molestado pelo avô.

Amin Song, a vadia. Destruidor de famílias.

Ah, Amin Song, aquele que foi casado com o cozinheiro Bennett.

Oh, aquele garoto, pobrezinho, apanhava do marido.

Ou o estranho do nosso bairro.

O homem que vive sozinho rodeado de gatos.

Eu sou infinitamente mais do que tudo isso. E tudo que sinto é infinitamente mais do que me aconteceu. Todas as minhas cicatrizes são reais. E se eu morresse sem saber que alguém me enxergou de verdade, imploraria a Deus para que minha alma desaparecesse, pois, não suportaria ser apenas isso que as pessoas insistem em referir-se a mim.

E finalmente, encontrei alguém que pudesse ver muito além da minha dor. Alguém que é capaz de me enxergar de verdade, exatamente como eu sou, sem tirar nem pôr.

De: Jonah Vincent Ambrose

Para: Amin Caleb Song

Coisas que eu descobri sobre Amin Song:

  1. Amin Song ama Twyla Willow.
  2. É romântico.
  3. É safado.
  4. Muito tagarela.
  5. Gosta muitooooo de transar.
  6. Ama gatos.
  7. Sabe cozinhar muitíssimo bem. Se você cozinhar com ele e errar feio, vai conhecer uma fera brava assustadora.
  8. É viciado em doces. Não recusa um docinho.
  9. Canta muito bem, sua voz é como a de um anjo.
  10. Adora vinhos.
  11. Faz lista para tudo.
  12. Ama registrar momentos fofos com sua polaroid e adora ser fotografado.
  13. Colecionador de souvenirs.
  14. Ele é cafona, exagerado e gosta de muitas cores.
  15. Amin gosta de pintar as unhas uma de cada cor.
  16. Ele tricota suas próprias bolsas coloridas.
  17. Usa batom vermelho quando está sozinho.
  18. Faz dos objetos seu próprio microfone.
  19. É um exibicionista e voyeur.
  20. É muito ansioso, perfeccionista e tem frenesi por limpeza.
  21. Sente cócegas ao redor do umbigo.
  22. Amin é muito carinhoso, amigo, prestativo e extremamente fofo.
  23. Ama chorar, assiste filmes dramáticos para ficar tristonho.
  24. É sensível, muito carente e odeia ficar sozinho.
  25. Usa roupas da sessão infantil.
  26. Gosta de brigar quando a briga vale a pena e é ciumento.
  27. Ele odeia sentir tristeza. Mas, repito, assiste filmes tristes para ficar triste.
  28. Se acha super lindo e gostoso. E ele está certo.
  29. Adora mandar no Jonah e sabe obrigar ele a fazer o que quer. Manipuladorzinho mimado do caralho.
  30. Gosta de cuidar de animais e pessoas idosas.
  31. Amin faz e diz coisas quando está bêbado que sóbrio jamais faria/diria.
  32. Eu sempre fui seu crush.
  33. Mentiu para mim e tudo mais só para me conquistar.
  34. Está apaixonado por ama o Jonah.

E ele tem razão. Sim, Jonah Ambrose acertou sua lista em cheio e todas as suas icônicas observações. Quando li pela primeira vez, senti meu coração encher-se de alívio.

Alívio porque finalmente alguém me via assim, o mais puro e verdadeiro Amin Song. E para meu vizinho – agora namorado –, nunca importou o meu passado. Ele só tinha olhos para mim, para o meu presente, para meu eu diante de si.

Real, me sentia real quando estava com Jonah. Tão vivo que perdia o fôlego em cada momento nosso. Me sentia único em suas mãos, pois ele me ama com sinceridade. Me sentia uma rara obra de arte. Uma pedra preciosa.

Ele conseguiu! Conseguiu me fazer sentir amado. E depois chorei de amor, porque eu amo tanto esse homem que dói.

Por fim, conclui, nunca li tamanha verdade como a do último item.

Sim, é verídico, não estou apenas apaixonado por Jonah Ambrose. Eu o amo.

Eventualmente, é impossível evitar, preciso escrever mais uma lista, só mais umazinha… Prometo… Você não vai perder nenhum item!

Enquanto eu existir e um pouco além disso…

Essa é A Lista para amar Jonah Ambrose

Te vejo no segundo livro.

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