CAPÍTULO ONZE
Um festival de revelações
1 de Fevereiro de 1899
Aproximadamente às 8h
Casarão do Conde de Anmak
RYU OSHIRO
Assim que a carruagem partiu com Milady e Icarus em direção a cidade, corri de imediato até os fundos da propriedade que pertencia ao Conde.
Atrás do casarão, há um belo e extenso pomar, se você seguir o caminho direito por entre as plantações irá encontrar um conjunto de casinhas antiquadas um tanto charmosas. Na frente de cada uma tem jardim pequeno, mas bem cuidado, é como um convite para entrar. A varandinha é conectada a três simples degraus de escada e uma rede está pendurada em uma das varandas. É ali onde os empregados vivem, cada família com sua casinha muito aconchegante e bem estruturada. Dá para viver uma vida inteira, feliz.
Sem desviar do meu foco, corro para encontrar minha esposa que a essa altura me esperava para desfrutarmos de um café da manhã juntos, já que por causa da sua indisposição, Jane deu-lhe folga e com toda a certeza aproveitaria esse dia junto dela.
É que a saudade queimava entre nós dois, tão forte e intensa que não tínhamos controle algum. Possuímos praticamente sete anos de casados, mas ainda estávamos nos anos dourados, onde o desejo era mais forte do que nós.
A distância, os fatos difíceis que enfrentamos nos fazia apreciar o casamento como se fossemos recém-casados. Com ela aqui, tão perto de mim, não existe possibilidade de manter o controle. Por isso, corro, fazendo meus pulmões queimarem e molhando meus sapatos nas poças d’águas deixadas pela chuva, mas corro, para vê-la.
E assim que piso na varanda da entrada da nossa casa, Liana abre a porta para mim, usando apenas a fina camisola que costuma vestir para dormir e matar de vez minha sanidade mental; com seus fios rebeldes estão soltos em volta do seu rosto angelical, desgrenhados em uma bagunça sensual que me faz ficar tenso só de olhar.
Nós compartilhamos o mesmo desejo, como se não tivéssemos feito sexo o suficiente antes de dormir nas últimas semanas que estivemos juntos. Sem dizer uma palavra ela pula em meus braços – enlaçando-me com suas belas pernas – e a seguro como posso, já que me falta uma de minhas mãos, mas isso não compromete meu desempenho.
Empurro a porta com um pé enquanto nossos corpos cambaleiam por nossa casinha e nossas bocas se devoram com fervor. Algumas panelas caem, esbarramos nos móveis, o caos é completo enquanto ela tenta arrancar a blusa que estou vestindo. O cheiro delicioso do café da manhã é deixado completamente de lado, mesmo com nossos estômagos roncando famintos, ignoramos esse fato, visto que o desejo é muito maior.
— Aqui! Me possua aqui mesmo, Ryu! — Ela pediu ou ordenou, só deus sabe.
A sentei sobre a bancada da cozinha, já extremamente duro. Concordo brevemente, mas sedenta, ela é mais rápida em levar sua mão até minha calça e adentrá-la por entre os panos até trazer meu falo rijo para fora, livre das roupas que o apertavam.
— Ah, céus… — Eu gemi trêmulo sentindo sua mão delicada sobre a pele fina e quente dessa parte tão íntima do meu corpo.
Não tínhamos mais o que esperar ou o que fazer. Por isso, afastei suas pernas e subi sua camisola até tê-la exposta para mim, pude ver toda sua insana necessidade escorrendo por suas coxas internas. Minha mulher necessitava-me com urgência, mas não pude evitar tocá-la com as pontas de meus dedos gélidos que escorreram suavemente pela protuberância do seu ponto sensível até o local quente onde, em breve, eu entraria com maestria.
— Ryu… — Ela choramingou fechando suas pernas com força e se contorcendo de necessidade, levando-me à loucura.
Pouco satisfeito, afasto minha mão rapidamente para abaixar um dos lados da alça de sua camisola e por fim expor seu seio inchado e um tanto apetitoso, salivando minha boca foi de encontro a ele e minha mão voltou para o meio de suas pernas, ela tremeu inteira gemendo alastrado, manhosa.
— Por favor!
— Shhh! — Minha mão foi até seus lábios e coloquei o dedo indicador sobre eles, pedindo para que se calasse. — Vou entrar em você.
Ela assentiu com o aviso, abriu as pernas novamente, me dando permissão. Seguro meu falo e o levo de encontro a fenda molhada que clamava por mim, ela olha nos meus olhos perdendo o fôlego quando a possuo mais uma vez dentro de todo esse mês que estivemos nos braços um do outro. E entro devagar, escorregando pela cavidade molhada e quente, deixando os arrepios fluírem entre nossos corpos, enquanto ela me recebe com vontade gemendo baixo do jeito que gosto.
Quando alcanço o limite dentro da sua intimidade, faço como gostamos, devagar, mais forte. Intenso, como a saudade que sentimos um do outro. Entro e saio enquanto repito mil vezes que a amo, enquanto ela geme alto e descomunal, apertando-me, arranhando-me, clamando o meu nome. E vê-la fechar os olhos e tremer de prazer era meu paraíso particular, é quando sei que era esse meu destino…
Amá-la.
E ela confirma e me retribui, dizendo o quanto também me ama.
Só me permito alcançar o ápice quando ela alcança o seu próprio, posteriormente implora para que eu me alivie dentro de si, e o faço com gosto, apertando seu corpo molengo de prazer, provocando espasmos deliciosos após o seu orgasmo. E ela sorri, como antes nunca sorria, e me olha apaixonada, me mostrando toda sua alma e o seu amor.
Ainda dentro dela, levo seu corpo para nossa cama, deitei-a com carinho e assim trocamos carícias e palavras carregadas de amor, até que nossas emoções se acalmam. Aprecio sua beleza no seu momento mais puro, não me canso de apreciar o seu ser. Não consigo não me apaixonar cada dia mais.
Toco a pele dourada e suada, deslizando minha palma com carinho, analiso calmamente cada mancha esbranquiçada que me deixa apaixonado, eu amo todos os pequenos detalhes da minha esposa. Afasto os fios encaracolados da sua testa, onde ali se grudaram devido ao suor. Seus olhos intensos brilham para mim, como um lembrete constante do seu coração, exibindo-me seus sentimentos.
— Como consigo ficar dias sem o seu olhar apaixonado? — Ela sorri tímida com suas bochechas rosadas. — Amo tanto você, Ryu.
E mais uma vez aquela vontade insana dentro de mim de pedir para que ela fique. Sou totalmente a favor de que Liana estude, quero que ela tenha o futuro que bem deseja, mas céus… Sinto tanta falta dela que dói. Ela fica longe por tanto tempo que seu cheiro se apaga da nossa cama e durmo no vazio silencioso, sofrendo por não tê-la em meus braços.
Não quero parecer egoísta, por isso me seguro, assim como me segurei por todos esses dias. No entanto, sem conseguir controlar, meu coração sai pela boca, quando digo:
— Então não vai, amor.
Meu timbre de voz falha, saindo trêmulo, um fio triste. Queria guardar essas emoções dentro de mim para não atrapalhá-la, mas a cada segundo juntos parece mais difícil.
E ela arregala os olhos diante do meu pedido e fica imóvel, sua mão para de fazer carinho em meus fios, sem palavras, tão pouco reação. Já que está dito, continuo…
— Liana, sei que odeia o casarão, sei que gosta de costurar e está aprendendo coisas incríveis em outro continente, mas… Se existir uma possibilidade de me entender, por favor, fica comigo. — Meus olhos se encheram de lágrimas, porque tudo isso machuca, toda nossa vida doía.
Entrar e sair do casarão é doloroso demais, pois ele também tem fantasmas para mim. Vi machucarem a mulher que eu amava e não pude fazer nada, entretanto, os bons momentos são muito maiores do que os ruins, é por isso que consigo suportar. Mas nada se compara a realidade de não tê-la aqui comigo.
— Quando você não está aqui, vivo por apenas existir. É como se todos os meus dias fossem escuros. Mas quando você vem e se coloca em meus braços, por Deus, Liana, sinto que o sol está de volta para mim. — Confesso meus sentimentos e ela de imediato me abraça com força.
Se ela me ama tanto, será que consegue ao menos ficar na nossa casinha comigo? Não precisa sequer entrar no casarão, entendo que é assustador demais para ela. Mas também sei que podemos ser felizes aqui. Podemos enfrentar nossos fantasmas juntos.
No início, quando sem pensar duas vezes ela se foi, respeitei sua dor. Entendia que precisava se afastar para se reerguer. Entendia perfeitamente o que esse lugar provocava nela. E tirando todos esses fatos, também fiquei magoado, pensando que o meu amor não era suficiente para ajudá-la. Tentei não me magoar com meus próprios pensamentos, afinal eu estava tão ferrado quanto ela, por causa do que aconteceu.
Entretanto, por anos, tinha a certeza que Liana não me amava. No entanto, conforme ela voltava mais forte de Paris, demonstrava-me o quanto estava enganado. Para que hoje eu tenha certeza absoluta de que sim, ela me ama de verdade.
— Ryu… É claro que te entendo, amor. — Ela segura meu rosto e me faz olhá-la, uma lágrima escapa de meus olhos e a toma com seu polegar. — Me sinto da mesma maneira quando estou longe de você. E confesso, todos esses anos estudando com Milady tem sido incríveis. Mas não há nada em Paris para mim, senão o aprendizado. Por mais irônico que seja, é aqui que está o meu coração, meu amor. É aqui… Nesse maldito casarão, com você.
Meu coração dispara fortemente e a encaro com alívio. Contudo, ainda temia por um possível porém.
— Mas?
— Mas? Não existe mais. — Ela diz simplesmente. — Estou preparada, Ryu, para ser sua esposa de verdade. Estou preparada para… — Liana se cala de repente, pega minha mão e coloca sobre sua barriga. De início fico estático, sem entender o que quer dizer com isso, seguidamente ela me confirma: — ter o seu filho.
— Liana… — Digo num sussurro de surpresa, as lágrimas invadem meus olhos com força e definitivamente paro de respirar.
Tudo me atinge com um baque, já faz mais de um mês que ela está aqui e fizemos amor em praticamente todas as noites. Ela retornou no fim de dezembro, já estamos em fevereiro e em janeiro ela não teve seus dias. Liana não menstruou e só agora percebi. É por isso que ela está indisposta esses dias, embora ainda não tenha visto-a ter enjoos, mas está certamente cheia de fogo, um dos traços que grávidas podem ter.
— Ryu, você não percebeu, meu amor? — Ela riu também com os olhos marejados. — Estou carregando nosso bebê. Nosso primeiro filho.
— Liana, meu deus do céu. — Choro e ela também me abraça aos prantos.
Primeiramente, sinto tanto alívio por estar mesmo feliz e pensei que nunca se alegraria em me dar um filho, por causa do trauma da gravidez indesejada que enfrentou. Mas é tudo diferente agora, o bebê que ela carrega é fruto do nosso amor mais sincero. Ele é meu.
É uma criança que ela quer ter. Que estava consciente e tinha o desejo de consagrar. Nós o fizemos enquanto nos amávamos da forma mais sincera existente. É tudo diferente agora. É tudo feliz. Com amor, carinho e respeito absoluto.
Ela está feliz, é isso que mais me assusta positivamente e me leva de encontro a mais plena felicidade.
Isso é mais do que havia pedido a Deus.
— Você está feliz? — É ela quem me pergunta com tom de preocupação e fungo choroso. Como isso pode não ser óbvio?
— Feliz é tão pouco comparado ao que estou sentindo. — Respondo, emocionado e vou logo descendo beijos até sua barriga ainda lisa, acaricio e abraço o local onde meu filho está sendo gerado. — Nosso bebê está chegando. Eu vou ser pai!
Nós dois rimos e sorrimos enquanto nos acalmamos, ficamos encarando o teto do nosso quarto, pensativos. Meus pensamentos estão a mil, imaginando a carinha do nosso filho ou filha, a escolha do nome, as roupinhas pequenas, Liana o amamentando… Penso nos dias que estão por vir enquanto meus dedos acariciam a raiz de seus fios, com minha mulher deitada em meu peitoral, a insegurança vem. Será que ela não irá mais para Paris?
— Meu amor, isso quer dizer que… Você não vai mais voltar com a Jane? — Só para garantir, pergunto.
Liana ergue o olhar para mim e me explica:
— Na verdade, preciso voltar, só falta mais um mês para finalizar tudo. Jane vai ficar por mais um tempo na França esperando pelo noivo, mas voltarei para casa antes dela. — Ela para pensativa e abre um sorriso inseguro. — Podemos falar com o Conde e você vem comigo, passamos um mês por lá e voltamos para casa, assim você não vai perder um dia sequer da minha gestação. E também vou ter tempo para te ensinar a ler e escrever.
Era meu sonho aprender a ler e escrever. Sorrio apaixonado por se lembrar de sua promessa.
Os três primeiros meses eram extremamente delicados e Liana precisaria dos meus cuidados. Tenho certeza que o Conde me entenderia, por anos me dediquei exclusivamente a ele, mas agora minha família precisa de mim. E eu jamais abandonarei minha esposa grávida.
— É um ótimo plano. — Confesso, até mesmo animado. — Mas, você quer mesmo viver no casarão, querida? Tem certeza que quer criar nossos filhos aqui? Agora é diferente, você vai ter um bebê, não posso te obrigar a viver nesse lugar.
Se Liana quisesse ir embora, iria sem pensar duas vezes. Ela é a única razão no mundo pela qual quebraria minha promessa ao Conde e a Condessa sem medir esforços.
— Você faria isso por mim? — Ela perguntou, impressionada.
— Farei qualquer coisa por você e nosso filho. — Deixei claro e ela assentiu, sorrindo. Podia ver o orgulho em seus olhos brilhantes.
— Ryu, tenho certeza que quero continuar vivendo em Anmak, aqui é onde pertenço, quero criar nossos filhos onde eu também fui criada. Esse lugar é importante para nós dois, meu amor. — Ela me surpreende totalmente com suas afirmações. — Amo esse lugar, embora tenha me feito sofrer tanto, mas aqui é onde também fui muito feliz. É onde meus pais viveram e morreram. O tempo e afastamento foi o melhor remédio para minha alma. Sinto-me mais forte e curada. — Ela faz uma pausa para soltar um longo suspiro, depois me olha mais firmemente para, por fim, dizer: — Ryu, quero continuar pertencendo a esse lugar. Mas sobretudo, quero sobrescrever boas memórias por cima das ruins.
Os pais de Liana morreram no ataque que sofremos, mas eram pessoas adoráveis, me aprovaram como um futuro marido para sua filha, foi Caetano quem me contou. Fora isso, eles me tratavam tão bem como se eu fosse um filho para eles. Gostaria de permanecer onde nossa verdadeira família está.
— Portanto, que continuemos a pertencer. Vamos escrever, agora! — Toco seu ventre e roçamos a ponta de nossos narizes, sorridentes com a nossa decisão.
E nesse momento é quando percebo que o que jamais imaginávamos que aconteceria, aconteceu. Nós superamos e nos tornamos mais fortes. O tempo passou. O passado ficou para trás. E o que importa agora não foi a catástrofe que nos aconteceu e sim como verdadeiramente nos sentimos.
A nossa felicidade retornou até nós. E no fim das contas, o amor nos salvou sim.
Eu amo Anmak, de verdade. Sinto que minha alma pertence a essa ilha tão cheia de especiarias incríveis. Desde que cheguei, acompanho a evolução dessa península e não me arrependo nenhum pouco de criar raízes aqui.
Por mais estranho que pareça, Campos Elísios me tirou várias coisas, mas também me deu outras bem melhores. Pensava que nunca seria feliz novamente, mas o tempo nada mais é do que um espaço para tudo se realinhar.
Depois de sete anos no escuro, abri a porta e dei de cara com o sol.
Eu estava feliz novamente, com a mulher que amo.
Não há desgraça tão imensa que o amor não possa superar e o tempo não possa apagar.
É isso que direi ao meu filho quando ele nascer.
É isso.
![]()
4 de Fevereiro de 1899
Aproximadamente às 10h
Praça Central de Anmak
ICARUS CAMPELO
No horizonte, grandes embarcações ancoraram na Praia do Coral, trazendo visitantes de todos os lugares do mundo. As bandeirinhas alternavam entre laranja, vermelho e amarelo. O chafariz no meio da praça jorrava água sutilmente abaixo da estátua do Conde Vollard I. Os músicos estavam posicionados estrategicamente sob uma simples plataforma onde havia um palco para exibir talentos. Alguns paravam para bater palmas no ritmo da melodia, outros cantavam com vigor junto do artista, temos até mesmo aqueles que se arriscavam a dançar. Uns estavam fantasiados, maquiados e os demais visitantes transitavam maravilhados entre os criativos. A praça estava devidamente movimentada. E essa batida envolvente é que faz meu coração se agitar no peito e por fim incendeia minha alma com uma lembrança deliciosa de todos os festivais de verão que já vivi.
As barraquinhas coloridas estavam perfeitas, alinhadas uma do lado da outra pela extensa rua, os turistas perambulavam entre elas animados com a nossa energia e muito interessados no que tínhamos a oferecer. Eu adoro a nossa feira cultural, tem cada coisa encantadora.
Na enorme barraca de peixaria vejo meu pai que está trocando um belo salmão, ele também me vê e acena sorridente no mesmo instante que de imediato sua expressão facial fica surpresa. O motivo está bem ao meu lado e meu pai não é o único espantado…
Estou acompanhando o Conde de Anmak. E não, o povo não está chocado pelo fato de eu estar com ele e sim por que após tantos anos ele estava fazendo uma aparição pública.
É claro que imediatamente todos tentam disfarçar o espanto para deixá-lo à vontade, enquanto o Conde passa por eles com seu ar de superioridade, batendo seu bastão com a cabeça do tigre no chão. Eu ao seu lado direito, Jane e Raul à sua esquerda; Ryu, Liana, Dalva e Caetano atrás de nós. As pessoas acenam e após isso tentam desviar o olhar e voltar às suas atividades como se não tivesse acabado de ver um fantasma.
Sobretudo, fico muito orgulhoso da posição do meu senhor, do quanto respeito e admiração ele têm pelo povo que cuida. Heinrich é um bom líder, um exemplo do que é um governo onde o que importa de verdade é o bem-estar e saúde da sua população.
— Estão todos olhando para você, senhor. — Comento baixinho já que sou os olhos dele. — Por favor, a sua esquerda acene para a pobre Sra. Begônia, ela está te olhando como se estivesse apaixonada.
A Sra. Begônia que me perdoe, mas esse Conde aqui, já tem dono. E Heinrich faz, exibindo para velha senhora um de seus estonteantes sorrisos quadrados que faziam meu coração errar as batidas.
— Ela viu? — Ele quis saber.
— Sim, e você quase foi o responsável pelo ataque cardíaco dela. — Brinquei risonho enquanto perambulávamos sem rumo.
— Milorde, podemos comprar alguns peixes frescos com o pai de Icarus? — Foi Dalva quem sugeriu. — Seria perfeito para o jantar.
— É uma ótima ideia, Dalva. Gostaria de conhecer a família do pequeno Icarus. — Disse o Conde para minha total surpresa.
E foi por causa disso que fiquei extremamente tímido, mas feliz por querer conhecer a minha família. Isso tem muito significado para mim já que sou tão apegado a eles.
Logo, levo-os até a barraca de pescaria muito bem dividida com cada pescador e sua pesca. Minha mãe está ajudando meu pai enquanto minhas irmãs estão soltas por aí, hora ajudando-os outrora perambulando.
— Fio? — Minha mãe foi logo abrindo um sorrisão para mim e correu na minha direção para me abraçar. — Ocê’ta tão bunito, meu doce! — Disse toda sorridente e me segurando pelas bochechas.
Jane me ajudou a escolher uma roupa bonita hoje, com o verão nós optamos por uma camisa branca de linho, calça social e sapato engraxado. Quem diria que um dia o pobretão do Icarus Campelo se vestiria assim. Já o meu senhor está usando um terno impecável e preto, típica vestimenta de sempre, mas que o deixava excepcionalmente incrível e bonito. Por baixo, novamente ele optou pela camisa branca que o deixava com o ar mais vívido.
— Obrigado, mãe.
— Mia nossa sinhora do céu! É o Seu Conde! — Chocada minha mãe se curvou de forma longa para o saudar. — Brigado por cuida do meu fio e dar a chance dele trabaia pro’ sinhô.
— Icarus tem um talento, senhora Campelo, é eu quem devo agradecer por vocês colocarem essa obra de arte no mundo. — O Conde disse com todo o seu charme quando pegou a mão de minha mãe e depositou um leve selar. — É um prazer conhecê-la.
— Mia santinha… — Mamãe sussurrou pasma, com o coração quase saltando pela boca, eu imagino.
É, sei bem o efeito que ele causa em nós.
— Seu Conde, praze, Jorge Campelo, pai do Icaru e esposo de Cecília. Tem passado bem? — Meu pai se intrometeu e fez uma reverência para o Conde.
— É um prazer te conhecer, Sr. Campelo. Icarus fala muito bem de todos vocês. Imagino o quanto sentem a falta dele. — Disse o Conde com todo seu carisma.
— Óia, num vo menti, a gente sente sim, mas sabemu que ei tá em boa mão. — Papai sorriu para mim todo orgulhoso. — Vamo ver os peixe, sinhô? Tão fresquinho, oh! — Meu pai foi logo pegando o maior e por si só todos já se entrosaram, Dalva obviamente amou a qualidade dos peixes e acabou por comprar dois grandes e um bocado de camarão.
Entre esse meio tempo, as filhas mais novas – Irene e Iraci – apareceram e eu pude apresentar elas para meu Conde também. Mas as duas ficaram timidamente acanhadas e quem não teve vergonha alguma foi uma de suas amigas que as acompanhava.
— Icarus? — Kassia veio em minha direção e me deu um abraço apertado. Ela também é minha amiga, nós estudamos juntos por praticamente toda a vida. Quando o Conde me dispensou e fui trabalhar no hospital acabei me esbarrando muitas vezes com ela. Kassia quer ser enfermeira. — Quanto tempo! Você sumiu do hospital tão de repente.
— Kassia! — Retribui o abraço. — O dever me chamava, não sei se ficou sabendo, mas agora trabalho para nosso Conde.
— Ah, sim, sei sim. Isso parece ótimo, Icarus. Parabéns. — Toda tímida ela disse com aquele seu olhar doce de sempre.
Kassia é uma garota excelente, gosto muito dela. É uma pena que seu pai esteja tão velho, visto que ele teve filhos bem tarde e que sua mãe tenha morrido quando ela era muito nova, meus pais se preocupava com a moça. Tantas vezes ela já esteve com a minha família, várias vezes fui até a livraria do seu pai e fui muito bem recebido. Os boatos de que ela gostava de mim, surgiram durante os últimos anos de escola, certa vez, nós trocamos um selar de lábios em uma brincadeira boba de adolescentes, mas ficou por isso mesmo. E assim permanecerá.
— Icarus, vamos? — O Conde me chamou.
— Preciso ir, nós vemos por aí. — Sorrio doce enquanto me despeço.
— Boa sorte, Icarus. — Ela acenou docemente de volta e retornei para o Conde, já que havia me afastado um pouco da barraca para saldar algumas pessoas.
Nós caminhamos um pouco e era nítida sua expressão um pouco carrancuda, o que me fez pensar se cometi algum erro. Ele só foi falar algum tempo depois, quando já tínhamos passado por mais duas barraquinhas seguidas.
— Quem é a garota? — Perguntou, com toda sua expressão séria. Realmente não consigo conter um sorriso satisfatório, ele realmente estava com ciúmes? Inacreditável.
— Uma amiga. Estudei e trabalhei com ela. Mas ela é praticamente da família, por causa da amizade com minhas irmãs e entre nossos pais. — Expliquei, afinal não havia nada entre mim e Kassia, definitivamente nunca fui atraído por ela.
Eu gosto de outra pessoa. E o Conde sabe muito bem disso. Ele não tinha o que temer.
— Hm. — Respondeu simplesmente, enquanto na sequência mais um vendedor chamou a atenção para nos guiar até a sua barraquinha.
Enquanto o Conde dava atenção para aqueles que queriam conquistá-lo com seus produtos, fiquei perambulando próximo a ele, conversando com pessoas conhecidas. Apresentando algumas pessoas para Liana e Ryu.
E enquanto me distraía com os panos bordados de uma senhora e sua filha, um estranho tocou meu ombro e assim que virei para encarar seu rosto meu espanto foi imediato.
— Icarus Campelo? — Seu sotaque inconfundível me fez dar um pulo de alegria e caí em seus braços num abraço cheio de saudades.
— Mongo! Da África do Sul. Mongo Makalani. É você! — Quase gritei de tanta animação.
Mongo é um príncipe, o conheci muito antes de Campos Elísios, ele fez amizade com o meu pai quando estava vindo se aventurar em nossa ilha. Coincidentemente Juliano o esperava, por isso, nos encontramos também na casa de Lady Balfour onde eu estava ajudando minha mãe a servir um almoço de negócios entre Lorde Balfour e Mongo. Ele ficou apaixonado pela comida da minha mãe e várias vezes foi almoçar conosco em nossa casa.
Papai me mandou apresentar a ilha para ele naquela época, Mongo sabe um pouco da nossa língua, assim ficamos amigos, mesmo que eu fosse praticamente uma criança naquela época. Papai me contou que Anmak e Pàrras[1] – ilha localizada na África do Sul – eram duas penínsulas que se uniram em segredo absoluto. Ambas compartilhavam o oceano Atlântico Sul e tinham uma viagem rápida e direta de navio.
Pàrras possui minerais de uma pedra que aparentemente só existia lá e eles a trouxeram para ser analisada em nosso laboratório, assim como o conhecimento dos africanos eram usados em prol das descobertas em Anmak. Basicamente um ajudando o outro com conhecimento. Isso foi uma aliança formada por nossos ancestrais, nós apenas a mantemos, considerando que as duas ilhas saem em vantagem. Quando fomos atacados, o pai de Mongo veio até aqui e ajudou o povo a se reerguer. Por isso, Mongo teve acesso a nossa língua e pode aprender um pouco do que falamos, assim fortalecendo nossa comunicação.
Em Pàrras, Mongo é filho de um Rei que impera no local.
O que mais gosto em Mongo certamente é sua simpatia, mas sobretudo a cor de sua pele que é extremamente bonita, um tom escuro brilhante, incrível. Seu cabelo quando não estava grande, possuía penteados legais com tranças e enfeites, ele deixou crescer bastante desde a última vez que o vi.
— Você ainda se lembra de mim. — Suas palavras saiam devagar devido à dificuldade em sua fluência.
— Eu jamais me esqueceria! E quem são essas? — Eu olho sorridente para às duas mulheres que ele acompanha, curvo-me saudando-as. — Eu sou Icarus Campelo.
As mulheres sorriem e se curvam minimamente, acredito que elas não sabem a minha língua. Mas o que me encanta além da pele escura idêntica à de Mongo, são suas roupas coloridas, panos em seus cabelos, cheia de acessórios e detalhes que me despertam a curiosidade.
— Essa é a minha irmã, Efia Makalani e minha avó Bayo. — Apresentou-me, o que me deixou sorridente por conhecer a sua família. — Nós vamos passar um tempo em Anmak, estamos passando por maus bocados em nossa terra, buscamos refúgio aqui e o Conde nos cedeu abrigo.
— Oh. — Arqueio as sobrancelhas, preocupado e, ao mesmo tempo, surpreso por saber disso. E como se tivesse ouvido ser pronunciado, sinto o Conde se aproximando bem atrás de mim.
— Conde Vollard, é bom revê-lo. — Mongo faz reverência com seu sorriso simpático estampado no rosto. — Essa é minha irmã e minha avó, não sei como expressar a gratidão por nos oferecer refúgio. Iremos retribuir a altura, prometo-lhe.
— Não espero por retribuição, Mongo. Fiz isso de coração, sei como é estar sob ataque. É o mínimo que posso fazer por você e sua família, após tanto ajudarem Anmak. Meu falecido pai ficaria feliz em ver nossa aliança tão forte. — Disse o Conde com toda sua sinceridade.
— Vocês são um povo muito acolhedor, me sinto em paz de estar entre vocês. — Mongo faz uma referência em agradecimento e o Conde também se curva como resposta.
— Você o conhece, Icarus? — O Conde quis saber, direcionando-me seu olhar curioso.
— Sim, senhor. Minha família o conheceu a alguns anos atrás e nos tornamos grandes amigos. — Contei para ele compartilhando um sorriso acolhedor com Mongo. — Agora trabalho para o Conde, Mongo.
— Isso é maravilhoso! Icarus tem uma energia contagiante. — Disse Mongo. — Confesso que fiquei apaixonado pelas comidas que a mãe dele faz.
— Oh, por falar em comida, já que estão habituados, o que acham de um jantar entre amigos na minha casa, Makalani? Por favor, leve sua família, ficarei honrado em recebê-los. Dalva não é uma Dona Cecília, mas ela cozinha muito bem, te garanto. — Convidou o Conde. — Juliano me disse certa vez que você conta ótimas histórias.
— Seria um prazer imenso, Conde Vollard. Se preparem, quando começo é difícil parar. — E nós rimos, e sei bem que é verdade, Mongo tem tantas histórias para contar que se deixar ficaremos dias ouvindo.
Após acertar os detalhes para o jantar, chegou o momento de nos despedir, foi quando a avó de Mongo apontou para a caixinha que estive carregando por todo esse tempo até agora. Dentro dela havia algumas coisinhas que produzi para trocar com os visitantes, caso alguém se interessasse.
— A senhora quer ver? — Perguntei e Mongo se dispôs como tradutor. Assim que a velha mulher ouviu a minha pergunta na sua língua, ela sorriu animada e balançou a cabeça em concordância.
Abri a tampa da simples caixinha de madeira e exibi os colares que havia feito com as minhas melhores conchinhas. Um deles era grande e belo, do jeito que o povo de Mongo gosta, chamativo e com conchas grandes.
— A senhora gostou desse? — Peguei o colar para ela que concordou freneticamente. Sorrindo imenso, coloquei sobre suas mãos. — É um presente para a senhora. — Fechei minhas mãos sobre as suas e ela me olhou nos olhos profundamente. Não sei se estava agradecida ou se algo dentro das minhas orbes lhe chamou sua atenção.
— Ela disse que foi feito com o coração. — Mongo traduziu suas primeiras palavras direcionadas a mim.
Os olhos escuros de Bayo me fizeram mergulhar num estado de espírito desconhecido, como se ela pudesse ler todo o meu ser. Estática, a velha apertou mais as minhas mãos, como se aprofundasse no que quer que esteja acontecendo entre nós. E disse coisas em sua língua das quais não poderia compreender nem se quisesse, mas parecia possuir um significado enorme, é como se minha alma me alertasse que as palavras traziam um significado pesado.
Engoli seco quando ela soltou as minhas mãos e continuou me encarando, talvez um pouco preocupada, ou curiosa, não sei dizer.
— O que ela disse? — Sussurrei para Mongo sentindo meu coração disparado. Com medo do que havia acabado de acontecer.
Mongo me olhou preocupado, baixou a cabeça como se não quisesse me contar.
— Mongo, por favor. — Implorei.
— Icarus, vamos embora. — O Conde parecia ter sentido a energia intensa, mas neguei olhando mais firme para Mongo.
— Preciso saber. — Insisti, olhando em seus olhos escuros.
Mongo respirou fundo e finalmente disse:
— Minha avó disse que viu alguém em sua alma. Uma mulher. Ela está lutando por você, para te proteger, salvar você. Tudo mudará, Icarus. A ordem das coisas. O futuro está comprometido. A existência de alguém está em jogo. Ela voltou para mudar a desgraça que foi cometida. Ela é parte de você, mas não é desse tempo. Ela veio pelos Ecos. — Mongo contou olhando para a senhora que assentia como se pudesse entender português. — Minha avó viu a morte beijar sua alma, Icarus. Inúmeras vezes.
Um arrepio imenso percorreu todo meu corpo, cada fiozinho de cabelo existente em mim, eriçou-se. Dei um passo para trás, extremamente assustado, como levar um balde de água fria. Acabo chocando meu corpo ao do Conde, que me segura como se quisesse me proteger.
— Vamos embora! — O Conde segurou meu braço para me levar, mas permaneci paralisado como pedra. Mais uma vez a velha sussurrou coisas, por último pegou a bolsinha que carregava, tirou dali algo coberto por um lenço, desembrulhou-o cuidadosamente e segurou minha mão de novo, por fim deixando uma pedra fria sobre ela.
A matéria bruta é de cor preta, tinha detalhes incríveis, como riscas, cheia de texturas e detalhes. Brilhava imensamente. Não sabia explicar a sua beleza. Contive o Conde para não me afastar, pois ele teimava em me puxar para longe, mas eu queria ouvir o que mais ela tinha a dizer.
— Ela disse que tudo vai ficar bem, Icarus. Se você foi sábio para ouvir e mudar os seus erros. Você recebeu uma oportunidade única. Essa pedra é uma Schorlita. Também conhecida como Turmalina Negra, é uma pedra natural, serve para proteção e purificação. Ela também indica qual direção seguir. Leve-a sempre com você. — Contou-me Mongo.
Olhei para a mulher e mesmo com medo do que me disse, sorri grato. Eu acreditava em suas palavras e nem era preciso refletir muito. Também acredito que sou o dono do meu próprio destino que posso mudar tudo e qualquer coisa.
— Obrigado. — Agradeci enquanto Heinrich tornou a me puxar para longe e fiquei observando o olhar doce daquela mulher até desaparecer do meu campo de visão.
Para onde quer que o Conde esteja me arrastando, mantive minha mão fechada firmemente, segurando a pedra com força para não perdê-la. Totalmente crente nas palavras que me foram profetizadas.
Uma mulher? Havia uma mulher em minha alma tentando me salvar?
Mas do que ela estava tentando me salvar?
Eu precisava mesmo ser salvo?
Irritado, Heinrich me guiou em direção contrária do povo, parando em um local menos movimentado, me segurou pelos ombros fortemente e se aproximou do meu rosto.
— Por que teima em me desobedecer? — Ralhou irritadiço.
— Eu queria saber, senhor. É sobre a minha alma, não ouviu? Como poderia não querer saber? — Respondi e o Conde não gostou da minha resposta.
— Ordenei para irmos embora, Icarus. Você é meu criado e não era da minha vontade permanecer ali. — Heinrich estava mesmo irritado comigo.
No entanto, foi eu quem ficou ainda mais. Como assim não podia ouvir, por não ser da vontade dele? Ele não tem o direito de me dizer o que devo ou não fazer. Por isso, o enfrento.
— Sou seu criado e estou aqui para servi-lo, mas o que faço com a minha vida não lhe diz respeito! — Quase grito de volta. — Se não queria ouvir, bastava seguir seu caminho, ninguém estava o segurando! Não sou obrigado a ficar te seguindo feito um cachorro. Você não é meu dono, Heinrich!
— Icarus Campelo! — Ele me apertou com raiva, chamando minha atenção pela rebeldia e eu lutei, tentando me livrar de suas mãos fortes.
— Você está me machucando! — A mágoa saiu pela minha voz e isso o surpreendeu, fazendo-o dar um passo para trás e por fim, aos poucos, soltar meus ombros. — Qual é o seu problema?
— O meu problema, Icarus? O problema é que esse povo é estranho. Eles possuem crenças absurdamente divergentes da nossa. Não pode sair acreditando em qualquer coisa que eles lhe digam.
Fiquei chocado ao ouvir isso de uma pessoa tão inteligente como o Conde. Respeito a religião dos outros, seus costumes, sua cultura… E se eles creem em algo tão fortemente, significa que de alguma forma, isso os atende. Nenhuma crença é vã!
— Se me permite dizer, não esperava que o senhor pudesse agir como um verdadeiro babaca racista!
— Icarus…
— Shh. Eu não terminei de falar. Tenha mais educação, senhor! — O olhei fulo e ele apenas baixou o rosto, envergonhado. — Eu acredito no que quiser! E não julgue o povo de Mongo! Aquela senhora não iria inventar aquilo do nada. Acho que nós dois somos a prova viva que coisas além da nossa compreensão existem. — Minha voz está mesmo em tom ácido e eu absolutamente estou com raiva dele. Com a morte não se brinca, uma pessoa não falaria aquilo para mim sem razão alguma. — Olha, se preocupa com você, Heinrich. De mim, cuido eu.
E lhe dei as costas, arrasado. Talvez confuso.
Sei que talvez ele só estivesse com tanto medo quanto eu do que ouviu. E não negava a possibilidade daquilo não ser real. Mas minha alma teimava em acreditar nas palavras daquela senhora.
— Icarus? Não faça isso! Volte aqui imediatamente! — Ignorei totalmente suas ordens, cansado de agir como um subordinado que ele manda e desmanda. O Conde precisa entender que, eu tomo as decisões sobre a minha vida, que a minha obrigação se resume em servi-lo como seu criado e só.
Enquanto caminhava sem rumo pela feira movimentada, acabo por ver Ingrid. Animado em falar consigo, sigo seus passos, mas ela não me ouve quando a chamo. Ainda seguindo-a, estranhando sua pressa, a vejo ir para mais distante das pessoas e com uma pessoa a seguindo.
O General de Anmak.
Gilliard Cesarini.
Sem pensar duas vezes, os sigo por algumas ruas até um beco entre duas casas próximas onde eles se enfiam.
O que o General quer com a minha irmã?
Por que precisaram se afastar do povo para conversar?
Certamente, não esperava pelo que veria a seguir – e como um bom espião, às escondidas –, vejo Ingrid dar um tapa na cara de Gilliard e em seguida agarrá-lo intensamente se entregando a um beijo apaixonado…
Minha irmã estava beijando o General de Anmak.
Realmente estavam se beijando.
E isso não é um devaneio.
Gostou do capítulo?
Indique para um amigo
Compartilhar
Faça parte do Clube de Leitores da Raposa
Está gostando da leitura?
Deixe seu e-mail aqui embaixo.
Ao se inscrever, você concorda com a nossa Política de Privacidade.
Comentários