Nove
me eternize como uma memória, antes que eu exploda como uma estrela
Abril, 2023
Já havia anoitecido e podia-se ver as estrelas, além de um vestígio suave de laranja pôr-do-sol. Kássia e Suzane estavam deitadas na torre, admirando o céu, contando estrelas, parecia ser um bom momento para se eternizar.
— Kass, me explique novamente sobre as estrelas… — Pediu, apertando seus dedos entrelaçados aos da surfista. Desde que se tocaram assim pela primeira vez, não conseguiram mais se desfazer.
E assim se dispôs a falar tudo que sabia a respeito dos astros:
— As Estrelas são corpos celestes com luz própria. Elas são, na verdade, esferas gigantes compostas de gases que produzem reações nucleares, mas, graças à gravidade, podem se manter vivas – sem explodir – por trilhões de anos.
E continuou:
“Na nossa galáxia – a Via-Láctea – existem mais de cem bilhões de estrelas. O Sol é uma delas.
Estrelas podem parecer lindas vistas da terra, porém sua formação é uma mistura perigosa e violenta. As nebulosas – nuvens formadas de poeira e gás – se contraem e formam uma esfera. Ao se retrair, o gás se concentra lentamente e aquece milhões de graus, num processo violento que pode levar milhões de anos. Assim, é formada uma protoestrela e, somente após atingir uma temperatura altíssima, têm início as reações nucleares das quais resultam as estrelas.
E seu tamanho pode parecer grande ao se referir ao Sol, mas saiba que o Sol é uma estrela considerada pequena. No entanto, ele tem um diâmetro de 1 milhão e meio de quilômetros – equivalente a cerca de 1 milhão de planetas Terra.
Existem estrelas que são 1 bilhão de vezes maiores do que o Sol.
Existem estrelas vermelhas, amarelas, brancas e azuis.
As estrelas emitem luzes de cores diferentes em decorrência da sua temperatura. As vermelhas, com cerca de 3000º C, são as que têm a temperatura mais baixa; enquanto com cerca de 40000º C as azuis são as que têm a temperatura mais alta.”
Suzane ouvia tudo atentamente, imersa em fascinação pelo cérebro intelectual da garota que gosta. Ouvia como se fosse a primeira vez, afinal sempre se esquecia de certas coisas e precisava aprender tudo de novo. Kássia já sabia que ela tinha dificuldade para aprender, devido ao seu déficit de atenção. Além de que, Suzane não podia fazer várias atividades que exigiam muito desempenho, como educação física ou surfe, pois, possuía problemas cardíacos.
— As estrelas morrem? — Perguntou olhando para sua fonte viva Wikipédia[1].
Kássia tem certeza que já falou sobre tudo isso mil vezes para Suzane, mas mesmo assim repetia, tinha prazer em ensiná-la.
— As estrelas morrem após gastar o seu combustível, quanto maior a sua dimensão mais combustível elas consomem. Primeiro, as estrelas gastam o hidrogênio e quando isso acontece as estrelas envelhecem. A seguir, começam a gastar o hélio e isso faz com que elas cresçam muito, de modo que sua temperatura diminui, tornando-a vermelha. Assim, nesse estágio as estrelas são classificadas como gigantes vermelhas. — Explicou, atentando-se ao rosto de Suze, analisando as expressões confusas que surgiam. O propósito por trás daquele assunto a preocupava. Naquele momento o clima parecia um tanto quanto mórbido.
— Você sabia que um dia o Sol vai morrer? — Suzane indagou de maneira súbita, um nó se formou em sua garganta e Kássia pode vê-la engoli-lo com dificuldade. Suas mãos se apertaram, devido à tensão que se apoderou de seu corpo.
— Já é do nosso conhecimento que, em um dia muito longínquo, o Sol vai “morrer”, engolindo os planetas rochosos durante sua expansão, incluindo a Terra, que será devastada no processo. — Respondeu prontamente, observando os olhos de Suzane ficarem úmidos.
— Toda vida na Terra vai morrer. Tudo será esquecido… — Essa era sua maior preocupação, quem falaria sobre as vidas espetaculares que habitaram o planeta Terra quando não existisse mais?
— Suze… o Sol só vai chegar ao fim de sua vida daqui a cerca de 10 bilhões de anos. Não precisamos entrar em estado de alerta. Nós certamente não estaremos mais por aqui para presenciar o apocalipse da Terra causado pelo Sol. Além disso, com certeza buscaremos outras moradas no espaço, se quisermos continuar existindo enquanto espécie. — Explicou a garota nerd.
— Mas será que vamos mesmo querer continuar existindo? — Buscou refúgio em Kássia, aninhando-se mais ao seu corpo, deitando sua cabeça sobre o colo da mesma. Algumas pessoas realmente não se importavam com a própria vida, sempre desmerecendo o fato de existir em qualquer oportunidade, o que era estranho já que elas estão vivas e moram aqui. Para Suze, a vida era um milagre.
— É claro que sim, o ser humano teme a morte, quem dirá a extinção. — Concluiu por fim, vendo a expressão da menina suavizar gradualmente. Fazia carícias nos cabelos alheios, tentando acalmá-la assim, ajeitando os fios rebeldes atrás de sua orelha.
Por mais que muitos humanos pregassem o oposto quando em momentos dificultosos da vida, ainda, sim, temiam a morte.
— Não acho que eu seja como o Sol, pois não vai levar bilhões de anos. — Refletiu com a voz baixa.
Uma ruga de indagação e preocupação surgiu na testa de Kássia.
— O que está dizendo?
Suzane sentou-se subitamente para ficar frente a frente de Kássia, com ambos os joelhos se tocando, visto que estavam sentadas de pernas cruzadas.
— Eu sou uma gigante estrela vermelha… — Suzane soltou de repente, alcançou as duas mãos alheias e segurando-as com força, agarrando-se ao seu porto-seguro. — Eu te amo, Kássia, por favor, não se esqueça de mim…
Aqueles olhos azuis como um céu sem nuvens lhe imploravam, Kássia a olhou assustada e viu suas íris ficarem brilhantes de lágrimas. Odiava ver seu rosto carregando expressões tão tristes. Doía, e como doía.
— Me diga como eu poderia esquecer da atípica noite que uma estrela-cadente caiu do céu e explodiu dentro de mim? — Indagou como se um segredo por fim fosse revelado.
Suzane foi o evento mais singular em sua vida, mudou tudo para sempre, nem que se esforçasse com a força do inferno poderia esquecê-la. Afinal, era mais que óbvio que Kássia amasse profundamente Suzane.
As mãos desataram e foram subindo por ambos os braços, caminhando lentamente até os ombros, unindo os troncos em um abraço apertado. A respiração de Kássia batia em seu pescoço, os lábios de Suzane roçaram a pele quente de sua bochecha, gradualmente os lábios se atraíam como ímãs, destinados a serem selados.
Curiosamente, All Too Well (10 Minute Version) da cantora Taylor Swift soava do velho radinho, mesmo que a letra não condissesse com a sua história, a melodia era a trilha sonora perfeita. Finalmente, os lábios se roçaram cheios de ansiedade e expectativas, um fez pressão sobre o outro, num selinho casto. Foi tão claro e simples quanto a luz do dia. Como ser arrancado de um quarto escuro. O beijo foi tomando intensidade, ainda que de maneira gradual, mas cheio de sentimentos, os corações explodiram, o ar em seus pulmões desapareceu… e mesmo que não fosse verão, era somente Kássia e Suzane sob a sua própria noite de verão.
Suas línguas se tocaram, a sensação de macio e úmido era tão gostoso, arrancavam-lhe suspiros e quando suas vozes vibravam em sintonia, parecia um beijo de alma. Arrepios jamais sentidos tomaram conta de seus corpos. Era inesperado, mas recíproco. Um momento sincero, casto e puro.
Os beijos não pareciam ser suficientes para a explosão solar de amor que acontecia em seus interiores. Ansiavam por finalmente eternizarem aquele momento de uma maneira inesperada, a união prazerosa de seus corpos.
— Eu quero provar… — Murmurou Kássia, em meio aos beijos das bocas famintas que recusavam se afastar, mesmo sem fôlego.
— O quê? — Suze resfolegou.
— De você. Quero te sentir, Suzane, anseio por esse momento desde que descobri que te amo. — Segredou, finalmente.
Suze perdeu completamente o ar dos seus pulmões e afastou seus lábios para poderem se encararem nos olhos. Era franco. Aquele desejo, o pedido, eram tão sinceros. E se ela fosse honesta, sentia-se do mesmo jeito.
— E-eu… não sei fazer isso… sexo. Não sei nada sobre isso, Kass. — Confessou, insegura.
— Eu também não sei, Suze. Nunca fiquei com ninguém. — Respondeu.
— Sério, tipo nem com garotos? — Suzane indagou, surpresa. Pensava que Kássia já houvesse namorado antes.
— Credo, muito menos homens! Que nojo! — Kássia brincou, fazendo-a rir. Levou sua mão até o rosto da garota, colocando um fio rebelde atrás da orelha. — É a minha primeira vez também. Mas a verdadeira questão não é saber fazer sexo, Suze, e sim se você se sente pronta para tentar isso comigo, com erros e descobrindo os acertos. Se você quer isso.
Suzane mordeu os lábios enquanto ponderava, era óbvio que queria e muito, mas estava tão nervosa, ansiosa e tudo mais que seu cérebro estava falhando em formular frases, quem dirá dizê-las. Respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos, quando os abriu lentamente, a figura de Kássia estava diante de si e ela enxergou todas as estrelas em seus olhos.
— Eu te quero muito, muito, muito, Kass. — Confessou como um sopro de liberdade.
Kássia sorriu imenso, segurando o rosto da garota para distribuir beijos por toda a pele salpicada de pequenas efélides. Se beijaram mais, degustando da novidade deliciosa. Curtiram os lábios alheios por longos minutos, agora com movimentos mais ousados, Suzane estava sentada sobre o quadril da jovem. Sentia um aperto em seu íntimo que a fazia suplicar por mais.
— Devagar e com calma. — Sussurrou a surfista.
— Devagar e com muita calma. — Suze riu, levando seus dedos até a barra de sua blusa, lentamente despiu-se da peça, não gostava de usar sutiã e não via a necessidade por seus seios serem tão miúdos, portanto, estava completamente nua em seu tronco.
Kássia ergueu as sobrancelhas com a quantidade de pintinhas espalhadas pela epiderme da garota, como poeira estelar. Parecia mesmo um mapa que a guiava por sua pele.
— Eu posso? — Pediu permissão e recebeu um acenar suave da mais nova.
Com a permissão concedida, sua mão foi em direção ao corpo alheio e Suze notou o quanto ela tremia, segurou sua mão com firmeza e levou-a até sua clavícula, que foi lentamente explorada. As mãos quentes amaciaram seus ombros, seu pescoço e os polegares contornaram sua boca. Suze caiu para trás com as mãos espalmadas no chão, apoiando-se sobre os braços e permanecendo inclinada completamente para trás. Ela via o céu enquanto sentia os toques macios que exploravam seu corpo.
Kássia deslizou pelas laterais do seu tronco para alcançar sua barriga e quando rodeou o contorno do umbigo arrancou risadas de Suzane, além de fazer sua barriga tremer com as cócegas.
— Isso é golpe baixo! — Reclamou, corrigindo sua postura para tornar a sentar-se sobre suas coxas.
— É fofo. — Kass deu risada, mas soube que se não quisesse estragar o clima não deveria tocar aquela área novamente.
— Deixe-me te ajudar com isso. — Disse Suze, levando suas mãos até a barra do moletom alheio, tirou-o com auxílio. A mesma possuía seios muito maiores que os seus, o que a intimidou, inicialmente. — Caramba!
Kássia deu risada.
— Não liga para isso, tamanho com certeza não faz diferença nenhuma! — Garantiu secando descaradamente os seios delicados da garota. Eles eram tão lindos quanto os seus.
Entretanto, Suzane não pode se preocupar com tamanho de seios quando estava vendo a pele da garota exposta só para si. E era linda, caramba, como Kássia era linda. Havia algo que brilhava em cada pequena célula dela que era impossível ignorar.
A surfista não usava sutiã e sim um top, o que foi bem mais fácil de se desfazer. Suzane não poupou tempo, estava ansiosa demais. Suas mãos subiram pelo abdômen possuidor de uma camada definida de músculos devido aos esportes que praticava. Seus olhos devoraram cada desenho significativo estampado em sua pele, deslizando as digitais pelos contornos. E foram subindo, até encher suas mãos com os seios fartos e dedilhar os mamilos eriçados com todo cuidado, sempre analisando as reações de sua amada.
Era sobre o carinho que possuíam ao se tocarem, havia algo especial em se amar com respeito a ponto de se preocupar tanto com os limites um do outro.
As duas se encararam com os troncos desnudos e uniram seus corpos em um abraço quente, seus mamilos roçaram um contra o outro e o abraço se apertava, enchendo-as de sensações intensas demais. A forma como Kássia a segurava em seus braços era única, como se a devorasse e não fosse deixá-la escapar nem que o céu desabasse sobre suas cabeças.
Delicadamente, a surfista deitou o corpo alheio na manta de arco-íris que sempre traziam consigo, depositou beijos suaves por toda a derme, arrancando suspiros profundos e arrepios visíveis. Seus lábios fizeram um tour por seu rosto, o pescoço, os seios e a barriga até alcançar a barra de seu jeans.
Kássia levantou os olhos para assistir às respostas na face de Suzane e seu corpo gritava um sim tão alto que era impossível ignorar. Para enfatizar, balançou a cabeça positiva e freneticamente, arrancando-lhe um sorrisão. De forma atenciosa, Kass desamarrou e removeu o par de all-star azul que calçavam os pés da garota – e como ela amava aqueles tênis. Seguidamente, com muita delicadeza, se livrou das peças restantes da garota e quando se deu conta, ela estava entregue a si.
— Você certamente vai ver as estrelas porque elas estão sobre nossas cabeças, mas essa noite farei você senti-las. — Anunciou antes de finalmente tocá-la como ela tanto queria.
O momento se tornou singular, era só delas e de mais ninguém. Sem medo, pele com pele. Carregavam apenas certezas do que sentiam, entregando-se de corpo e alma, eternizando esse momento diante de todas as estrelas enquanto com toda certeza podiam tocá-las e senti-las.
Não era verão, mas a sensação era como se fosse.
![]()
Tarde da noite, Suzane pedalava suavemente de volta para casa enquanto Kássia segurava em seus ombros e aproveitava a carona de pé sobre o skate que deslizava no chão conforme era puxada. Sorriam livres, sentindo a brisa fresca as envolver, a noite estava mágica, havia sido incrível do início ao fim, considerando o que haviam acabado de fazer.
Pararam de frente a casa dos Carolino, as garotas não perderam tempo em se abraçarem e trocarem mais selares carinhosos.
— Tenho algo para você, já faz muito tempo que estou guardando isso, confesso. Acredito que essa é a noite perfeita para finalmente te presentear… — Disse Kássia, removendo a mochila pesada de seus ombros para procurar a tal coisa num dos pequenos bolsos.
Suzane assistia tudo com curiosidade, tentando imaginar do que se tratava e de tudo que cogitou, não passou nem perto do que realmente era.
— Fecha os olhos. — Pediu sorridente. — E estenda as duas mãos.
O coração da filha dos Carolinos parecia que ia parar a qualquer momento.
— O que está planejando, Kássia de Luna? — Questionou, erguendo apenas uma sobrancelha em confusão.
— Confia em mim, baixinha.
Suzane suspirou e fez o que ela pediu.
Kássia pegou sua mão esquerda, virou a palma para cima e suavemente deslizou algo pela extensão do seu dedo anelar. Sem permissão, Suzane escancarou os olhos se deparando com um lindo anel de concha do mar firmado por uma estrutura dourada. Era belo. Simplesmente delicado, genuíno e lindo…
— Kássia…
— Suzane…
— E-eu… nem tenho nada para te dar. — Suspirou emocionada. Então seu cérebro raciocinou e finalmente entendeu o que aquilo significava. — AI MEU DEUS. Meu deus, você tá me pedindo em namoro?
Kássia deu risada.
— Se a resposta for não, então não! — Brincou a grandona. — Suzane, eu não esperava que as coisas fossem dar um salto tão grande. Era para eu te pedir em namoro primeiro, mas as coisas simplesmente aconteceram hoje e eu não mudaria nada do momento em que me senti tão viva com você… Enfim, só quero que saiba que para mim o que aconteceu foi muito importante e não quero nem por um momento que você duvide das minhas reais intenções com você. — Explicou, morrendo de medo de ser mal compreendida.
Suze negou suavemente, ela não mudaria nenhuma vírgula do curso que as coisas tomaram. Ela só sabia que estava tão feliz que poderia explodir de tanta felicidade e se tornar um gigante buraco negro só para devorar estrelas.
— Kássia, eu simplesmente te amo. Irrevogável, intenso e completamente. Eu te adoro. E sim, mil vezes, sim, eu aceito ser a sua namorada. — Respondeu ansiosamente e puxou a grandalhona para si pela gola do moletom, grudando sua boca na dela com toda vontade do mundo, com o peito explodindo de paixão.
Suzane não tinha muitas certezas na vida, mas ela tinha absoluta convicção de amar aquela garota. Quando se afastaram, ouviram assobios, algazarra e palmas. Seus rostos viraram assustados na direção do barulho, eram seus pais que assistiam tudo da varanda e vibravam em comemoração por elas finalmente assumirem seus sentimentos.
As meninas ficaram envergonhadas, mas não tardaram a se juntarem à bagunça. Suzane pode exibir seu anel, deixando seus pais realmente impressionados com as atitudes de sua namorada. Inclusive, quando Kássia achou a concha na praia, não pensou duas vezes antes de levá-la a Ítalo, que a transformou nesse lindo anel. Portanto, ele já sabia muito bem das intenções da garota com sua filha e estava ansioso pelo momento que a joia seria dada a ela.
Terminaram o dia comendo um baita hambúrguer enquanto assistiam a um programa de variedades na tv. Kássia aviou seu melhor amigo que passaria a noite na casa dos Carolino.
Ítalo escancarou a porta do quarto de Suzane e disse:
— É bom manter isso aqui bem aberto a noite toda. — E lançou um olhar matador para Kássia que encolheu os ombros e assentiu freneticamente.
— Pai, para com isso. — Suzane pediu, dando risada. Pegou a mão da namorada e a puxou para dentro de seu quarto.
Era a primeira vez dela ali, nunca havia conhecido o universo particular de sua, agora, namorada e era surreal. Ficou espantada com a quantidade de bilhetes, fotografias e diários espalhados por todos os cantos.
— Eu sei, faço muita bagunça, mas não ligue. — Disse Suzane, colhendo papéis espalhados e pilhando tudo num canto. — Vou forrar o colchão para você.
Kássia deixou a mochila de lado e tirou os sapatos, era muita informação espalhada pelas paredes, começou a se questionar qual o intuito de tanto.
— É que gosto de, sei lá, expor as minhas memórias, vê-las, sabe? Me causa boas sensações. — Explicou ao reparar o espanto da namorada.
— Hm, tudo bem. Só estranho ver a minha cara impressa em todo lugar. — Deu de ombros.
Suzane riu baixo, para descontrair.
— Eu não posso acordar todos os dias e me apaixonar de novo pela beleza da minha namorada? — Questionou fazendo uma careta engraçada.
— Isso é bizarro, você sabe, né? Tipo psicopata. — Brincou Kass.
— Uma vibe mais Norman Bates[2]? Adoro! — Suzane entrou na brincadeira. — Mas falando sério, eu não sou psicopata. Só gosto de você.
Kássia relaxou e sorriu satisfeita.
— Gosto disso. — Confessou e isso a fez ficar mais tranquila. — Gosto mais ainda de saber que vou poder segurar sua mão enquanto dormimos.
Sorriram uma para a outra e se aprontaram em tomar banho, escovar os dentes, fazer a skincare noturna de Suze para finalmente irem se deitar. As luzes foram apagadas e deixaram apenas a luminária galáctica refletindo estrelas e planetas no teto do quarto. Suzane deitada em sua cama, Kássia no colchão ao lado e suas mãos unidas.
Suze se pegou suplicando ao universo que pudesse acordar no dia seguinte, se lembrando de tudo que viveram nessa noite. E só por um dia, ele a ouviu…
[1] Wikipédia é uma enciclopédia de conteúdo livre e construído de forma colaborativa.
[2] Norman Bates é um personagem fictício criado pelo autor americano Robert Bloch como o principal antagonista em seu romance de suspense de 1959, Psicose.
Gostou do capítulo?
Indique para um amigo
Compartilhar
Faça parte do Clube de Leitores da Raposa
Está gostando da leitura?
Deixe seu e-mail aqui embaixo.
Ao se inscrever, você concorda com a nossa Política de Privacidade.
Comentários