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Me encontre pensando em nós dois
Sábado, 16 de novembro de 2024
Kalli estava sobre as costas do rapaz, com seus pés cruzados na frente de seu quadril e sendo carregada da sala até o quintal de casa, rumo à rua. Suas mãos tapavam os olhos dele, enquanto com a cabeça apoiada em seu ombro, ditava o caminho a seguir e o auxiliava a não levar nenhum tropeço.
— Você está me deixando ansioso, fada do dente. — Ralhou o rapaz enquanto puxava a maçaneta do portão para destravá-lo e por fim sair para a rua.
— Juro que vai valer a pena. — Garantiu a moça. — Cuidado para não tropeçar. — Avisou ao passarem pelo arco do portão de ferro com uma saída social. — Isso, prontinho. Agora mantenha os olhos fechados, vou tirar as minhas mãos. Não vale espiar, Leonidas Vitorino!
A seriedade em suas palavras fez o rapaz rir em concordância, Kalli escorregou para o chão e correu saltitante até se posicionar de frente para a tal surpresa.
— Você está pronto? — Perguntou para garantir.
— Para você eu nasci pronto, gata. Manda! — Leonidas sentia as mãos suarem de ansiedade.
Por dias sua namorada esteve estranha, planejando algo no celular que ele certamente não poderia ver. Ela fazia chamadas ao telefone pela madrugada, escondida no quintal e na companhia de seu parceiro do crime, vulgo Juca. Quando questionada sobre o que estava tramando, Kalli alegou que era uma surpresa. Leonidas teve que pagar para ver. E finalmente chegada a hora de revelar o tal mistério sigiloso.
O coração da dentista saltitava ávido. Será que ele iria gostar? Será que foi uma boa ideia? Bem, ela estava prestes a descobrir considerando que já não tinha mais volta.
— Ok, baby, pode abrir os olhos.
Leonidas abriu as pálpebras dando lentamente de cara com uma lembrança do passado que o golpeou diretamente na alma. Um arrepio percorreu seu corpo. Ali estava sua garota, usando um short jeans largo, camiseta branca, com seus mamilos triplos em relevo debaixo do tecido, o cabelo preso pela metade, o rosto sem maquiagem, um sorriso que fazia seu coração fincar de paixão, usando havaianas, portando a tornozeleira presenteada por ele, em seu dedo anelar o anel que foi usado para pedi-la em casamento e portando as cicatrizes que a deixavam ainda mais bela. Finalmente o item crucial da cena que ele eternizaria em sua memória, encostada ao Chevette 76 do seu pai.
O Chevette.
Aquele qual passavam horas a fio ouvindo as músicas antiquadas que seu pai adorava, que o fez se apaixonar por música, canções que ele canta para a mulher que amava. E tudo isso contribuiu para quem Leonidas se tornou hoje. Puta que pariu, Kalliope estava tentando matá-lo ou trazê-lo de volta à vida?
Afastem-se.
Os paramédicos eletrocutaram seu coração em busca de normalizarem seus batimentos cardíacos.
Foi como se o desfibrilador se fundisse ao seu corpo e a corrente elétrica lutava para reanimá-lo a força. Pois, Leonidas, voltou a vida. Seus batimentos cardíacos foram estabilizados. Como se ressuscitasse após 13 anos, naquele dia que ele teve sua alma assassinada ao ver seu pai caído aos seus pés.
Seu irmão havia fugido com o carro, deixando o rapaz sem a fonte principal de suas boas memórias com Paulo.
— Kalliope. — Leonidas sussurrou, incrédulo. — Eu estou sonhando. — Fechou os olhos com força, assim como as mãos. Não queria abrir os olhos, e se fosse a porra de um sonho filho da puta? Feito apenas para fazê-lo sangrar. Seu coração estava a ponto de explodir. Todos seus músculos enrijeceram como em sinal de alerta.
— Leonidas… — Sentiu o toque dela em sua face, com aquele demasiado carinho, a voz suave que acalmava cada pequena célula que o compunha, as unhas curtas pintadas de glitter azul-escuro raspando por sua barba rala, o cheiro natural dela o envolvendo numa névoa tranquilizante. — Isso não é um sonho, amor.
— Eu…
— Abra os olhos. — Pediu gentilmente, ele o fez com cuidado, encarando as írises castanhas intensas que variavam entre a cor mel e às vezes assumiam a cor marrom-avermelhado. — Venha.
Kalli o levou até o veículo, a lataria estava pouco gasta pelo tempo, a pintura verde-oliva ficou meio opaca em determinados pontos, mas isso resolveriam fácil. Teriam que dar uma manutenção completa, afinal. Todavia, valeria a pena.
Leonidas ficou de frente ao carro, paralisado, apenas sentindo o escândalo que seu coração fazia em sua caixa toráxica. O pingente de mini disco de vinil pendurado no retrovisor central, balançando suavemente de um lado para o outro, o fez sorrir. Havia comprado o enfeite numa feira ao visitarem seus avós paternos em Minas Gerais. Leonidas ajudou Paulo a escolher e Leandro estava junto. Foi como se uma luz forte e calorosa abraçasse seu coração ferido.
— Liguei para seus avós, seu irmão deixou o carro por lá e um tio seu o manteve seguro. Mas ficou parado por todos esses anos. Meu pai e Luiz viajaram para o sudeste, fizeram os reparos necessários para colocá-lo na estrada e voltaram dirigindo só para trazer o carro para mim, para que assim eu pudesse devolver a você, o que sempre lhe pertenceu por direito. Ainda precisa de alguns reparos, mas a gente vai dar um jeito. O que realmente importa agora é que ele é seu. Sei o quanto esse carro significa para você e espero que isso alegre seu coração.
O Dr. Belline e o filho se aventuraram pelo país numa road trip rápida só para ajudar Kalliope a realizar o sonho do namorado. Leonidas se sentiu tão amado, tão importante… tudo isso é o mínimo que os seres humanos almejam para si. E agora ele tinha isso e era merecedor, mesmo que não se achasse digno.
Puta a merda, ele amava essa mulher.
Com toda a alma.
Todo coração.
E o corpo inteiro.
Cada célula.
Ele morreria por ela milhões de vezes. Daria seu coração para que ela pudesse viver. Entretanto, esperava que o universo não ouvisse isso, pois maior que a sua vontade de dar sua vida pela dela, era a de viver uma vida inteira com ela.
— Kalli… você é do cacete!
A mulher riu.
— Você gostou? — Kalli mordeu os lábios em apreensão.
— Se eu gostei? Isso é eufemismo. Puta que pariu, é o carro do meu pai. — Os olhos brilhantes dele respondiam tudo. — Achei que nunca o veria novamente. Amor, você me deu um presente que eu julgava ser impossível.
— E isso não é nem um terço do amor que sinto por você. — Confessou, simplesmente, o fazendo agarrá-la para beijar seus lábios.
Não havia sido um plano fácil, o carro estragou no meio do caminho, o que era de se esperar, já que ficou anos parado. Apesar disso, felizmente seu pai era incrível e fez de tudo para concluir o objetivo. E o resultado estava diante de seus olhos. Havia valido a pena cada segundo, cada obstáculo.
— E o meu irmão? — Engoliu seco ao deixar a pergunta que cortou sua mente sair para fora, interrompendo seus pensamentos apaixonados. Por um segundo segurou a respiração com força, temendo pelas próximas palavras de Kalliope.
— Eu sinto muito, mas eles não têm notícias dele faz anos. — A dentista tentou confortá-lo, tocando seu braço com cuidado. — Mas… seus avós mandaram dizer que estão com saudades. Seu tio tá louco para te ver de novo. E você tem primos e primas que nunca conheceram o primo Leoni. Eles acompanham seu canal e são fãs do Orfeu.
— Bom, acho que vamos visitar as montanhas aventurosas de Minas muito em breve, fada do dente. — O rapaz sorriu para a moça, passando seu braço ao redor da cintura da mesma, trazendo-a para si.
— O carro a gente já tem. — Sorriu animada, quem nunca sonhou em cair na estrada com alguém que ama muito, vivendo aventuras únicas? Bom, Kalli gostaria certamente de realizar isso.
Leonidas riu baixo, encarando o veículo ainda boquiaberto.
— Eu não esperava por isso… Baby, eu amei a surpresa com toda a minha alma. Você não poderia me presentear com algo melhor e sabe disso. — Os olhos do rapaz ardiam, Kalli pode ver as lágrimas beirando suas pálpebras, as írises verdes ficando opacas.
Eles não precisavam dizer aquelas três palavrinhas, já sabiam. Elas o rodeavam o tempo todo, era uma bruma que jamais se dizimava. Cada ação, gesto, palavra, respirar… era como dizê-las.
— Cuidado, fada do dente, você corre o risco iminente de se tornar a senhora Vitorino amanhã mesmo. Para eu te arrancar da cama, te jogar nos ombros e te sequestrar diretamente para o altar, falta só isso aqui, óh… — Gesticulou quase encostando o polegar no dedo indicador.
Kalli riu, abraçando o namorado.
— É bom que faça isso, pois eu já sou a sua mulher. Só falta a aliança e assinar os papéis. — Piscou para o rapaz, fazendo-o dar aquele sorriso matador a ela, mordendo os lábios antes de beijá-la, unindo suas almas só assim, com um beijo.
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Sexta, 22 de novembro de 2024
Era um típico fim de tarde de uma sexta-feira comum, o aniversário de 23 anos de Leonidas. Em poucas horas estariam em um bar, com o músico cantando sozinho na companhia de seu violão para uma plateia calma e pacífica. Kalli o acompanharia e como amava o fazer, raramente perdia um espetáculo do rapaz. As canções eram implicitamente dedicadas a uma única pessoa, mas isso era um segredo que somente os dois sabiam. O encarar suspeito em meio à multidão era parte do ritual, fazia questão de manter seus olhos sob ela.
Havia uma placa em seu peito escrito seu.
E uma tatuagem na coxa dela escrito sua.
Mas enquanto a deliciosa noite ao som da voz do rapaz não acontecia, aproveitaram a folga da dentista para correr pela praia de Vera Marine, sem quebrarem o propósito de se sentarem na areia com a moça entre suas pernas, abraçando-a para assistir ao pôr do sol na companhia fiel de Juca ao seu lado.
Deixavam o aeróbico em frente ao mar para os fins de semana, folgas e feriados, durante a semana frequentavam juntos e bem cedinho a academia em seu bairro. Depois dos exercícios obrigatórios, se encontravam no chuveiro onde finalmente começavam o dia do jeito certo, se amando.
Após se exercitarem e apreciarem o espetáculo do sol, entraram no Chevette e Leonidas dirigiu para casa enquanto ouviam a Rádio Alvorada. Kalli conversava com Luiza pelo chat de mensagens, enquanto cantarolava as letras das músicas e vez ou outra sentia o calor da palma de Leonidas em sua coxa, acariciando-a e mostrando que estava ali ao seu lado o tempo todo. As amigas falavam sobre o típico: a volta da moça para Londres, o reencontro com o atual namorado, vulgo o cozinheiro. Kalliope segredava a amiga sua felicidade vivendo à dois como o amor da sua vida. Conversavam despretensiosamente sobre o trabalho…
Até que subitamente o carro foi parado e Kalli se preparou para descer em sua rua, até se dar conta de que não estavam em casa. Leonidas o levou para uma área ainda em construção no bairro em que viviam. Tinha bastante verde e casas em construção, a moça semicerrou os olhos desconfiada.
— Não me fala que agora é a hora em que você revela ser um stalker, serial-killer e que entrou na minha vida só para se vingar, vai me arrastar para a floresta e estrangular o meu pescoço com um cinto. — Ela o olhou com as pálpebras arregaladas.
— Puta que pariu, amor, o que você tem assistido? Por deus, isso não faz bem. — O rapaz riu alto, jogando a cabeça contra o banco do carro e a observando.
O interesse duvidoso por true crime era compartilhado apenas entre ela e a melhor amiga, além de descobrirem que Abel fazia parte do time. Não era para qualquer um.
— Ué, nunca sabemos quando vamos nos esbarrar com um Joe Goldberg[1] por aí. — Brincou Kalliope, rindo baixo. — Mas é sério, o que estamos fazendo aqui? Nossa casa é tipo duas quadras atrás.
— Eu sei, mas hoje é a minha vez de fazer uma surpresa. — Sorriu sacana, fazendo a mocinha semicerrar os olhos em desconfiança. — Pega o Juca e vem.
— Leonidas! — Kalli ralhou em repreensão, balançando a cabeça de um lado para o outro. — Isso não é justo. É o seu aniversário e eu deveria o surpreender.
E isso envolvia uma lingerie nova escondida no fundo da sua gaveta.
— Releva, fada do dente. Acredite, é um presente para mim também. E é meu aniversário, sou feliz fazendo você feliz, então acredite está sendo perfeito. — Garantiu, tranquilizando a moça que deixou os ombros caírem em derrota. O rapaz desceu do carro logo fechando a porta do motorista.
Kalli fez o mesmo, então puxou o banco do passageiro para frente, deixando Juca sair e o guiando pela corrente. O rapaz envolveu sua cintura com um dos braços e foi guiando-a pela calçada recém-pavimentada da rua em construção.
— É hora da historinha. — Começou brincando.
— Uhum, comece logo antes que eu morra.
— Se você tiver um treco, faço um boca a boca. — Disse sarcástico e sedutor. — Mas deixar você morrer, jamais.
— Ótimo. — Kalli revirou os olhos. — Agora desembucha, Romeu.
Leonidas riu do nervosismo da garota e então se dispôs a finalmente falar:
— Meus pais tinham um acordo quando éramos crianças, todo mês depositavam uma quantia em comum para mim e meu irmão em uma conta que só acessaríamos quando completássemos 21 anos. E quando alcancei essa idade, descobri que Leandro havia transferido sua parte para mim, não sei como, nem de onde… ele apenas recusou o dinheiro. O que de certa forma fez a minha mãe respirar fundo, pois fazia anos que não tínhamos notícias dele e se o dinheiro caiu na minha conta era porque ele havia feito isso. Então, porra, pelo menos ele estava vivo. — O rapaz contava enquanto caminhavam. Kalli voltou sua completa atenção a ele. — De início, quando minha mãe revelou o dinheiro, não dei a mínima. Para mim, assim como meu irmão, não fazia sentido aceitar. Na minha cabeça tenho que conquistar as minhas coisas com o meu suor. Portanto, ficou ali, guardado e intocável, rendendo no banco. Mas aí, você apareceu na minha vida. — Leonidas sorriu grande, parando de frente para a moça e tocando o rosto dela, observando seus olhos enquanto falava. — E percebi que esse pensamento de não aceitar o dinheiro que meus pais me presentearam, era tão idiota, quando eu poderia usá-lo para fazer algo muito bom. Para mim. Para você. O Juca. Nossos futuros filhos. Nós.
Um presente do qual Paulo ficaria orgulhoso em lhe dar.
Kalli o encarou com a testa franzida, sem o entender e tentando ligar os pontos. Subitamente o rapaz a fez girar os calcanhares, a posicionando de frente para um terreno com a grama recém-aparada.
— Eu sei que está vazio agora, mas essa é a questão, quero saber de você, Kalli. Você consegue imaginar a nossa casa aqui? — Revelou finalmente o mistério.
— O quê? — Kalli indagou, surpresa. — Você comprou o terreno?
— Não, ainda não. Quero que seja a nossa decisão. Juntos. — Explicou prontamente. — Nunca mais faço nada que não seja decidido por nós dois. Afinal, você é parte essencial da minha vida, nós somos como um agora. E quero considerar os seus sonhos pessoais juntamente com os meus. Tenho o dinheiro para comprar o terreno, mas construir a casa ficará por nossa conta e acho que não vamos conseguir fazer isso com nossos salários de estagiários. É um sonho a longo prazo, mas que só vale a pena se for construído com você ao meu lado, fada do dente.
A garota ficou pasma, encarando aquele vasto terreno vazio, Kalli se sentiu estranha. Mas era um estranho bom. Eram sentimentos que ela nunca sentiu antes e por isso eram desconhecidos. Mas que faziam total sentido agora que se apossavam de seu coração.
O restante de luz tocava a grama verde, fazendo-a cintilar, uma mangueira com pequenos frutos verdes ainda em processo de amadurecimento enfeitava o quintal, alguns arbustos de flores selvagens. Era simplesmente perfeito. Se o paraíso existia, estava diante de seus olhos.
Kalliope não sabia que queria construir uma casa dos sonhos com Leonidas, até descobrir isso, diante dos seus olhos.
Mais uma vez, ele fazia seu pobre coração explodir.
— Sim. — Balançou a cabeça repetidamente. — Sim, sim, sim!
Pulou no colo do rapaz que a agarrou, sendo envolvido por suas pernas, enquanto a moça salpicava seus lábios com selinhos estalados.
— É sério? — Afastou seus rostos para olhá-la. — Quer construir a nossa casa?
— É claro que sim. A casa dos sonhos, igual as que eu desenhava no meu The Sims. — Ela riu diante da lembrança nostálgica. Pulou do colo do rapaz para o chão e avançou no local, pisando sobre a grama-baixa. — Eu consigo imaginar. A garagem bem aqui. Um jardim, porque você sabe que eu sou a louca das plantas. — Rodopiou no local que mencionou.
— E uma piscina nos fundos.
— Oh, sim, sim. Uma piscina para a gente manter o legado do nosso amor. Com escapadas à meia-noite…
— Depois que as crianças forem dormir. — Complementou o rapaz.
— Isso! Passaremos nosso momento a dois, cuidando do nosso relacionamento sem deixar a rotina e os deveres profissionais e parentais nos afastar.
— Soa perfeito para mim. — Os olhos do rapaz brilhavam imensamente, ouvindo a Kalliope sonhadora imaginar a futura casa da família Antonelli Vitorino. — E vou colocar um balanço na mangueira. Já te vejo gravidinha, lendo para o bebê em seu ventre, conversando por horas com ele diante da nossa piscina e o jardim, contando como é o mundo aqui fora, comendo uma manga do nosso próprio quintal, enquanto balança suavemente…
— E você tocando violão, cantando as músicas que compôs para mim.
— Você sabe, não é? — Ele semicerrou os olhos, analisando-a como se fosse uma bandida.
— É claro que sei, bobinho. — Kalli sorriu, abraçando-o ao jogar seus braços ao redor do pescoço do rapaz. Ela não precisava espiar, o jeito encantador que ele compunha, com os olhos brilhantes voltados para seu corpo nu… sem dúvidas, eram canções inspiradas e dedicadas a ela. — Leonidas, eles vão amar tanto esse balanço.
Ela já podia vislumbrar, um garotinho empurrando uma garotinha no balanço idealizado. Os dois aprendendo a nadar com Kalliope. Juca fazendo amizade com os baixinhos. Leonidas tocando as canções legado da década passada, as quais insistiria em passar para os filhos, assim como Paulo fez com ele e assim como o Olavo fez com Kalliope.
— Eles? Gosto de como o plural soa.
— É, quem sabe, eles, no plural mesmo. — Concordou, agora com Leonidas, ela sentia à vontade de ser mãe crescendo dentro de si.
— Vou montar um escritório em conjunto para nós anexado a uma sala com isolamento acústico, assim posso compor as minhas músicas e não precisamos nos afastar quando estivermos trabalhando em casa.
— E quero uma cozinha com visão para a horta.
Kalli sempre cogitou cultivar seus próprios condimentos, como sua falecida avó fazia. Amava passar horas na horta da mulher, ajudando a cuidar das plantinhas. Quando sua avó pedia para ela colher um pouco de salsa ou cebolinha para adicionar numa receita e a garotinha perdia-se num universo fantasioso, com joaninhas, tatuzinhos e caracóis que encontrava no jardim. Ou quando seu avô plantava milho e mandioca, sua avó cozinhava mingau e caldos deliciosos.
— Caramba, uma fada fazendeira. Não é melhor comprar um rancho? — Brincou o rapaz, agora a abraçando por trás.
— Eu adoraria ter um sítio para passarmos o fim de semana, como na casa dos seus avós. Mas isso é conversa para o futuro. Primeiro a casa. — Determinou, já empenhada em voltar toda sua energia à construção.
— Isso me faz lembrar que precisamos de uma churrasqueira como a dos meus avós. — Lembrou, animado.
— Sim! Ótima ideia.
— E uma despensa, para eu te beijar às escondidas, como na primeira vez.
Uma risada gostosa rompeu os lábios da moça que concordou com a ideia selando os lábios do rapaz com um milhão de beijos.
Ficaram discutindo a casa dos sonhos por horas enquanto Juca corria pelo imenso futuro quintal que seria só dele.
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eu sinto a névoa do amor me alcançando
surreal
eu só quero ficar nessa névoa do amor
lavender haze, taylor swift
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[1] Joe Goldberg é um personagem fictício e protagonista da série de livros “You”, escrita por Caroline Kepnes, bem como da série de televisão de mesmo nome.
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