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Me encontre pronto para o amor
Domingo, 19 de maio de 2024
Bastaram as portas metálicas do elevador se fecharem que se agarraram aos beijos ardentes dentro do local isolado, eram os únicos dentro daquela caixa e graças aos deuses por isso. Kalliope estava sendo pressionada contra o espelho, suas pernas ao redor dos quadris dele e os dedos de sua mão tateavam suavemente por cima do top de cetim, alisando um de seus mamilos cujo possuía uma simples decoração metálica. Ele sentiu com certeza o piercing secreto até pouco desconhecido.
Revirar os olhos era muito pouco, Kalli estava gemendo baixo dentro da boca de Leonidas, enquanto suas línguas travavam uma guerra insana, tamanha era a fome que tinham um pelo outro. A primeira vez que ficaram juntos tinha sido tão veloz quanto um tornado, mas agora, o rapaz planejava degustar cada pedacinho do corpo da garota.
As portas se abriram e ele sustentou o corpo agarrado ao seu, cambaleando até a porta do apartamento 131, ouviu os latidos de Juca, tateou os bolsos com uma só mão enquanto a mantinha apoiada contra a madeira e isso o ajudava a mantê-la em seu colo. Kalliope movia-se contra o volume de sua calça, fazendo-o gemer sôfrego. Desajeitadamente conseguiu abrir passagem e quase foram ao chão, Juca disparou a latir em alerta diante da desconhecida.
— Ok, certo, precisamos de um segundo. — Declarou, Leonidas, deixando a moça escorrer as pernas até o chão. — Ei, amigão, calma. Essa é a Kalli.
Juca veio farejando com cautela, a cabeça baixa, orelhas erguidas, totalmente desconfiado.
— Oi, Juca. — Kalli falou, abaixando-se e oferecendo sua mão para o cãozinho, que cautelosamente cheirou-a com cuidado. — Você é tão bonito. — Conforme o animal permitiu, Kalli passou a mão no topo de sua cabeça e em questão de segundos, Juca jogou-se no chão exibindo a barriguinha para ser acariciada. Kalli deu risada, achando fofo e se esforçando para dar-lhe boas carícias. — Juca, você é um fofo.
— De bravo não tem nada, esse safado. — Leonidas cruzou os braços, sorrindo do encontro tão esperado por si. — Sinto muito, garotão, mas preciso que se afaste da minha namorada.
— Leonidas, tadinho. — Kalli ralhou, enquanto aceitava a mão do rapaz para colocar-se de pé. — Desculpa mesmo, Juquinha.
— Vocês terão tempo para isso, mas tem coisas aqui que não podem mais esperar. — E com isso, Kalli baixou os olhos para o volume nítido apontando a calça do homem. Ela foi claramente a escolhida.
— É temos um problema que somente a fada do dente aqui poderia revolver. — Constatou, brincalhona.
— Me espera no quarto, vou conferir se está tudo certo com as coisas do Juca. Primeiro à esquerda. — Disse Leonidas, com a pressa nítida em sua voz.
Kalli acatou seu pedido, entrando no corredor de quartos do apartamento e abrindo a primeira porta, ela deparou-se com o cenário do vídeo que havia sido compartilhado consigo. Um bololô de roupas estava jogado num canto próximo ao closet, sapatos espalhados, meias perdidas, brinquedos do Juca, CDs antigos, pôsteres de bandas, fios e instrumentos compunham o quarto óbvio de Leonidas. Bem diferente do seu antigo quarto em sua casa, quando moraram juntos.
Apesar de bagunçado, não era assustador, estava tudo concentrado e de certa forma era uma desordem que fazia todo o sentido. O que mais a impressionou foi constatar que Leonidas era de fato outra pessoa, tudo ali indicava que aquele rapazinho amargurado havia desaparecido.
O quarto escuro era iluminado por um jogo de luzes neon que dançavam na escuridão, providas do gabinete do computador de mesa do rapaz e as caixinhas de som espalhadas pelo quarto.
Ela sorriu ao encontrar Rocket Raccoon num cantinho da escrivaninha do rapaz, cautelosamente caminhou ao encontro do objeto, pegando-o em mãos. E dessa vez, sem ressentimentos contra o bichano. Da última vez que o viu, sentiu raiva do ursinho que a atraiu para uma armadilha, os beijos quentes e apaixonantes de Leonidas. Agora, era deveras grata pela ação cúpido da pelúcia.
— Não vou me desculpar pela bagunça. — A voz de Leonidas surgiu no recinto. — Sou bagunceiro.
— E eu sou uma boba tão apaixonada que gosto até da sua bagunça. — Virou-se para o rapaz, dizendo.
Leonidas não conseguiu conter o espanto, ele sabia dos sentimentos da garota, mas ouvir de sua boca era outra coisa. Fazia seu coração errar as batidas.
— O que foi? — Kalli percebeu o traço de angústia em seu rosto.
— É que às vezes acho que estou preso em um sonho… sei lá, devo estar em coma em algum hospital por aí depois de bater a minha moto contra…
— Para com isso! — Kalli ordenou, passando suas mãos por baixo dos braços do rapaz, abraçando-o com força. — Leonidas, eu estou aqui e isso é real. Gosto de você com todo meu coração.
E sentiu o órgão vital dela pulsando forte contra suas próprias costelas. Como você pode questionar a realidade quando a sente respirar em seus braços? Como pode duvidar dos sentimentos quando ele se concretiza nas palmas de suas mãos?
— Nós não somos mais obrigados a viver como irmãos. Não estamos mais num hospital. Não existe mais acidente algum. Somos só nós dois, nosso amor e as cicatrizes que o forjou. — Kalli dizia, enquanto seus dedos hábeis desfaziam os botões da camisa do rapaz, ela deslizou o pano pelos ombros do mesmo, revelando a pele morena. Deixou selares suaves sobre as clavículas do rapaz, sentindo o gosto salgado do suor em sua pele, enchendo suas mãos com as nádegas do mesmo e fazendo-o apertar-se contra si. — Eu não quero que pense em mais nada, senão em nós dois e nossos corpos dançando a nossa canção em seu quarto bagunçado.
— Kalliope…
— Você não precisa me dizer, Leonidas. Eu já sei.
— More Than Words[1]. — Citou Leonidas, uma das músicas que havia cantado para ela.
— Mais do que palavras. — Traduziu Kalli, confirmando, deixando selares suaves no pescoço do rapaz.
— I’m ready for love[2], Kalli. — “Estou pronto para o amor”, resfolegou contra os lábios da moça.
— I feel like makin’ love to you. — “Estou com vontade de fazer amor com você”, a moça respondeu, com outra música da mesma banda, completando a declaração.
Não esperaram mais nenhum segundo, com ferocidade, tornaram a atacar os lábios um do outro aprofundando o beijo em uma conexão de arrepiar até a alma, suas línguas deslizavam uma contra a outra, gemidos, mordidas e suspirares altos soavam no quarto. Leonidas fechou a porta atrás de si com o pé, evitando assim que fossem interrompidos, a moça o empurrou na direção da cama, fazendo-o cair sentado.
Kalliope se sentou sobre suas coxas e teve suas nádegas agarradas pelas mãos fortes do rapaz. Enquanto se devoravam num beijo, o rapaz desceu as mãos por suas pernas até encontrar o final de sua saia, arrastou as mãos para cima, trazendo o pano consigo, desfrutando de sua pele macia, até encontrar as alcinhas da calcinha, descobrindo serem fininhas demais. Ao tentar deslizá-la para fora, acabaram rindo por não conseguirem fazer isso desse modo.
A garota se pôs de pé diante do homem, fez uma cara sacana ao descer a saia inteira para fora de seu corpo, chutando o tecido com os pés e aproveitando para se livrar de suas sandálias.
— Porra! — Ralhou o rapaz, afetado pela rendinha que tampava o sexo alheio, exibindo montinhos de pelos aparados. — Pode-se chamar isso de calcinha?
— Só vesti para te enlouquecer. — Confessou a moça, já que fio-dental é pouco desconfortável.
— Cacete. — Leonidas soltou, mal sabendo como tocar o monumento diante de seus olhos, segurou as laterais da cintura de Kalliope e lhe lançou um olhar que pedia permissão, o que foi concedido imediatamente com um acenar da garota e um mordiscar de lábios ansiosos.
Ele deslizou a peça para baixo com cuidado, ajudando-a a se livrar da mesma, subiu a mão quente pelas pernas da moça, sentindo a tensão apossar-se dela, escorregou-a por entre as coxas internas até alcançar o local desejado. Kalliope tremeu ao senti-lo tocar lá, afastando as pernas magicamente para dar-lhe mais espaço. O rapaz massageou gentilmente o ponto rijo e sensível, sentindo o quanto molhada ela se encontrava.
Sorriu libertinamente ao vê-la fechar os olhos de prazer, as pernas começando a fraquejar, Leonidas guiou-a para em cima da cama.
— O que você… oh… — Foi surpreendida pelo rapaz, que a posicionou sobre sua face, lambendo sua coxa interna de cima a baixo, fazendo as expectativas de ser tocada lá com a língua serem insuportáveis de aguentar. — Leonidas, está me torturando…
— Te fazer sofrer nesse sentido, é gostoso. — Confessou, deixando a língua raspar suavemente por um dos lábios externos.
Kalli fraquejou, quase sentando de fato na cara do rapaz. O mesmo segurou seus quadris com mais força e concretizou sutilmente o ato tão almejado.
Ele a beijou de uma maneira única, a sensação fez Kalli fechar os olhos com força e gemer prolongado, sem se importar com o quão alto isso poderia ter sido. Os movimentos suaves com o músculo úmido e quente foram ganhando mais pressão, de forma a fazê-la revirar ainda mais os olhos. Automaticamente, Kalliope começou a mexer os quadris, rebolando contra aquela sensação inebriante.
Kalli apoiou-se contra a parede de pôsteres, mantendo sua mão contra a face da metade dos Beatles que a observavam em seu momento mais pecaminoso. Sua outra mão agarrou seu cabelo, puxando-o para descontar tanta tensão. As mãos do rapaz auxiliavam nos movimentos, barulhos estalados soavam no quarto, ao pressionar as pálpebras, a garota via estrelas, a galáxia e além.
Fazia tanto tempo que não era tocada dessa força e com a mestria de Leonidas, ele não precisaria de muito esforço para levá-la ao limite.
— Assim! Continua bem assim… — Ela empurrou o quadril contra sua boca, rebolando mais intensamente, sendo pincelada de forma quente, o arrepio veio de uma vez, atropelando todas as sensações e levando-a ao completo êxtase. — Leonidas! — Gritou, libertando-se como um pássaro preso numa gaiola que foi finalmente esquecida aberta.
Kalli perdeu completamente as forças, convulsionando. Sentou-se sobre o peitoral do rapaz, sem sequer se incomodar com o fato de estar com as pernas abertas diante do rosto dele, completamente exposta.
— Delícia. — Ouviu Leonidas comentar lambendo os lábios.
— Meu deus… — Sussurrou envergonhada, escorrendo para a cama e puxando o travesseiro para seu colo, no intuito de tapar-se.
— De jeito nenhum! — O rapaz agarrou o travesseiro e atirou longe. — Eu quero te ver. Por favor, não sinta vergonha de mim.
Kalli sentiu as bochechas queimarem, mas concordou, não se importando com sua nudez. Na verdade, todos os detalhes de seu corpo a faziam se sentir mais sexy, e Leonidas parecia gostar de cada detalhe visto. Cada pequena estria, celulite, furinho, veia, perfeição, tamanho, tudo nela era perfeito para si, por ser humano. Por ser tão Kalliope.
— Quero fazer uma coisa. — Levantou-se de supetão ao declarar.
Leonidas caminhou até seu computador deixado em modo de espera, rapidamente o desbloqueou e entrou no streaming de música onde colocou uma playlist em específico para tocar. O nome é “Para Eurídice”, com músicas quentes e românticas dedicadas à sua amada. É claro que sua Eurídice sempre foi Kalliope e ninguém mais. Mesmo quando não podia tê-la. E agora, ela estava nua em sua cama, pronta para ser amada por si.
Logo “Nothing’s Gonna Hurt You Baby” de Cigarettes After Sex começou a soar pelos alto-falantes do quarto do rapaz, num volume baixo, tornando tudo ainda mais suave.
— Gosto da ideia de transar com música. — Kalli apreciou na hora.
— Tem combinação mais perfeita amar a minha garota enquanto ouço o que gosto? — O amante da música estava em seu habitat perfeito.
Caminhou em meio às luzes coloridas de seu quarto à meia-luz, sendo observado pelo par de olhos castanhos-avermelhados.
— Tira a roupa para mim. — A garota pediu, simplesmente.
Ali, deitada como uma deusa, seminua. Porra, ela ainda trajava o cacete daquele top. Impedindo-o de contemplar finalmente a arte esculpida em formato de seios.
— Assim, sem nem me pagar um drink antes? — Brincou risonho. — É claro, gata, se for para você, strip-tease é a minha praia.
Leonidas aproveitou a melodia sedutora da canção para mover-se sutilmente, atiçando a moça que se sentou na cama para observá-lo melhor. Kalli sorria o assistindo. Desceu sua mão pelo abdômen esculpido por músculos, até o volume aparente em sua calça, agarrou-o como uma menção ao moonwalk, fazendo a garota rir. Segurou o botão de sua calça, desfazendo-o com facilidade, desceu seguidamente o zíper e deixou a peça deslizar por suas pernas até o chão. A cueca escura era tudo que a impedia de finalmente vislumbrá-lo. O rapaz deslizou os polegares pelo elástico da barra, instigando-a, até finalmente retirar a última peça.
Estava inteiramente nu para ela e não era apenas por fora.
Trocaram olhares intensos, Kalli podia sentir o seu coração batendo tão forte no peito, não era normal, nada ali era usual, na verdade. Eram almas desconhecidas prestes a desvendar os segredos e mistérios nos corpos um do outro. De pé, ela caminhou até ele e enquanto fazia isso, removia a última peça de roupa em seu corpo. O top de sereia foi jogado no chão e as luzes cintilaram contra os anéis metálicos pendurados em seus seios.
— São lindos. — O rapaz sussurrou a fazendo sorrir.
Seus seios eram delicados como as proporções de seu corpo e cheio de estrias por causa da intensidade de seus fluxos menstruais. Parte da pele foi consumida pelas chamas, mas ela não se importava. Gostava de seu corpo do jeito que ele era, isso a fazia se sentir sexy.
Assim que alcançou o rapaz, suas mãos tocaram o peitoral rígido, subindo a palma suavemente até seus ombros. Leonidas a envolveu em seus braços, abraçando-a, fazendo suas peles nuas se tocarem. Era um roçar sutil que eriçava cada pelinho de seus corpos. Balançaram suavemente, deleitando-se da imersão criada pela música.
Nothing’s gonna hurt you, baby / Nada vai te machucar, meu bem
As long as you’re with me, you’ll be just fine / Enquanto você estiver comigo, você vai ficar bem
Nothing’s gonna hurt you, baby / Nada vai te machucar, meu bem
Nothing’s gonna take you from my side / Nada vai tirar você do meu lado
Leonidas deslizou as mãos quentes pelas cicatrizes de Kalliope, como se quisesse ressignificar cada parte de seu corpo. Não dava para mudar o que aconteceu, mas ele podia certamente fazê-la sentir menos dor ao amar cada pedacinho dela. Beijou as cicatrizes mais suaves em seu pescoço, desceu por seus ombros, selou o braço, a mão… abaixou-se diante dela para distribuir selares até seus pés. Retornou para ela, selando os lábios com carinho, balançando suavemente.
Trocavam falas apenas pelo olhar, não ousaram dizer uma palavra sequer diante daquele momento tão íntimo e doloroso. O que ele poderia dizer além de “eu te amo e sinto tanto…”, e ela dizia: “eu também te amo, sinto muito e te perdoo”.
“False God” de Taylor Swift começou a soar, trazendo uma vibe mais intensa, fazendo-os seguir o tom da canção. Ele tomou seus seios entre as mãos, lambeu os mamilos atiçados, sentindo o metal gélido em sua língua, Kalli sentiu como se não pudesse respirar.
— Quero te sentir com a boca. — Ela disse queimando-o com o olhar.
Abaixou-se diante de si, percorreu sua mão pela perna machucada, circulando suas cicatrizes, deixou beijos suaves ao redor do local, subindo para a área desejada. Leonidas foi envolvido pela boca aveludada, úmida na medida certa, quente… tombou a cabeça para trás, ouvindo a canção e sentindo sensações surreais.
Se isso não era o significado de paraíso, desconhecia o que é o céu.
Conduziu-a a fazer do jeito que gostava, fazendo-a dar o seu melhor só para ouvi-lo gemer seu nome. A troca de olhares intensas enquanto o ósculo veemente acontecia tornava tudo ainda mais enfático.
Kalli começou a tocar a si mesma enquanto o devorava, gemendo e enviando vibrações na área sensível do rapaz. Passou a língua por toda a intenção, de cima abaixo, degustando a forma como ele pulsava em sua língua.
— Cacete, eu preciso muito de você. — O rapaz a parou, afastando-se.
A moça se colocou de pé e deu passos para trás enquanto ele avançava, encurralando-a contra uma das paredes de seu quarto. Leonidas atacou seus lábios, seus dedos faziam movimentos circulares no meio de suas pernas.
— De costas. — Ordenou subitamente.
Girando a garota pelo quadril, as mãos de Kalliope foram esplanadas contra a parede, seu rosto deixou-se contra a mesma. O rapaz enfiou o joelho entre suas pernas para afastá-las ao máximo, veio por trás beijando suas costas, Kalli inclinou-se deliberadamente, suas nádegas foram agarradas e sentiu a ponta macia ser pressionada contra o local úmido e sensível.
Assim que começou a penetrá-la, Leonidas colocou suas mãos contra as dela, entrelaçando seus dedos, posicionou sua cabeça no ombro da moça, assim permitindo beijá-la e olhá-la enquanto a possuía.
— Como se sente?
— Dói. — Kalli foi sincera.
— Isso ajuda? — Soltou uma das mãos da garota para levá-la ao ponto sensível, massageou com cuidado, logo ouvindo a resposta audível soar pelos lábios avermelhados da mulher, gemendo em afirmação enquanto meneava a cabeça em concordância.
Lentamente enquanto a acariciava, Leonidas foi avançando, enterrando-se mais profundamente na moça, a sensação era tão voluptuosa, ele mal conseguia conter seus próprios gemidos. Estava anestesiado pelo prazer. Era apertado, quente, macio… completamente incontrolável. Ele a sentia por completo, como se seus batimentos cardíacos entrassem em sintonia e se tornassem apenas um.
— Faça. — Kalli pediu, empurrando o quadril contra o seu, fazendo-o revirar os olhos.
Que música estava tocando? Já nem sabiam dizer, estavam tão imersos nas sensações deleitosas que apenas se entregaram ao sangue quente correndo por suas veias, os corações a ponto de explodir, o barulho de seus corpos se chocando enquanto as luzes neon dançavam por suas peles.
Quantas horas se passaram? Não faziam ideia. Só sabiam que quanto mais força colocavam no ato, mais seus corpos imploravam por mais. Parecia não ter fim e não era como se quisessem que isso acabasse.
Quando foram parar na cama? Não sabiam dizer ao certo, mas agora Kalliope o cavalgava com uma maestria indescritível. Ela subia e descia, gemendo, clamando por ele, agarrada a uma de suas mãos, lhe chupando os dedos enquanto sua palma livre apertava sua bacia com força, auxiliando-a nos movimentos. Inebriada pelo prazer que seu corpo era capaz de sentir, uma experiência que ela nunca havia desfrutado antes com outra pessoa.
— Por favor, Leonidas.
A mulher já perdia as forças, fazendo-o dobrar os joelhos para conseguir impulsionar contra ela. Sentiu-a vir, apertando-se contra seu músculo rígido, fazendo-o urrar de deleite enquanto se desfazia dentro dela.
Muitos minutos se passaram enquanto se recuperavam, Kalli deitada sobre seu corpo, repousando a cabeça em seu peitoral. Leonidas enfiava os dedos entre seus fios, lhe acariciando suavemente o couro cabeludo.
“Us” de James Bay soava pelo quarto, fazendo-os relaxar.
— Se continuar assim vou dormir suja e suada. — Constatou Kalli, fechando os olhos e murmurando, quase domada pelo sono.
— Não me importaria, mas quero deixar minha fada do dente devidamente confortável. — Disse o rapaz, movendo-se para fora da cama. — Vamos para o chuveiro?
A moça assentiu em concordância, juntando sua última gota de energia para erguer-se. Foram para o banheiro da suíte do rapaz, agora devidamente iluminados pelas luzes acesas. Trocaram carícias e selares românticos enquanto se lavavam. Quando retornaram ao quarto, Kalli vestiu uma blusa do rapaz, seguindo a tradição inquebrável dos clichês.
Sentiu um calor gostoso percorrer seu coração ao deparar-se com seu reflexo no espelho. Estava um caos, o cabelo molhado e embaraçado, olheiras sob os olhos e uma sensação calorosa percorria seu corpo em ondas de arrepios. Kalliope estava feliz, talvez até mais que isso. A blusa do Ramones do seu garoto lhe serviu como um vestido, ela sorriu para o reflexo dos dois no espelho ao ser abraçada por trás. Leonidas usava apenas uma bermuda folgada e fina para dormir. Um pecado.
— Nunca vivi nada assim, fada do dente. — Delatou, anestesiado por tudo que foram capazes de sentir juntos. — É normal amar alguém assim?
Ela virou-se para abraçá-lo pelo pescoço, com um sorriso no rosto.
— Acho que isso é algo que vamos descobrir juntos.
O rapaz sorriu, dando-lhe selares por toda a face.
Ouviram Juca arranhar a porta e choramingar do lado de fora.
— Pobrezinho!
— Acho que já é seguro deixá-lo entrar, não é?
— Sim, por favor, vamos dar toda a atenção a ele agora. — Concordou a garota.
Leonidas foi até a porta e abriu, Juca entrou como um furacão indo direto a Kalli, pulou sobre a moça, com as patas apoiadas em sua barriga, obrigando-a a abraçar o gigante urso.
— Desculpa, garotão. — Pediu, enchendo-o de beijos.
— Ora, vejam só, você tem um fã. — Disse o rapaz desacreditado ao observar a cena.
— Acho que sim. — Kalli riu, recebendo “lambeijos” na face.
— Quem sou eu para julgá-lo. — Disse o rapaz, risonho. Afinal, estava apaixonado pela moça desde que era um moleque. — Putz, já são 4h30min da manhã e eu tô com uma baita fome.
— Olha, vou confessar que eu também.
— Então só nos resta atacar a despensa da dona Marilia. — Deu de ombros.
Foram até a cozinha sendo seguidos o tempo todo por Juca, Leonidas providenciou torradas que seriam acompanhadas por geleia de morango, doce-de-leite, requeijão e patê de atum. Optaram por chá fresco de hortelã com erva-cidreira, comeram na sacada da cozinha. Leonidas tirou seu velho radinho à pilha da gaveta, fazendo Kalli suspirar apaixonada pelos hábitos antiquados do rapaz. Se pegaram ouvindo a rádio local de músicas melosas e antigas enquanto desfrutavam da madrugada fria.
O sol começava a nascer, estavam assistindo ao fenômeno juntos com Juca deitado num cantinho próximo.
“Angels” de Robbie Williams tocava na estação Alvorada no momento que Leonidas a puxou para uma típica dancinha lenta que já virava ritual sagrado deles. Os pés descalços, os pássaros despertando, o céu laranja domando o azul. Um novo dia nascia, uma página em branco, novas memórias. O primeiro livro sombrio da série obscura de suas vidas havia acabado há tempos, dando espaço a um novo totalmente controverso.
Aquele momento parecia um prólogo do que os aguardavam.
Depois de tanto tempo na escuridão, agora viam apenas a luz do dia.
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e eu te escolhi
agora, eu vejo você todos os dias
acordo com a sua memória sobre mim
este é um legado do cacete para deixar
maroon, taylor swift
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[1] “More Than Words” é uma música da banda de rock americana Extreme.
[2] “Ready for Love” é uma música do supergrupo inglês Bad Company.
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