Capítulo 1
PARTE I
Deixe a Nevasca Vir

Entre a realidade e o pesadelo
Havia algo entre meus olhos carregados de tristeza e a metamorfose instantânea que eles absorvem ao vislumbrar a vida por trás da lente da minha câmera. Nesse instante é como se o mundo inteiro parasse só para mim, convidando-me a capturar não apenas uma das criações mais inexplicáveis: a vida humana, tanto quanto os detalhes da natureza deslumbrante, a existência de criaturas tão preciosas, as construções que somente as mãos e a mente humana conseguem confeccionar.
É uma dança entre luz e sombra, uma fuga da realidade e uma imersão em um universo único. A cada clique, a vida me surpreende mais.
Hoje o parque está cheio de sorrisos e uma alegria genuína provinda da época festiva que nos abraça com seu manto encantador. Amo finais de ano, há uma magia confortável em celebrar o nascimento de Jesus e a passagem do velho para o novo.
Uma garotinha com duas trancinhas caindo sob seus ombros vem até mim e pede que tire uma foto dela debaixo de um dos arcos enfeitando a pracinha. Acato imediatamente ao seu pedido, ela se junta aos seus pais, dois rapazes gentis e segurando o cachorrinho da família exibe para mim seu belo sorriso com uma perfeita janelinha aparecendo.
Em troca da foto ela tira um cookie de sua lancheira e me dá de presente, dizendo que ela e seu pai haviam feito ontem à tarde. Mesmo dizendo que a foto não custava nada, ela quis me recompensar, o que achei fofo da sua parte.
Não há nada mais gratificante do que presentear as pessoas com o meu trabalho, a eternização de um momento em uma foto.
Há uma conexão íntima entre o fotógrafo e o cenário, uma busca pela essência que transcende o visual. Fazendo jus a essa afirmação, o simples ato de fotografar é o que tem me mantido viva por todo esse tempo; provocando-me as emoções necessárias para sobreviver, enquanto minha alma se afoga em ruína.
Suspiro derrotada quando percebo que toda a alegria que a garotinha me trouxe é substituída pelo presságio daquele pesadelo que não sai da minha cabeça. E como sempre, permito que as memórias assustadoras tomem conta da minha mente… e me sinto como se estivesse trancafiada em suas grades cruéis.
E de novo os flashes se revelam um a um, fazendo-me refém de suas garras…
Lobos famintos.
Lago escuro.
Uma camada de gelo.
Meu corpo sem vida.
Desperto do transe anestésico da lembrança do sonho. Minha respiração está tensa quando ouço o som do exato momento que minha câmera instantânea dispara um click. O frio que sentia no lago congelado cede ao calor brando do sol no parque. Ao abrir os olhos, encaro uma senhora de cabelos brancos e sorriso doce, que me observa com uma curiosidade quase maternal.
— Está tudo bem, querida? — Sua voz baixa, rouca e carregada de cuidado me surpreende. A foto registrada escapa e cai sutilmente ao chão.
Abaixo minhas mãos com cuidado, olhando ao redor com minha respiração entrecortada, meus batimentos a mil, ossos trêmulos e um desespero sem igual me assombrando. Ótimo, estou sonhando acordada e pelo visto, me tornei uma sonâmbula doida, já que acabei de tirar uma foto dessa velhinha sentada no banco do parque, enquanto um gatinho de rua roça suas canelas cobertas por uma fina meia calça cor de pele. Suas sapatilhas de cor marrom – gastas e feitas de pano – me fizeram sorrir, por me lembrar de minha falecida avozinha que tinha um apego imenso por um par idêntico a esse.
A senhora sorri para mim e ergue as sobrancelhas, como se esperasse que eu finalmente acordasse do transe. O gatinho deixa um miado rouco soar e pula no banco na intenção de ocupar o espaço ao lado dela, fungando o nariz na minha direção, me observando com seus gigantes olhos amarelos e provavelmente julgando minha atitude incomum.
É quando percebo que acabei de fotografar uma desconhecida, inconscientemente e sem sequer pedir a sua autorização.
— Nossa, me desculpa! — Chacoalho a cabeça, desnorteada e largo minha câmera de lado, essa que fica sustentada pela alça em meu pescoço, me abaixo para recuperar a foto instantânea que foi ao chão após ser impressa pela polaroid. Balanço-a no ar enquanto continuo falando: — Não sei onde estava com a cabeça, senhora, me desculpe.
— Imagina, fico lisonjeada de ser alvo das suas fotos, por favor, fique à vontade. — A velhinha sorriu sem jeito, suas bochechas estavam claramente ruborizadas. — Embora o tempo não me tenha sido muito gentil, mas garanto que eu era uma jovem linda quando tinha sua idade.
Dou uma risada baixa.
— A senhora continua linda, amei seu casaco e suas sapatilhas, sem falar que seu cabelo está tão bonito.
Ela fecha os olhos sutilmente esboçando um sorriso sincero e grande.
— Ora, agradeça aos rolinhos. Você nem deve saber o que são, não é mesmo? Afinal, isso é coisa de velha. — Diz enquanto afaga as pontas de seu cabelo com belas ondulações.
— Claro que sei, quando eu era criança minha mãe vivia de rolinhos por aí como se fosse parte da sua cabeça. Ela saía de casa os usando até para ir ao supermercado, era tão engraçado, pois estava sempre brava. Bem como a Dona Florinda do Chaves.
Nós duas demos risada.
A razão por fotografá-la era óbvia. A senhorinha era uma graça, usando seu belo cardigã de cor púrpura, vestido florido cor lilás na altura dos joelhos, uma maquiagem sutil sobre a face, os cabelos brancos na altura dos ombros formando várias ondas belas – que provavelmente foram causadas pelos típicos rolinhos que ela citou. Ela tinha um olhar doce, olhos azuis intensos, uma aura confortante. E claramente seus traços, mesmo que desgastados pelo tempo, provavam que tinha uma beleza estonteante quando jovem.
— Por favor, sente-se um pouco. — Ela indicou o espaço ao seu lado.
Não pestanejei, meio sem jeito acatei ao seu pedido e passamos a encarar o cenário verde com as crianças brincando no parquinho. Não sei dizer o quê, mas tinha algo naquela mulher que me atraía, como se ela fosse um mistério. Era inevitável não me aproximar mais e desejar lê-la nas entrelinhas.
Agora mais próxima consigo sentir seu cheiro, um aroma profundo e intrigante. Uma nota sutil de madeira envelhecida misturada ao toque doce e melancólico de violetas secas. Ela é como uma biblioteca antiga, deixava o rastro de incenso defumado, evocando um mistério envolvente e uma sabedoria acumulada pelo tempo.
— Me chamo Moira, é um prazer te conhecer.
Por um instante, vejo o reflexo do lago congelado nos olhos mágicos de Moira e sinto meu coração vacilar. Há algo nela que me desconcerta, uma aura quase etérea. Parece que estou, de novo, flutuando entre a realidade e o pesadelo.
— Selene.
— Selene. — Ela repete, aparentando fascínio. — Você claramente não precisa de rolinhos, que cabelo lindo, moça.
— Ah… obrigada. Posso não precisar, mas certamente tenho trabalho em dobro para deixá-lo assim. — Comento risonha.
Meu cabelo é bem cacheado e volumoso, hoje ele acordou decidindo que ficaria lindo e acho que esses são os meus melhores dias de autoestima.
— Me desculpe mesmo por tirar aquela foto sem pedir sua permissão…
— Não precisa se desculpar por isso. Eu e meu amiguinho aqui estamos aqui para ser modelos. — Ela dá risada e aproveita para acariciar o topo da cabeça do gatinho tricolor ao seu lado. O animal ronrona alto e fecha os olhinhos, depois deita-se encolhidinho perto da mulher.
— Agradeço a compreensão. — Sorrio sem graça e solto um suspiro. — Bom, eu até gostaria de passar mais tempo, mas tenho que ir ao meu estúdio antes de voltar para casa.
— Oh, hoje é véspera de Natal, querida, não deveria estar trabalhando tanto.
— Não estou trabalhando, fico vagando por esses locais em específico pronta para capturar várias famílias e amigos que querem eternizar esse momento mágico em uma foto. É uma tradição minha que gosto muito de cumprir. E é claro, um presente, não cobro por essas fotografias. Minha recompensa é arrancar sorrisos por aí. — Explico a ela que me observa com interesse. — Ah, inclusive, fique com a sua foto. — Ofereço a impressão que esteve o tempo todo em minha mão, a imagem refletida já havia se revelado diante da exposição à luz.
— Não, não… por favor, fique com ela como um presente de uma desconhecida. — Ela abanou as mãos em negação. — Ah, pois… como se você fosse querer a foto de uma velha. — E ri.
— É claro que quero! Fotos são memórias preciosas. Estou levando uma coleção comigo para casa hoje. É algo que gosto de fazer, sabe? Colecionar memórias. E como foi um prazer conhecê-la, sua foto é um presente lindo, obrigada.
— Fico feliz em ouvir isso, menina. — Ela leva sua mão até a minha apoiada no banco e aperta muito rapidamente com sutileza.
O toque não dura nem um segundo, mas ainda assim é o suficiente para sentir uma vibração poderosa emanar do seu ser. Arregalo os olhos um pouco assustada e assim que ela recolhe sua mão, me retraio, trazendo-a contra o meu peito, segurando-a firmemente na tentativa de me proteger e dissipar a energia.
A senhora não repara em meu desconforto, visto que voltou sua atenção ao gatinho, acariciando seu pelo.
Não dou a mínima para o que quer que seja isso. Preciso dar o fora daqui e sua distração é a minha deixa, me levanto pronta para me despedir.
— Eu preciso ir, obrigada pela conversa.
Moira apenas assente suavemente, dando-me um sorriso simples. Eu poderia simplesmente ter saído correndo dali, mas uma voz irritante da minha consciência me fez ficar preocupada. Tantas pessoas em idade avançada são encontradas vagando por aí, perdidas, sofrendo o mal da velhice, me ocorreu se não era o caso da dona Moira.
— A senhora está sozinha? Quer que eu ligue para alguém a buscar?
— Não, não se preocupe comigo, minha filha foi à padaria logo ali, estou esperando-a enquanto aproveito o sol.
— Ah, entendi, vou deixá-la em seu momento de paz. Foi um prazer te conhecer, dona Moira. — Sorrio para ela.
— O prazer foi meu, obrigada por dar atenção a essa velhinha sem graça.
— Capaz, a senhora é um doce. Espero encontrá-la por aqui mais vezes.
— Eu também espero, querida Selene; eu também espero.
Aceno para ela e lhe dou um último sorriso, assim que giro sob meus calcanhares a ouço me chamar e volto minha atenção a ela, que agora está de pé.
— Sim?
Uma sensação estranha ronda minha mente, alertando-me de um perigo que não posso ver. Parecia que algo além da nossa compreensão nos envolvia em uma bolha sobrenatural.
Um formigamento doloroso começou a subir pelas minhas pernas e pelas pontas dos meus dedos. Senti como se o universo tivesse parado, os ponteiros do relógio congelaram, o vento passava de maneira mais sutil ao nosso redor, ao fundo ainda podia ouvir os gritinhos das criancinhas no parque, mas em um volume consideravelmente mais baixo e abafado.
Seus olhos azuis me prendiam como um pêndulo, mantendo-me refém de seu hipnotismo.
E juro que os vi se tornarem lilases, mesmo que sutilmente, como se fossem iluminados de dentro para fora. O frio inexplicável volta a me envolver, e a sensação de perigo se instala. Tento sorrir, mas minha expressão fica congelada, incapaz de ignorar o arrepio que percorre minha espinha.
Moira me analisa com cuidado, como se criasse coragem para dizer algo e não demora para que o faça…
— O que você viu, Selene? — A senhora questiona, seus olhos refletindo preocupação. E sei perfeitamente do que ela está falando.
Sua presença é um porto seguro, mas o que sinto é uma tempestade.
Engolindo seco, imediatamente um nó se forma em minha garganta. Observando a mulher diante de mim, sinto um misto de emoções e minha boca decide não obedecer ao meu cérebro. Ou será que ela tinha controle sobre mim?
— Um pesadelo. — A resposta escapa por meus lábios e imediatamente me arrependo, não deveria falar sobre minha vida pessoal para uma estranha. Contudo, não sei o que está acontecendo. É algo além das minhas forças. E continuo: — Algo que gostaria de esquecer, mas que persiste em voltar… parece estar preso dentro de mim, como parte da minha própria pele. Tento escapar, mas ele se agarra com tanta força que às vezes me pergunto se estou vivendo nele ou se ele está vivendo em mim. É como uma sombra que me acompanha em silêncio, esperando o momento certo para me engolir de vez. — Minha voz falha, sinto uma lágrima escorregar. Me perco em pensamentos sobre o que vi. A imagem do lago ainda persiste, como uma cicatriz fresca.
Moira me observa com um olhar compreensivo e até um pouco entristecido. Ela inclina levemente a cabeça, como se estivesse pesando cada palavra que eu disse. Há algo nos olhos dela que parece ver mais do que eu mesma consigo enxergar.
— Pesadelos, minha querida, podem nos contar mais sobre nós mesmos do que qualquer espelho. — Ela diz em um tom calmo e maternal. — Às vezes, são as partes da nossa alma gritando por uma saída.
Essas palavras tocam fundo em mim. Uma sensação de compreensão, algo que eu sempre soube, mas nunca consegui colocar em palavras, reverbera no fundo do meu ser.
— Talvez esteja certa… — Respondo hesitante. — Mas não sei se quero ouvir o que esse pesadelo tem a dizer.
Moira dá um leve sorriso, o gatinho volta a roçar suas canelas num loop infinito. Ele mia de forma quase cúmplice, como se também soubesse de algo que eu desconheço.
— Apenas lembre-se, Selene, que os sonhos, mesmo os ruins, são janelas. E é preciso coragem para olhar através delas. Talvez um dia, você consiga transformar esse pesadelo em algo belo, como faz com suas fotografias.
Não conseguia visualizar os meus amanhãs, não existia a possibilidade de uma vida além da minha dor. Isso é tudo que me restou…
— Você precisa falar sobre isso, Selene. — A voz de Moira é firme, mas suave, me tirando do meu torpor.
— Eu sei… — Respondo, mas o restante das palavras se entala na minha garganta. Como posso explicar o inexplicável? — Mas se eu falar… tudo aquilo vai voltar a ser real. Estaria dando poder para a dor.
— Querida, a dor foi feita para ser sentida. A dor é nada mais do que sua. Ela foi feita para te transformar. Como uma lagarta em sua crisálida, se ela fugir da metamorfose, jamais poderá contemplar a dádiva de voar.
Mais lágrimas intrusas escapam de meus olhos e Moira leva suas mãos às minhas, segurando-as com delicadeza. Dessa vez não há choque algum. Sinto sua pele enrugada, macia e quente acalentando minhas mãos gélidas, me envolvendo em um bálsamo de ternura, e, por um momento, a dor desaparece. Eu posso respirar.
Foco em seus olhos quando ela diz:
— Seu coração está soterrado sob densas camadas de neve, você se afoga um pouco mais, presa entre a escuridão e a superfície. Eis que o destino surgiu para ti, Selene, um chamado muito maior se aproxima do seu coração. O sol quer voltar a nascer e quer fazer isso com força. Não tema, minha filha, o primeiro trinco surgiu na superfície, em breve a neve começará a derreter. Ninguém está vindo lhe salvar. Só você pode ser sua própria heroína. Portanto, lute por você. Comece a nadar, comece a cavar. Talvez seja hora de revisitar suas cicatrizes em formato de memórias.
Essas palavras ecoam em minha mente, como uma promessa sussurrada. Embora me esforce para processar tudo o que ela disse, no momento não estou apta, sinto um peso estranhamente reconfortante no peito.
Dou um passo para trás, sentindo o chão sob meus pés mais instável, e percebo que minhas mãos ainda seguravam a foto dela. Quando olho novamente para a imagem, o rosto de Moira parece embaçado, quase deformado, como se a lente tivesse capturado algo que meus olhos não puderam ver.
Seu olhar é profundo e parece mergulhar em minha alma. E, por alguma razão, tenho a estranha sensação de que essa não será a última vez que nos encontraremos. Estou paralisada, observando seus olhos transitando entre a cor lilás e púrpura. Um céu roxo com estrelas salpicadas.
Por um instante, vejo o reflexo do lago congelado nos olhos místicos de Moira e sinto meu coração vacilar.
Imagens do lago ressoam em minha mente como flashes sutis se misturando ao cenário do parque em minha realidade. Tudo está congelado, bancos de neve se reúnem aos montes, as árvores perderam suas folhas e agora carregam geada branca em seus galhos enfeitados com pingentes afiados.
Está frio.
Sua boca se aproxima do meu ouvido e ouço um sussurro:
— Acorde…

E nos meus sonhos
Encontro os fantasmas de todas as pessoas que vieram e partiram
Lembranças, elas aparecem tão rapidamente
Mas te deixam cedo demais
Ingênuo, eu estava apenas encarando o cano de uma arma
High Hopes – Kodaline

Abro os olhos assustada e me dou conta que estou dentro do meu próprio carro, estacionada na rua em frente ao parque, paralisada… com o coração batendo a ponto de explodir, meus pulmões mal conseguem processar o ar, sentindo gradualmente minha alma se assentar em meu corpo.
O que aconteceu?
Num instante estava falando com aquela senhora, noutro estava dormindo?
Não.
Não podia ser um sonho.
Através do para-brisa olho para o parque e tento desesperadamente encontrar aquele cardigã roxo, vasculho cada centímetro e… nada.
Saio do carro e levo uma buzinada por abrir a porta de supetão e quase tê-la arrancada por um veículo que passava, atravesso a rua e paro diante do local ainda procurando pela tal senhora.
E nada.
Ela simplesmente sumiu e levou consigo toda a minha sanidade.
Volto para dentro do carro às pressas, arranco a pochete em minha cintura que está pesada de fotos tiradas nesses últimos dias. Meu carro é inundado por uma chuva de fotografias polaroid que se espalham por todos os cantos. E começo a vasculhar entre elas na esperança de encontrar aquela foto.
E nada.
Sinto que talvez tenha encontrado um pedaço de um enigma que nunca quis desvendar.
Suspiro pesado e prestes a explodir, decido ir para um lugar menos público onde posso procurar com cautela, imediatamente ligo o veículo. Encaro meus olhos úmidos através do retrovisor como um ato de coragem para finalmente me colocar em movimento.
Uma determinação surge dentro de mim; a esperança de encontrar aquele fragmento de realidade em formato de foto se torna uma âncora em minha mente, mesmo enquanto a sanidade se desvanece. O que busco não é apenas uma imagem… é a chave para a minha própria identidade perdida.
Toda vez que fecho os olhos… o pesadelo volta, mais intenso e mais próximo, como se estivesse me preparando para devorar minha lucidez. Pergunto-me quanto tempo posso suportar essa tortura. A linha entre a realidade e o terror começa a se desfazer, deixando-me em dúvida sobre o que é verdade e o que é apenas uma sombra da minha mente. Não sei quanto tempo posso aguentar isso.
Só há uma forma de comprovar que não perdi completamente a minha cabeça. E a prova está nas fotografias.

E a velha viúva vai para o túmulo todos os dias
Mas eu não, eu apenas sento aqui e espero
Em luto pelos vivos
Oh, maldição
Minha dor cabe na palma da sua mão gelada
Ivy – Taylor Swift
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Comentários
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Camilla
Enquanto eu lia esse capítulo, eu só conseguia pensar na cor azul. O frio é tão poeticamente narrado, que me arrepiei só de imaginar. Lindo, mil vezes lindo.