CAPÍTULO QUINZE

Nosso infinito

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Quinta, 23 de Março de 1899
Aproximadamente às 9:40h
Casarão do Conde de Anmak

[ainda naquele dia]

Caminhar atrás dele não era fácil. Não quando tinha que encarar as mullets levemente curvadas, observando suas costas largas, sua postura ereta e saber que em alguns segundos estaremos definitivamente unidos.

Me conter é uma luta árdua. Aguentar a tensão parecia ser impossível. Na minha cabeça mil e uma lembranças se passavam, uma delas é a noite da praia e dessa vez, definitivamente, a via com um ótimo significado. Não a perdemos. Não quebramos a melhor noite das nossas vidas.

A minha vontade era de agarrá-lo ali mesmo, nos corredores do casarão. Contudo, não podia, sinceramente, tinha que me segurar para não acontecer aquilo que já aconteceu uma vez: sermos pegos em flagrante.

Alguns minutos atrás, Heinrich disse tudo que estava sentindo, expôs o amor que sente por mim e me pediu para, de certa forma, aceitar um relacionamento com ele. Qual nós não definimos como namoro, casamento, ou sei lá o que, e sim um romance.

Estamos juntos.

Sou o amor dele e ele o meu.

Somos almas gêmeas.

Destinados.

Em seguida, eu disse: “Quero fazer amor com você, Heinrich, estou pronto”.

E com o sorriso mais lindo no rosto, ele me olhou apaixonado e respondeu: “Então não vamos perder mais tempo”.

Caminhamos de volta para casa, ansiosos. Ele foi na frente, minutos depois fui atrás – tentando não levantar suspeitas, já que não estávamos de fato sozinhos. Havia dois guardas perambulando os arredores do casarão.

Enquanto caminhava para nossa cópula, meus pensamentos estavam à mil e a vontade queimando dentro do peito, refletindo toda essa necessidade entre minhas pernas. Inevitavelmente, ali está o resultado, fiquei duro só com as expectativas.

Pergunto-me, será que o senhor estava colapsando internamente assim como eu?

Gosto de pensar que sim, que fogos de artifício explodiram dentro dele, assim como estavam explodindo dentro de mim.

Conto cada passo que damos até seu quarto, impaciente para acabarem e suas mãos finalmente me alcançarem. Parecia uma maratona, o corredor de quartos nunca pareceu tão extenso; por isso, quando finalmente chegamos, abrimos a porta, entramos e só dá tempo de trancá-la, ele vem para mim como um furacão, abraçando meu corpo e colando nossas bocas.

O ósculo é afobado, com nossas respirações ofegantes, as línguas batalhando como em um campo de guerra. É erótico, cheio de desejo e intenções quentes. É promíscuo, como gostamos. Tem mordidas e barulhos viscosos, saliva compartilhada, arfares pesados e toda uma tensão acumulada.

Nós precisávamos disso. Após tantos meses, precisávamos deixar esse fogo queimar. É isso que fazemos, uma bagunça imensa entre beijos enquanto travamos uma luta para despir o outro.

— Aí! — Reclamo quando ele morde meu lábio e sem querer o puxo por estar me movendo demais para tirar suas roupas.

— Desculpa, anjo. — Heinrich diz quando para de tentar tirar meu casaco e por fim consigo finalizar a trilha de botões dos seus. — Vamos com calma. Que tal… eu tirar suas roupas e depois você tira as minhas. Tipo… lentamente.

— Hmm… — Resmungo pensativo e concordo de imediato balançando minha cabeça, vou empurrando devagar o corpo de Heinrich na direção da cama, fazendo ele dar passos de costas até se esbarrar nela e cair sentado. — Vamos fazer isso.

Heinrich sorri cheio de expectativas, suas mãos voltam para mim, ele desfaz o restante de botões do meu casaco de inverno, deixa-o deslizar para fora de meu corpo, em seguida remove o suéter, a blusa…

— Mostre-me. — Ele pediu de repente, encarando meu corpo.

— O quê?

— Como você gostaria de ser tocado. — Ele sussurra, sua voz em um tom rouco atraente. — Como imagina minhas mãos no seu corpo quando se tranca no quarto lá embaixo e se toca pensando em mim. Não se finja de santo, eu consigo ouvir seus arfares pesados, chamando meu nome, fazendo-me queimar…

Arfo com sua fala, senti meu rosto quente na sequência. De fato, Heinrich é cego, mas não bobo. Ele sabe muito bem quantas vezes a coragem de tocar meu corpo surgiu e saí correndo até meu quarto. Tocava-me sem pudor algum, pensando nele, gozando para ele, gemendo para ele.

— Sim, senhor. — É tudo que digo, afobado e definitivamente apaixonado.

Agora, nu na parte de cima do meu corpo, alcanço suas mãos – as quais ele já se livrou das luvas – e as guio até meu rosto, começando por ali.

Suas mãos me seguraram com delicadeza o polegar aproveitou para delinear meus lábios, os contornando. Abro a boca para chupá-lo, é o que me dá vontade de fazer. Raspo os dentes na protuberância de carne abaixo de seu polegar, mordiscando com leveza. E ele geme, para mim, instantaneamente.

Continuo chupando seu polegar devagarinho, provocante, excitado, fechando meus olhos e me sentindo mais rijo possível. Isso faz a respiração dele vacilar, enquanto tenta encarar essa cena que infelizmente não deve dar para distinguir, mas sente perfeitamente.

Com cuidado, ele tira seu polegar da minha boca e assim lambuzado o leva até um de meus mamilos, ainda seguro seus pulsos, ainda guio seus toques permitindo que o faça. Ele brinca com meus potinhos rijos, provocando-me sensações maravilhosas que me fazem fechar os olhos.

— Meu deus… e-eu imagino, Heinrich… te fantasio… — Balbuciei, gemendo. As mãos dele estão me tocando de verdade, pela minha santinha, é tão quente. Nesse momento eu sou o Icarus no espelho, devaneando-o e tendo meus sonhos mais secretos concretizados.

A outra mão ainda está em meu rosto, a desço. Espalmada pela minha pele, vai descendo por meu pescoço, apertando meus ombros, meus braços, desliza pelo meu peitoral e por fim passa a brincar com o outro mamilo, apertando ambos os biquinhos e logo fazendo um carinho nos pontinhos atiçados.

— Você se toca assim, me imaginando, Icarus?

— S-sim… Ahh…

Era muito melhor do que todas as vezes que imaginei.

Muito melhor.

— Caralho! — É eu sei, isso excita demais.

Seu rosto vem ao encontro do meu peitoral e o alvo que ele toca. Heinrich passa sua língua sobre um dos mamilos me fazendo ficar tonto com o prazer ainda leve, mas certamente provocante. Pego-me fechando os olhos novamente e minhas mãos seguram seus fios de cabelo, um pedido implícito por mais.

E ele me dá mais sensações gostosas. Morde e chupa ambos os meus pequenos mamilos enquanto sua mão desce desbravando cada curva do meu corpo, apertando as novas gordurinhas na minha cintura – possesso, como sempre me toca. Indo até minha calça, ele tira tudo de uma vez, incluindo a roupa íntima.

Finalmente, estou completamente nu para meu homem.

Liberto onde mais necessitava, sinto-me molhado pela necessidade que me devora. Suas mãos deixam um rastro de pelos arrepiados pela minha pele. São tantas sensações, tanta sinceridade no que fazemos. É entrega, é amor. E meu coração dispara quando percebe tudo isso.

O seu também disparou, meu Heinrich? Aposto que sim. Nós esperamos tanto por esse momento.

— Você me deixa completamente maluco… — Ele balbucia, há rastros de sua saliva escorrendo por meu corpo.

E ele toca-me por inteiro enquanto sua boca maltrata meus mamilos, desbrava cada detalhe dele. O quadril, as coxas, até meus joelhos. Depois sobe novamente esbarrando na parte mais sensível e a ignorando de início. Logo, suas mãos vão para minhas nádegas e ele aperta com vontade, sentindo tudo. Minha pele ardente de desejo, assim como toda a gostosura que posso oferecer para ele.

É como se nesse momento ele estivesse me memorizando. Criando um mapa do meu corpo em sua mente, traçando os detalhes. Ele decorava cada pedacinho meu com preciosidade e atenção.

Heinrich estava me lendo. Sou um livro em suas mãos. E ele maleava-me com demasiada delicadeza. É como se eu fosse uma pedra preciosa, uma porcelana, uma pintura para se apreciar. É assim que me sinto diante de suas mãos famintas.

E ele é meu mestre. Meu artista. Faço-me de obra de arte em suas mãos. O maestro e eu a orquestra. Ou uma musa a seu dispor. Pinte-me, imploro. Delineie meu corpo na argila. Eternize-me, para que jamais se esqueça do corpo que te anseia.

Ele é tudo para mim.

— Você é tão lindo, anjo. Simplesmente perfeito. — Diz e em seguida leva suas mãos até suas próprias vestes.

— Espera. — Peço afobado, respirando ofegante de ansiedade. Viro-me de costas, fazendo meu bumbum ficar rente ao seu rosto, seguidamente pego suas mãos e trago elas para minha barriga, escorrego-as pela minha virilha até que alcance meu falo.

Sou eu que o comando agora, fechando uma de suas mãos em mim, fazendo-o apertar onde mais preciso de seu toque, gemi descomunal mexendo-me suavemente. Seus lábios esbarram sobre a pele quente da minha lombar e não demora para deixar um selar molhado em cada topo das minhas nádegas.

Gemendo baixinho e ainda com meus olhos fechados com força, levo suas mãos para minhas nádegas e as deixo ali, Heinrich não perde tempo quando autorizo que se mova sozinho. Ele aperta ambas as bandas com generosidade, agarrando a carne farta expondo meu ponto sensível.

— Me toca… — Peço trêmulo, com a voz vacilando.

— Aqui? — Ele se faz de bobo e me provoca quando leva dois de seus dedos até o meio entre minhas nádegas, estremeço com o toque sutil.

— S-sim. — Mal consigo responder.

— Assim? — Ele pergunta quando circula seu dedo ao redor da pele enrugada. Nada digo, não tenho condições. — Responda. Ou eu paro.

Porra, Heinrich.

Engoli seco e juntei as palavras dentro de mim, concentrando-me o suficiente para pronunciá-las.

— S-sim. Assim. NÃO! Quer dizer, não… com a boca. Mais, senhor. Com a boca!

Posso sentir seu sorriso daqui. Ele afasta os dedos por alguns segundos, quando volta a tocar-me, seus dedos estão úmidos. Os forçam sem pena e empino mais, querendo o receber. Ele não coloca tudo e inicialmente é confortável.

Quando me acostumo com esse toque e penso que ficaria só nisso, ele que me pega totalmente desprevenido, sinto algo quente e molhado deslizar de uma forma gostosa ali. Soube que ele atendeu o meu pedido. Meus gemido agora escapam descomunal, alto e até meio sôfrego. Quando entendo o que está acontecendo, quase tenho um colapso, preciso de muito esforço para me manter. Minha santinha, é a sua língua. Sua boca está me tocando bem ali, fazendo-me ver o céu. Minhas pernas fraquejam intensamente, tremendo como se fossem ceder.

Heinrich alterna entre os dedos e a língua esperta, fazendo-me sentir coisas inimagináveis. Num momento, agarra meu quadril, abraçando-me e, ao mesmo tempo, me mantendo firme para a sensação avassaladora de tê-lo pincelando-me, possuindo-me parcialmente assim. Preciso até mesmo o ajudar, quando ele coloca minhas mãos em minhas próprias bandas para mantê-las afastadas e dar-lhe espaço enquanto faz seu belo trabalho.

Gemo, ondulo e delírio em seus braços.

— Pare… Heinrich, por favor! — Choraminguei desesperado, sentindo que se continuasse assim não duraria muito.

Ao entender isso, ele vai parando devagar, pincelando mais suavemente, dando beijos estalados e lambidas molhadas até por fim seus movimentos cessem.

— Gostoso! — Recebo um tapa, fazendo-me gemer de dor e prazer pela ardência. — Me ajuda com essas roupas, estão sufocando-me.

Ah, sim, eu imagino que sim.

Na mesma hora, viro-me para ele, mesmo quase caindo no chão de tão trêmulo, levo minhas mãos até suas vestes e o ajudo a removê-las de uma vez por todas. Com cuidado, uma de cada vez, vejo sua pele expor-se para mim pouco a pouco.

Era minha vez de o ler.

E encontrei essa vontade em mim também.

— Quero te tocar. — Anúncio, meio receoso, confesso. Vai que ele não gosta da ideia.

— Por favor, toque-me. — Seu pedido é ávido também, um tanto tentador, deixando-me satisfeito e um tanto feliz.

E quando ele está igualmente nu, é a minha vez de lê-lo com minhas mãos, conforme me foi permitido. Ele parece tão à vontade nesse momento que fico ainda mais sedento.

Começo pelo seu rosto também, fazendo um carinho em ambas as maçãs, olhando em seus olhos profundamente, acabo por selar seus lábios, eles são lindos demais, tão atrativos.

E beijo mais. Distribui uma sessão de beijinhos. Na ponta do nariz, depois em uma pálpebra, seguidamente na outra. E desço os beijos por seu pescoço, dando mordidas e chupões. Beijo mais e mais, descendo, apertando seus braços, fazendo minhas mãos passarem pelos músculos de seu peitoral, descendo a trilha de beijos até o umbigo, sentindo seu corpo.

Pego ambas as suas mãos e beijo-as, dou vários beijinhos nas cicatrizes expostas e subo na cama para ajoelhar-me atrás de si, que ainda está sentado. Dou de cara com todas aquelas cicatrizes horríveis em suas costas, é a primeira vez que as vejo assim, definitivamente.

Estou cara a cara com o que fizeram com o meu amor. E inicialmente sinto uma vontade imensa de chorar, mas me seguro – e muito – para não estragar nosso momento.

Toco-as com cuidado, percebendo que Heinrich não tentou impedir, encaro isso como uma autorização para prosseguir e assim a ponta de meus dedos vão tocando todos os vergões em formato de cicatrizes. Meus lábios vão de encontro a pele morta e as beijo.

Queria apagar as lembranças ruins e trazer novos significados para ele. Substituir a dor de um acontecimento pavoroso, por novas lembranças de puro amor.

Simplesmente odeio o porquê dessas cicatrizes estarem ali, mas também as amo por definitivamente mostrarem o quanto forte é o meu Heinrich. Tudo que ele passou, sofreu e superou. Eu amo até as cicatrizes dele – que agora devem assumir um significado belo.

— Eu te amo. — Sussurro por fim e abraço-o fortemente, colando meu peitoral em suas costas.

Heinrich se mexe e se vira, vindo em minha direção. Seu olhar é felino como um tigre, com uma certa sede. Ele tem vontade. E volta para minha boca, onde me beija intensamente, deitando seu corpo sobre o meu, colocando sua ereção sobre a minha e investindo seu quadril ali, fazendo-as se derraparem juntas em uma bagunça molhada delirante.

É como se riscássemos novamente uma faísca, pois no segundo seguinte, estamos queimando novamente. Ele se mexe mais e mais em cima de mim, fazendo os primeiros gemidos escaparem baixinhos por minha garganta, apertando meu corpo do jeito que gosto. Minha respiração logo ofega, enquanto meu coração dispara fortemente.

— Vira. — Ele pede, seguidamente ajuda-me com a posição que quer, colocando-me de barriga para baixo.

Sua boca encontra minha nuca e morde, fazendo-me arrepiar inteiro. Abocanha com os dentes e depois dá um beijo molhado. É a sua língua que desce por toda minha coluna vertical, fazendo-me mexer descontrolado quando para ao chegar nas minhas nádegas. Ele morde uma delas e mete um tapa estalado na outra banda, por me manter tão inquieto. E ele sabe como gosto dos tabefes ardentes.

— Quieto, danado. — É o que ele diz, bravo.

— Senhor! — Gemi ansiosamente, tentando não me mexer. Sentindo sua parte quente entre minhas nádegas e de repente, me dou conta de uma coisa. Não queria que fosse assim, quero olhar nos olhos dele, quando fizermos. — Me deixa fazer isso. Eu… — Pondero se falo ou não, por fim, decido que sim, é isso. — Quero tentar de outro jeito.

Heinrich para o que está fazendo, considerando minha proposta e não o deixo pensar muito, vou logo tomando uma atitude, me erguendo, empurrando seu corpo para que se deite na cama com sua parte rija apontando para cima. Excitado, perfeito, molhado… pronto para entrar em mim.

Percebendo minhas intenções, ele tateia o criado mudo ao lado da cama até achar um dos frascos de óleo essencial. Ele sempre os usa para perfumar o corpo antes de dormir e até mesmo, às vezes, passa em mim, assim ficamos com o mesmo cheirinho. E dormir com seu perfume, é certamente ter um sono de deuses.

— Passa isso em mim, vai ajudar na penetração. Não quero te machucar como naquele dia. — Na nossa primeira vez, nós pulamos algumas etapas, como me preparar e isso resultou numa dor insuportável após o ato. Agora faríamos certinho, gostosinho. — É de lavanda.

— Amo lavanda. — Confesso, animado.

Pego o frasco e espalho uma quantidade abundantemente nele, fazendo uma massagem suave para espalhar até a base. Na sequência, finalmente chegou o momento.

Meu coração dispara enquanto ele firma a si mesmo e me posiciono sob o local, ajeito-me até senti-lo pincelar o ponto pulsante. Firmo-me um pouco, deixando entrar lentamente. Heinrich segura minhas nádegas, afastando-as o suficiente para facilitar o ato.

E dói bastante, como na minha primeira vez. Fecho meus olhos com força, solto gemidinhos de dor, enquanto continuo empurrando meu quadril para baixo, forçando para entrar completo em mim. O Conde aperta-me com gosto, sentindo meu interior recebê-lo, apertá-lo e estrangulá-lo… Sinto-o pulsar dentro de mim e nós dois ofegamos manhosos.

— Amo você. — Ele geme, fechando seus olhos também, se declarando num momento intenso.

O amo também, sinto isso perfeitamente quando nos tornamos apenas um. Aquelas sensações boas estavam vivas dentro de mim. E dessa vez é tão especial quanto na primeira. Tem amor, carinho, euforia, intensidade, significado, emoção… Tudo.

Agora está completamente dentro de mim, preciso de alguns segundos para assimilar isso. Deito-me sobre seu corpo, seguro seu rosto e começo os movimentos intensos com vontade, subindo, ondulando e descendo até o fim. Grito, num gemido enlouquecedor.

— Icarus! Ah! — Heinrich também geme alto.

E não paro, continuo.

— É tão bom! Heinrich! Tão gostoso! — Gemi sobre seus lábios e ele me beija, mas o ósculo saí uma bagunça completa. Gemidos, selares, arfares, até dentes se esbarrando. É uma loucura.

Ondulo várias vezes em cima, depois me sento com tudo. Isso me faz querer mais, principalmente quando ouço-o gemer desse jeito. É que a forma que desliza tão gostoso para dentro é muito bom. Arrepia-me todo, deixa-me completamente sedento por mais.

E vou em busca do que almejo.

Mais.

Não demora para o lado dominador dele aparecer. O Conde se senta sobre a cama e segura meu corpo, isso muda um pouco o ângulo dentro de mim e ele atinge algo específico com tudo. Fico boquiaberto com a sensação estremecedora. O que foi isso?

Minha santinha…

— Por favor, continua, Heinrich! Oh, meu deus! — Imploro e ele atende imediatamente, meio afobado para fazer com maestria.

Enquanto seus braços me apertam, quase arranco os fios de seu cabelo. Ele mexe o quadril em sintonia comigo, empurrando para cima enquanto forço para baixo. E é gostoso, deixo os gemidos saírem. Meu corpo convulsiona quando continua acertando, acertando e…

— Não goza. — Heinrich me surpreende ao me dar essa ordem e agora ele segura minha intimidade com força, sufocando-a para que nenhum pingo saia. — Não goza ainda, pequeno.

— Heinrich! Heinrich! — Choro e as lágrimas definitivamente rolam pelo meu rosto quando continua acertando aquele ponto extremamente sensível e me impede de aliviar-me.

Não consigo entender o que está fazendo. Mas também, não consigo tomar uma atitude. Meu corpo está em chamas.

De repente é ele quem alcança o ápice e fico surpreso quando sinto o calor invadindo-me por dentro. Beijando-me em lugares que jamais imaginei serem possíveis. É tão quente, tão gostoso, preenche-me por completo. Estou boquiaberto, literalmente.

Heinrich se contorce inteiro, seu urro é tão forte, apertando-me, mordendo meu pescoço com força, fazendo-me gritar e urrar junto de si. E movimenta-se, sem parar. Em êxtase total. O estrangulo dentro de mim, contraindo os músculos, chorando por não ter o meu alívio.

— Eu preciso… Amor, por favor, eu também preciso… — Choro quase soluçando.

Ele espera mais alguns segundos e olha-me desorientado, mas começando a pensar no meu alívio. A parte do meu corpo menosprezada, pulsava na mão dele, gritando para ser liberto. E me esforçava para não permitir.

— Segura ele. Não ouse gozar, Icarus! É uma ordem. — Ele pede, colocando minha mão na parte sufocada.

— Mas, senhor, eu-

— Shh. Só faz o que estou mandando!

Sua ordem é tão rude, carregada de uma seriedade que só me resta obedecer de bom grado. Seguidamente, retira-me do seu colo assim que assumo a responsabilidade de me segurar. Sinto que a vontade até passa um pouco, enquanto sinto-o sair de dentro de mim devagar, soltando gemidinhos fracos, cheio de sensibilidade pós-orgasmo. E sem delongas, coloca-me numa nova posição. Deitado sobre o colchão.

Novamente alcança o frasco de lavanda e agora despeja em mim. Realmente não consigo raciocinar, inicialmente. O que ele está fazendo?

É quando ele fica sobre seus joelhos, cada um deles ao lado do meu quadril e Heinrich vem até mim, soltando minhas mãos ocupadas. Fico paralisado, totalmente chocado com o que deduzi que iria acontecer…

Heinrich vai sentar em mim. Vai me deixar entrar dentro dele.

MINHA SANTINHA!

E quando tenho certeza, entro em desespero…

— Heinrich! — Tento falar, mas não adianta, ele tapa minha boca e leva meu falo até o meio de suas nádegas.

Sinto o topo ser pressionado contra sua fenda e ele não para. Empurrando-se devagar, gemendo desconfortável, segurando minhas mãos com a sua mão livre – coisa que nem percebi que ele fez – e ainda tapando minha boca, o que fazia meu gemido desesperado sair abafado.

As lágrimas escorriam pelos cantos de meus olhos, quentes. Minha santinha, o que era aquilo? Tão apertado, tão quente. Uma textura diferente, uma sensação surreal. Calmamente, seu interior ia me recendo, alocando-me dentro de si.

Muito bom.

Não dava para acreditar que isso estava mesmo acontecendo e sinceramente, pegou-me tão desprevenido que não suportei, foi fácil e rápido. Dado que com três movimentos dificultosos seus, alcancei o limite.

E derramo-me fortemente, com lágrimas, desespero e contorcendo-me abaixo dele que continuou os movimentos em cima de mim, sorrindo como um desgraçado. E ele liberta minha boca e agarra meu pescoço, apertando gentilmente. Minha cabeça é forçada para trás, enquanto gemia e expelia-me abundante e surrealmente dentro dele. Enchendo-o por completo, assim como ele fez comigo.

E assim acaba, com ele saindo de cima de mim e caindo derrotado ao meu lado. Estou completamente pasmo, incapaz de profanar uma única palavra sequer.

Deitado ao meu lado, enquanto ofega e sorri, ele tenta regular a respiração, depois encontra minha mão e entrelaça nossos dedos. E assim, gradualmente, nos acalmamos.

Foi o melhor sexo que já fizemos.

Foi simplesmente perfeito.

E incrível.

E ainda não acredito que aconteceu.

Com os minutos que se passam, minha ficha finalmente cai.

Heinrich entrou em mim e eu entrei no Heinrich.

Eu realmente entrei dentro dele.

— O que foi isso? — É a primeira coisa que consigo murmurar. Viro-me para ele, sorridente, abraçando seu corpo.

— Isso foi nós. — Ele responde, simples. — Todo o nosso desejo reprimido de meses.

— Minha nossa senhora do colapso. Nossa, uau. — Minha fala sai completamente perplexa. — Transar é muito bom. Podemos fazer isso sempre?

Heinrich cai na gargalhada, mas concordando ao balançar a cabeça.

— Definitivamente, nós podemos, meu bem. — Me garantiu. — Você gostou? De mim dentro de você e depois você dentro de mim?

— Se gostei? Misericórdia, eu AMEI. Minha nossa senhora da trepada boa. Foi muito gostoso. — Exalo toda minha satisfação. — Juro que estou tentando não surtar com o fato de que eu comi sua bunda.

— Icarus! — Ele chama minha atenção, rindo. Olhou-me repreensivo e colocou o dedo indicador sobre os lábios, sinalizando para me calar. — Esse é o nosso segredo, ok?

Agora sou eu quem ri.

— Está com vergonha de que saibam que te fodi, é? — Brinco com ele. Embora fosse mais que óbvio que não contaria para ninguém.

Primeiro, porque não tenho alguém para contar, nem mesmo o Ryu. Segundo, porque não quero quebrar toda a pose de respeito que ele tem, o que pode acontecer, mesmo que o fato fodê-lo não devesse causar isso, visto que não muda nada. Ele continua sendo um homem respeitoso, o meu senhorio. Terceiro, por que somos um segredo. Tudo que fazemos é íntimo demais, diz respeito somente a nós dois. E sinceramente, estou tão feliz por termos feito assim. É como ele mesmo diz, no sexo não tem limites e se você fantasia uma coisa, seu parceiro tem que realizar, se estiver dentro do que for confortável para os dois. Um consenso entre ambos.

— Não é isso, é que… — O Conde fica vermelho igualzinho um tomate e apenas caio na gargalhada, trazendo-o para mim para distribuir vários selares em seus lábios.

— Amor, relaxa, não vou contar. Não sou maluco e… Isso não muda nada. Você ainda é meu senhor e ainda te devo respeito. — Deixo claro.

Afinal, o que fazemos na cama não muda o que somos fora dela. E fora desse quarto nós somos Conde e criado. Sou maduro o suficiente para separar as coisas.

— Eu namoro o Heinrich e não o Conde. — Digo por fim e vejo sua expressão aliviada e até mesmo orgulhosa. — Foi a sua primeira vez? — Pergunto de repente e me pego curioso para saber a resposta.

Sei que o Conde já foi casado, isso significa que fazia sexo com a sua mulher. Contudo, ele também foi jovem e poderia ter ficado com algum homem por aí. Vai saber.

— Foi. — Sua afirmação me surpreende, vejo-o ficar ainda mais vermelho – se é que é possível.

E colapso, respirando pesado, impressionado por saber que tomei a virgindade do seu traseiro. Mas também muito aliviado por aparentemente não ter transado com outro homem. Minha santinha… Minha nossa senhora dos virgens. Estou abismado. Mas muito feliz.

— Obrigado, por confiar em mim e ceder-me esse privilégio. — É tudo que consigo dizer, sincero. — Foi muito ruim? Eu não te preparei, como você fez comigo.

— E nem vai, eu quem te domino. — Ele vai logo cortando minhas asinhas, mas entendi, mesmo quando estiver me recebendo é ele que controla tudo. Gosto assim. — Foi ótimo. Não se preocupe. Doeu sim, muito, mas para mim, foi uma dor muito boa. Foi gostoso.

Meu sorriso está tão grande nesse momento, sinto-me o mais bobão do mundo. Esse homem me deixa tonto. Meu deus… Foi tão gostoso estar dentro dele. Tanto quanto ele dentro de mim. Quero de novo, quero fazer isso umas mil vezes.

Minha cabeça ferve de pensamentos e por fim, de repente, digo eufórico:

— E ei, posso falar que você é meu namorado, né? Quer dizer, o senhor disse que não tem idade para isso, mas tecnicamente também é meu namorado.

— É um bom ponto. — Heinrich sorri considerando essa análise. — É claro que sim, anjo. Somos namorados também. E amantes. E destinados.

— E almas gêmeas. — Contribuo.

— Eu sou sua alma gêmea, sou? — Ele pergunta todo bonitinho o que me faz rir apaixonado, puxo-o para mais uma sessão de beijinhos estalados. — Diz para mim, diz.

— Você é a minha alma gêmea. — Digo com uma imensa felicidade me domando. Com a certeza absoluta de que sim, ele é a minha metade.

— Acabo de me apaixonar um pouco mais nesse exato momento.

E quase perco o ar de meus pulmões com essa declaração. Fico bobo, olhando no rosto dele com cuidado, acariciando seus cabelos com todo carinho.

Dou-me conta de ter tanta sorte por tê-lo, pertencê-lo e estar aqui com ele. Não preciso de mais nada nesse mundo.

— Estou tão feliz, Heinrich. De verdade, estou muito, muito e muito feliz. Você me faz sentir como se fossemos infinitos. — E quase choro ao dizer isso.

Em resposta ele só me beija. Beija-me mesmo, apaixonado. Demonstrando que também se sente assim.

Infinito.

E quando o ósculo acaba é o rosto dele que me encara, pertinho do meu, tocando-me com amor e fazendo carinhos deliciosos.

— Não quero estragar nossa felicidade, mas Dalva e Caetano estão voltando. É melhor nos banharmos. — Meu Deus, me esqueci totalmente disso.

— Ah, não… Não quero que esse momento acabe! — Choramingo o abraçando e agarrando com força. — Quero ficar aqui transando até perder a capacidade de andar!

Heinrich gargalha alto.

— Icarus, pelo amor de deus!

— É sério, condezinho. — E ele ri mais. — Ou o senhor não dá conta? Está tão velhinho, não é? — Brinquei e ele veio para cima de mim, perdendo-me contra o colchão. É isso que eu quero.

— Vou te mostrar o poder do velhinho. — Grunhiu enquanto mordia meu ombro.

— Aí! Seu velho gostoso! — Disse entre risadas.

— Vamos ter mais desses, pequeno. Pode confiar que sim. — Conforta-me, dando selares no local maltratado.

Mesmo assim, lamento mais um pouco. Ele quem se levanta primeiro, pega a água que deixamos na lareira para aquecer e despeja no ofurô do seu quarto, preparando nosso banho. O observo ainda nu enquanto faz isso, não consigo tirar meus olhos dele, de sua figura encantadora, de sua beleza tão hipnotizante mesmo com as cicatrizes tão visíveis em seu corpo. Meu Conde é uma obra de arte que poucos podem admirar e eu fui o privilegiado.

Heinrich escolheu a mim para desbravar todas as suas cicatrizes e toda a sinceridade dentro do seu ser. Perco o ar de meus pulmões enquanto o olho, mesmo com sua condição, ele se esforça para ser independente e admiro tanto isso. Não se abala por qualquer coisa, nem quando fico sussurrando “mais para esquerda” ou “cuidado com a quina da mesa”. Ele só faz e fica contente com o resultado, logo que finaliza a tarefa com maestria.

Quando a água está temperada e perfeita para nós, volta até mim e pega-me no colo, posteriormente, leva-nos para dentro da banheira tendo todo cuidado do mundo. Quase caímos no meio do caminho? Sim, mas nada que risadas altas não cure.

Ambos doloridos, aproveitamos a água quentinha para relaxar nossos músculos e ele lava-me com cuidado enquanto estou sobre seu colo, passando a esponja por minha pele e depositando selares na mesma.

E por Deus, dentro do meu coração, imploro ao destino para que seja para sempre assim.

Nós dois, nosso amor, nosso carinho e sexo gostoso. Nosso infinito. Do nosso jeito, tão nós. Heinrich e Icarus.

Destino, você que nos uniu, poderá nos ouvir?

Segunda, 3 de Abril de 1899
Aproximadamente às 4h
Casarão do Conde de Anmak

O dia que tanto esperamos havia chegado. 3 de Abril – a data que marcamos para deixar Santa Catarina com destino ao Rio de Janeiro. Velejaremos pelo litoral do Brasil, contornando-o até o nosso destino.

Já esteve diante de um grande acontecimento em sua vida, qual fez se sentir doente de tão ansioso? Aposto que sim, portanto, sabe como estou me sentindo agora.

Acordei a cerca de meia-hora atrás, foi só mais um cochilo de poucos segundos antes de tornar a despertar. Estava inquieto demais pela viagem, em duas horas estaremos no Pégasos – o barco do Conde – e velejaremos nos próximos dias. Certamente mais de uma semana, confinados em um navio rumo à terra carioca. Não tinha como não ser atacado pela ansiedade.

Respirando até mesmo ofegante, era difícil não me mexer de um lado para o outro na cama, enquanto o Conde era o único que conseguia dormir. Pergunto-me como ele não fica inquieto diante disso.

Por fim, levanto-me e ando sozinho pelo casarão, mais uma vez me pego atacando uma das tortas que Dalva fez, comendo mais um pedaço generoso, dessa vez o sabor é de baunilha e amora. Seguidamente vou até meu quarto e confiro minhas malas pela milésima vez, fiz uma lista de itens indispensáveis, logo repassava todos os itens comparando com tudo na mala, dando um risco no que estava feito. O problema é que cada item da lista já foi riscado mais de três vezes.

O traje que Jane fez.

A pedra que Bayo me deu.

Meus melhores sapatos.

Os melhores ternos.

Roupas casuais para os dias em alto-mar.

Roupas para calor extremo em alto-mar.

Alguns casacos para caso faça frio.

A agendinha onde tenho escrito à mão o meu próprio romance.

Papéis para escrever o livro do meu Conde.

Loção corporal.

Óleo de lavanda.

Itens de higiene pessoal.

Retrato da minha família.

E todos os livros que o Conde e eu escolhemos para passar o tempo no mar lendo.

Perfeito.

Estava tudo nos conformes dentro de minhas três malas bem feitas. Sendo assim, volto para o quarto do Conde e deito-me junto dele que resmunga e acaba abraçando-me por trás.

— Não está conseguindo dormir de tanta ansiedade. — Pontua sua observação, meio sonolento. — Talvez precise de algo para relaxar.

— Conde… Seu safado! — Sussurro risonho quando percebo a intenção por trás de suas palavras, estamos muito fogosos esses dias, o que resultou em sexo em diversos lugares inusitados, correndo o risco iminente de sermos pegos no ato. — Já vai passar, daqui a pouco estaremos no navio.

Era minha primeira viagem, penso que é natural ficar tão nervoso. Nesses últimos dias foi difícil para o Conde, lhe lançava perguntas sobre a viagem o tempo todo, tirando sua paz.

Onde vamos visitar? O que vamos fazer para passar os dias no barco? É perigoso? E se tiver uma tempestade? E se o barco afundar? E se eu sentir enjoo? Onde vamos dormir? Onde vamos comer?

É muita coisa, o pobrezinho quase enlouqueceu, mas nunca perdeu a paciência comigo e respondeu todas as minhas perguntas calmamente, deixando-me completamente seguro de que tudo ficaria bem. O que também levou-me a conversar com meu pai, quando fui visitar minha família para lhes dar as boas novas.

Acabou com mamãe chorando excessivamente, com medo da minha viagem, mas sobretudo orgulhosa do filho. Ingrid, é claro, se mordeu de inveja e eu adorei. Papai até ofereceu de ir conosco no barco, ajudando o capitão, por fim, apareceu um trabalho para ele, por isso apenas me tranquilizou explicando que daria tudo certo. Com isso fiquei mais seguro e restou somente a ansiedade.

Costelinha ficou com minha família, que cuidaria muito bem dele durante minha ausência. O pobrezinho chorou sentido quando o deixei. Caetano insistiu para deixá-lo no casarão, mas não queria dar mais trabalho para ele e Dalva.

— Tente dormir ou terá um dia difícil no seu primeiro dia de barco. — Disse o Conde e deu-me beijinhos no pescoço, sabendo que seus carinhos eram fatais para mim, me faziam relaxar totalmente. — Vai dar tudo certo, pequeno.

Por fim, consegui tirar mais alguns cochilos e levantei antes de todos para ir até meu quarto e Dalva não desconfiar que durmo com o Conde. Ela ajudou-me a aprontar, ajeitou o terno azul-marinho no meu corpo, Caetano levou minhas malas para o coche, Dalva penteou meu cabelo igual minhas irmãs faziam – um penteado de lado bem fixado com gel – fiquei muito formal, bonito e cheiroso.

— Se cuida menino e atente-se ao nosso Conde. Estarei esperando seu retorno ansiosamente. E é claro, aproveite ao máximo a viagem. — Dalva diz, com seu jeitinho único de ser carinhosa, segurando meu rosto com suas mãos.

— Obrigado, Dalva. Espero que você e Caetano fiquem bem. — Dou um beijo em sua testa e ela sorri em concordância.

Seguidamente, vamos juntos para a entrada do casarão onde o Conde, já pronto, me espera para partir. Conosco vão também dois guardas que nos acompanharão na viagem, de modo a proteger nosso Conde.

Os soldados Marcos e Robert, já se juntaram a nós para partirmos. Ambos também trabalham no casarão, garantindo nossa segurança em tempo integral. Mas não pense que deixaremos nossa casa desprotegida, o número de guardas aumentou durante nossa ausência. Melhor assim, não quero sequer imaginar alguém invadindo enquanto estamos fora.

O Conde está bonito como sempre, usando seu terno preto, mas com a típica camisa branca por baixo, deixando suas vestes menos pesadas. Ele abraça Dalva com carinho e eles dois se despedem, depois o mesmo acontece com Caetano. Sinto a casa tão vazia nesse momento, sem Ryu e Liana, ou Jane e o noivo. Agora o casarão ficará mais vazio ainda, restava somente Dalva, seu marido e alguns guardas… Mas definitivamente vazio.

Espero voltar logo para minha casa.

E assim, subo na carruagem com o Conde, os guardas e juntos partimos para o porto da Praia do Coral. Durante o caminho conversamos pouco, mas dá para sentir a ansiedade tomando conta até mesmo de Heinrich.

De longe já avisto o Pégasos ancorado à nossa espera e mais que isso, vejo toda a minha família esperando-me perto do cais. Eles acenam quando veem a carruagem e até vovó, Ivana e o marido estão me esperando. Só a Ingrid que não veio, mas tanto faz, para mim seu comparecimento já não fazia diferença.

Mas não tem como negar que me deixa assustado, o que aconteceu entristece-me, a alguns dias atrás a presença da minha irmã diante de um momento tão importante na minha vida, faria toda a importância.

Todavia, o passado tende a permanecer em seu devido lugar e me contento com as boas lembranças que me deixou. É tudo que me restou da Ingrid que eu realmente amava.

Assim que desço do veículo vou logo abraçando minha mãe que me aperta com força, enchendo-me de beijinhos.

— Tu si cumporta. Aproveite tudo por dimai. — Ela diz com lágrimas beirando seus olhos brilhantes. — Vai cum o homi do céu, meu doce, te amo tanto. — Mamãe diz ao me entregar uma cesta cheia de comida. Tem doces, pães, broas, bolinhos de arroz, frutas, castanhas, barra de cereais e tudo do que melhor sabe fazer. As típicas cestas que fazíamos para meu pai, antes dele partir.

— Também te amo mãe, vou trazer algo de Anjou para a senhora. — Respondo, permanecendo no nosso abraço.

— Num si incomode. Guarde teu dinheirinho pro’cê. — Ela diz como sempre.

Sinceramente, essa mulher merece o mundo inteiro e ainda é pouco. E ela me conhece muito bem, sabe que vou trazer sim.

Depois é vovó que me agarra num abraço forte.

— Num vá se engraçar cum nenhuma morça do rio, em? — Ela diz já me dando um beliscão fraquinho.

Apenas desato a rir de sua preocupação. O perigo mora ao lado, vovó. Ou, deveria dizer que está bem à sua frente?

E o Conde também se despede da minha família que implora-o para cuidar bem de mim e ele garante que irá.

Minhas irmãs me desejam boa viagem e por fim abraço meu pai, enquanto isso nossas coisas já são levadas para o barco e em seguida preciso deixá-los para embarcar no Pégasos.

Subo com o Conde até a embarcação e por fim estou no transporte de madeira firme e mal posso ver minha família lá embaixo. Nós acenamos quando o barco está desancorando e por fim começamos a deslizar sobre a água, abandonando Anmak por uns dias.

Vejo tudo se afastando gradualmente, minha família se tornando apenas um ponto distante e pela primeira vez tenho a visão completa de Anmak. Não éramos uma ilha tão grande assim, mas quando estamos lá dentro, parece imensa. Daqui fora a vejo ao todo. O vulcão inativo lá atrás, a colina com a casa do Conde no topo. A praia do Coral inteira, a cidadezinha charmosa no centro. Tudo. E é linda. Nossa península é perfeita.

E aqui estou, pronto para encarar o Oceano Atlântico Sul com o meu Conde.

E a primeira sensação que tenho é a de que meu coração vai explodir. É tudo tão lindo, o mar, o vento trazendo o cheiro salgado do oceano. Sinto-me em um livro…

Os marinheiros trabalhavam duro para controlar o navio e fico impressionado com isso, observo-os trabalhando arduamente lá em cima, controlando as velas. E o vento nos levava, cada segundo nos distanciando mais da terra firme.

Enquanto caminhamos pelo extenso barco, algumas pessoas paravam para falar com o Conde, eu aproveitava para reparar tudo ao nosso redor, bom observador como sou.

— Ora, ora, se não é o meu menino favorito. Icarus Campelo. — Ouço a voz conhecida da qual senti tanta falta e viro-me para encontrá-la atrás de mim.

— Lady Balfour! — Digo completamente feliz por encontrá-la ali, corro para seus braços, onde recebo um abraço caloroso como usualmente me dá.

Milady está usando um dos seus belos vestidos verde-oliva, delineando sua cintura e marcando seus seios. Seu lindo sorriso está direcionado para mim e como sempre está usando um lindo penteado que destaca as joias penduradas em seu colo.

Ao seu lado está seu marido, nosso lorde e médico, Fabien. Curvo-me em comprimento, já que diferente dele tenho uma relação íntima com a Lady, portanto, nós dois sempre trocávamos abraços apertados. E como amo abraçá-la. Lady Balfour é família para mim.

— As enfermeiras estão sempre comentando o quanto sentem sua falta, Icarus. — Contou-me o Lorde, com seu sorriso gengival e os fios ruivos brilhando ao toque dos raios solares.

— Ah, eu também sinto saudades de trabalhar no hospital. Foram bons tempos. Qualquer dia irei visitá-las. — Digo animado.

É tão carinhoso que tenham gostado tanto de mim, também amei trabalhar esse pouco tempo com elas, ajudando-as e aprendendo um pouco sobre enfermagem. Levando alegria para elas e os pacientes enquanto, eu mesmo, não me sentia tão alegre assim, mas ocupava bem a minha mente e assim não pensava na dor do que aconteceu entre mim e o Conde.

— Como está no seu emprego com o Conde Vollard? — Lady Balfour quis saber.

— Está sendo incrível, Milady. Amo trabalhar com os livros. — Contei exibindo todo o sincero amor pelo meu trabalho.

— Ficamos muito orgulhosos de você, Icarus. — Foi Fabien que disse e curvei-me em agradecimento. — Bom, vou dar uma volta, cumprimentar o capitão. Carlos venha comigo.

O menino com cerca de sete anos colocou-se ao lado do pai, este é o filho mais novo dos Balfour. O garotinho me olhou e exibiu um sorrisinho simpático, acenou brevemente antes de se afastar, saltitando ao lado do pai.

— Vocês estão indo para Anjou? — Perguntei Lady Balfour, um tanto ávido para saber a resposta.

— Sim! Nós fomos convidados para o leilão. Você sabe como eu e meu marido amamos a arte. — Se os Balfour foram convidados, significa que, ao contrário do Conde que é um artista, foram convidados como compradores. Uau, eles são realmente influentes. De fato, na mansão de Lady Balfour tem tantos quadros e obras de arte que me sinto em um museu. — Vai ser ótimo ter sua companhia, podemos visitar várias lojinhas juntos. E comer os melhores bolos.

Bom, se meu Conde permitisse seria imensamente divertido conhecer o Anjou com minha Lady favorita. E como amo avaliar bolos com ela, nós dois definitivamente amamos confeitaria e estamos sempre em busca de provar novas receitas. Desde pequeno fazemos isso juntos, isso me faz lembrar de convidá-la para tomar chá no casarão, só para provar os doces da Dalva – mas, isso claro, se meu Conde der permissão.

— Sinto que essa viagem vai ser incrível, minha Lady. — Respondi animado.

— Icarus, vamos conhecer nosso quarto? — O Conde se aproximou de mim novamente na companhia dos nossos guardas, eles haviam se afastado quando me distraí com os Balfour. — Lady Balfour. — Cumprimentou-a curvando-se e a citada fez o mesmo.

Despeço-me da minha amiga e em seguida o Conde guia-me pela embarcação, nós descemos uma escada que dá para um corredor do navio, nosso quarto fica no fim do corredor e não esperava nada de mais do nosso aposento, considerando que estamos em um navio, mas não era de todo tão ruim assim. A primeira coisa que chama minha atenção é a janela com vista para o mar. É grande, tão esbelta. A paisagem me faz parar estático. Acredite se quiser, mas neste momento dou-me conta do que de fato está acontecendo na minha vida.

Estou velejando rumo ao Rio de Janeiro.

— Minha santinha… — Sussurro perplexo, encarando o cenário fora do nosso quarto.

Sim, dividiremos o mesmo aposento pelo fato do Conde precisar de mim para ajudá-lo. No quarto pequeno há um beliche, uma mesa pequena e nossas malas. Entretanto, não consigo reparar em nada, logo que estou fissurado na miragem fora da janela. Parece uma pintura.

Não demoro a sentir suas mãos circulando meu corpo e ele se encaixando atrás de mim num abraço carinhoso, sua cabeça pousa em meu ombro esquerdo e sinto sua respiração tão próxima da minha pele.

— Diga-me o que vê. — Sussurrou em meu ouvido me fazendo sorrir e apertar mais o nosso abraço.

— É absolutamente inspirador. — Começo, emocionado. — Se não fosse pelo tom levemente alaranjado da manhã que se inicia, não saberia distinguir céu e mar, eles estão se unindo como apenas um. É um encontro azul de destinados. Infinito.

Infinito. — Ele repete, meu coração acelera. — Gosto dessa palavra. Lembra-me nós.

— Talvez o motivo seja claro, nós somos como o encontro de céu e mar, meu senhor. — Digo-lhe inspirado e Heinrich respira fundo, um tanto emocionado.

— Você me torna infinito, Icarus. — Ele confessa e viro-me para segurar seu rosto e olhar em seus belos olhos. — Preparado para o que nos espera em Anjou?

— Estou preparado, senhor, para viver meus melhores dias com você.

E ele sorri e me beija.

Só não imaginava que preparado era definitivamente tudo o que não estava. Questione-me que agora que sei, será que teríamos ido se soubéssemos o que nos esperava?

O que me aguarda no Anjou é muito maior do que o encontro do céu e do oceano.

Era definitivamente o nosso fim, ou princípio dele…

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