Quinze

você é quem decide o que será eterno em seu coração

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Setembro, 2030

 

Suzane abriu os olhos com o som do despertador, logo sentiu a presença de um objeto estranho em suas mãos, ergueu-o e se deu conta que era um pequeno caderno de capa bonita, havia várias fotos nele. Reconhecia algumas pessoas e outras não, então o despertador parou de soar e logo uma voz preencheu o quarto iluminado pela luz natural.

— Oi, Suze, sou eu, a Suzane, sim, eu sou você. Não se desespere, está tudo bem, é só mais um dia começando. Você tem 26 anos, e ainda vive em Calisto numa casa com jardim de praia e bem pertinho dos seus pais. Você mora com sua esposa, o nome dela é Kássia, se olhar para o mural de fotos a sua frente ou para o caderno em suas mãos, você vai saber que ela é a mulher alto de pele bronzeada e um charmoso cabelo afro. Essas são as fotos que você tirou dela. Sim, Suzane, você a ama muito… Como vocês se conheceram? Ah, esse é um fato muito importante que não posso deixar você se esquecer…

Próximo dali, Kássia tomava café na varanda de sua casa, assistindo ao mar pouco agitado no horizonte, ouvia o gravador repetir a gravação para sua esposa. E era assim todos os dias, ela ia dormir dizendo que a amava e acordava se esquecendo de tudo. Mas juntas, planejaram tudo. Quando Kássia acorda primeiro, ela coloca o caderno nas mãos de Suzane e sai do quarto. É melhor que acorde sozinha para não se assustar com uma estranha dormindo ao seu lado. Posteriormente, o despertador a acorda e começa a tocar a fita com as informações que precisa saber.

Às vezes Suzane se lembra e então o dia é perfeito. Outras vezes ela fica confusa, alguns surtos acontecem, faz parte. E seus pais estão ao lado para ajudá-las a lidar com isso.

O importante é quando ela se lembra e aqueles olhos cor de céu brilham para Kássia, abrindo um sorriso bonito. Ou quando Suzane conta os momentos vividos juntas, só para ouvir sua parceira confirmar que são reais. Passados significativos. Noites de verão. Crepúsculos e céu estrelado. Memórias que seu coração se recusava a esquecer.

E quando ela não se lembra, Kássia permanece amando-a. Porque o que sente pela mulher de olhos azuis, é como um buraco negro navegando pela galáxia, infinito.

Abriu a porta de correr e apareceu no quarto, os olhos de Suzane se encontraram com os seus, seu rosto abriu um sorriso imenso, então Kássia soube que, hoje, ela havia se lembrando.

— Somos eternos no coração de quem nos ama verdadeiramente! — Recitou para sua amada, arrancando um belo sorriso emocionado da surfista que a abraçou e beijou.

Amar Kássia é como se apaixonar pela primeira vez todos os dias. Sabe quando você olha para a lua e subitamente se espanta com sua beleza? Como se fosse a primeira vez que está vendo-a? É bem assim que Suzane se sentia.

O amor, para ser belo, certamente não precisa ser eterno. Mas as verdades são absolutas, é incondicional e enquanto estiver dentro de si, o amor existirá. Mesmo que feche os olhos para dormir, ao abri-los pela manhã tenha se esquecido de tudo. Sua memória pode fracassar, mas seu coração, ele, sim, é verdade absoluta.

Quando Suzane lê e ouve sua história, seu coração pulsa acelerado, porque sua alma reconhece o tamanho do amor que ela sente por Kássia.

Memórias, você é quem decide o que será eterno em seu coração.

Suzane escolheu eternizar Kássia.

 


 

E eu sei que isso foi há muito tempo
E que não havia mais nada que eu pudesse fazer
E eu esqueço de você por tempo suficiente
Para esquecer a razão de precisar te esquecer
Porque lá estamos nós de novo, quando eu te amava tanto
Antes de você perder a única coisa real que você já conheceu
Eu recordo-me de tudo muito bem
All Too Well, Taylor Swift

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