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Me encontre entre as estrelas
Sexta, 13 de setembro de 2024
A mulher remexeu-se em seus braços como um gatinho se espreguiçando, Kalliope abriu os olhos e deparou-se com orbes verdes a observado. Ela tem dormido no calor dos seus braços todos os santos dias e isso não era um sonho. Não mesmo.
O sol tocava as cortinas branco-amarelado feitas de linho, fazendo uma luz suave e quente tocar a cama do casal. A sensação era deliciosa, não trocaria isso por nada no mundo. Acordar ao lado de Leonidas diariamente era um dos seus momentos favoritos em sua nova vida de “casada” – ou quase isso, já que tudo que faltava para ter essa informação em seu status civil é uma assinatura num papel.
— Bom dia, gostosa. — O rapaz deu uma leve apalpada em uma de suas nádegas, fazendo-a resmungar. — Feliz aniversário.
Ah, sim, e com o “casamento” vem as apalpadas diárias em qualquer ocasião que se esbarrassem pela casa. Kalliope adorava isso, era como se dissessem: “eu estou te vendo e você é uma grande gostosa”. Isso quando não vinham acompanhadas de frases safadas e promessas que ela se pegava rezando para chegar à noite logo para que fossem cumpridas.
— Já que é meu aniversário, posso dormir até meio-dia? — Kalli resmungou, fechando os olhos com força.
— Amor, já são duas da tarde. — Informou o rapaz, fazendo-a arregalar os olhos.
— Puta a merda. — Ralhou Kalliope, sentando-se num impulso.
— Isso, abre bem esses olhinhos para mim. Aproveita e faz o mesmo com essas perninhas de fada, pois preciso cumprir com todas as minhas promessas. — O rapaz foi dizendo enquanto puxava o edredom para fora da cama, atirando-o no chão e encontrando sua mulher seminua na cama que dividiam.
Kalli tinha pijamas lindos, mas desde que passou a viver com Leonidas, optou por usar só os blusões dele para dormir, apenas eles e nada mais. O início do casamento é assim, calcinhas são dispensáveis, só um atraso para algo que pode acontecer com um ajeitar de corpos.
Hoje ela estava usando um blusão preto escrito @orfeuoficial, caralho. O homem já se sentia atiçado só com a visão de seus cabelos bagunçados, a cara amassada, os olhos semicerrados e a porra do seu logo sendo sustentado pelos seios dela.
E a promessa que havia feito, bem… envolvia um presente de aniversário escolhido por Kalliope, um boquete sensacional assim que ela acordasse. Nada melhor que começar o dia comemorando seu aniversário do jeito certo.
— Ai, meu deus… — Kalli sussurrou sôfrego, já sentindo uma pontada em seu ventre só com a expectativa.
— Sim, eu sou seu deus e vim cobrar pelos seus pecados.
Leonidas arrancou a própria camisa e atirou pelo quarto, puxou-a pelas pernas até a beira da cama, levantou o pano da blusa para tê-la nua para si. Kalli agarrou o rosto do rapaz e o empurrou para baixo, fazendo-o ir ao encontro do que tanto almejava. Ela já estava molhada, latejando, pronta… se isso é pagar os pecados, ela gostaria de cometer ainda mais profanações.
— Porra, Leonidas, o que você faz com a boca… meu deus do céu! — Ela gemia, agarrando o pouco que conseguia de seus cabelos curtos, empurrando-o mais. E como ele adorava se afogar entre suas pernas. — Você é tão bom nisso quanto em cantar!
— Fala menos e aproveita mais, fada do dente. — O rapaz parou por um segundo para dizer, olhando-a dali, no meio de suas coxas.
Kalli gritou, agarrando os lençóis quando ele pressionou a língua viscosa de um jeito mais forte, girando-a contra o ponto cheio de tensão. Saboreando cada extremidade de sua anatomia.
— Pega o brinquedinho que você gosta, amor. — Ele pediu, deixando o soprar suave de suas palavras baterem contra sua pele molhada.
— Quer me matar?
— Sim. — O homem rosnou, engolindo-a inteira.
Totalmente desengonçada, Kalli abriu a gaveta da mesinha ao lado da cama como pode, agarrando o consolo brilhante de glitter púrpura juntamente ao tubo de lubrificante. Ela entregou os objetos ao rapaz que rapidamente preparou a brincadeira do jeito certo, sabendo exatamente como, e, do quê, sua garota gosta. O objeto foi ligado, as vibrações começaram e ela empurrou a cabeça contra o travesseiro, sentindo as oscilações serem deslizadas suavemente pelas terminações nervosas entre suas pernas, apenas na superfície, fazendo-a choramingar.
Enquanto seu polegar massageava o ponto alvo da moça, ele introduziu o brinquedo lentamente, realizando um dos fetiches que Kalli tanto adorava: ser preenchida enquanto era chupada. Com o aparelho vibrante dentro de si, massageando seus nervos sensíveis, ele retornou com a boca no ponto alvo inchado, dando o seu melhor no ósculo, vendo-a se contorcer e gemer descompassadamente. Seu rosto inteiro estava vermelho e começando a exibir gotículas de suor.
— Leoni… ah… — Os gritos dela o arrepiava dos pés à cabeça.
— Isso, geme o meu nome, gostosa. — Ele a estimulou com palavras abafadas, enquanto a decorava com ferocidade, intensificando as sensações.
Kalli foi sentindo a eletricidade vir gradualmente, enquanto se contorcia, jogava seu quadril para cima, ansiando por mais, imersa naquela nuvem de pura volúpia. Seu interior se contraindo violentamente, a corrente exorbitante subindo da ponta de seus pés, agitando suas veias e fazendo suas pálpebras fechadas vibrarem com força. Ela gritou alto, rugindo como uma leoa.
— Caralho! Leonidas! — Deixou seus princípios de lado, gemendo, xingando, convulsionando enquanto seu quadril se recusava a parar os movimentos, ainda sentindo os espasmos do ápice intenso.
Gradualmente veio a calmaria, ela pode respirar, encarando o teto brando de seu quarto.
— Eu acho que morri. — Sussurrou sem forças. — É meu aniversário e estou morta.
— Coisa boa. — Leonidas diz, com a cara de cafajeste e o sorriso safado que Kalliope adorava. Tão convencido.
Cuidadosamente ele retirou o objeto de seu interior, o deixou de lado para subir na cama e aninhar a mulher em seus braços, do jeito que ela gostava que fosse feito pós-sexo. Ficaram aproveitando o silêncio e as carícias enquanto a mesma se recompunha.
— Você está bem? — O rapaz foi o primeiro a falar, só para checar.
— Bem? Querido, estou ótima. — Garantiu a ele, subindo e descendo seus dedos pelo abdômen trincado. — O que posso dizer além de obrigada pelo boquete avassalador?
O homem riu e o barulho gostoso fez o coração da moça saltitar.
— Se recompõe e se troca, fadinha. E não se esquece de voltar a respirar. — Pediu o rapaz, todo trabalhado no sarcasmo. Deu um beijo em sua bochecha e em seguida salpicou um pouco de mistério no ar: — Estou te esperando no quintal.
Assim que o rapaz deixou o quarto, fechando a porta atrás de si, a moça observou tudo ao seu redor como gostava de fazer todas as manhãs. O retrato pendurado acima da cômoda do lado oposto da cama sempre a fazia começar o dia sorrindo, uma imagem capturada dos dois juntinhos na praia de Calisto, em uma das típicas escapadas na casa de praia de seu pai. Agora a casa inteira estava decorada conforme a unção de Leonidas e Kalliope.
A parede atrás da cama pintada de azul-escuro era a adesão perfeita de suas cores favoritas, azul de Kalli e preto de Leoni. O restante era branco e límpido, optando por ambientes mais claros e pouco mobiliados e é claro, sua casa era um mini jardim. Assim que se viu decoradora, Kalli descobriu a paixão por plantas. A jiboia que havia comprado na floricultura estava saudável e enorme, pendurada num cantinho do quarto com os ramos descendo em direção ao chão.
Na cômoda, ao lado de Rocket Raccoon e seus utensílios de beleza, tinha um belo jarro de cristal, presente de Drika, o qual possuía um buquê de flores cor-de-rosa das espécies Camélias e Astromélias que Leonidas lhe presenteou poucos dias atrás, despretensiosamente. Ele a surpreendia sempre, seja com jantares, presentes fora de época, gestos, canções no violão. Quando estavam juntos, cada respirar dele era dedicado a fazê-la feliz.
Kalli se levantou da cama, abriu as cortinas e as janelas, deixou o sol e ar fresco entrarem, esse era um ritual sagrado em sua vida. Gostava da casa inteira arejada. Trocou de roupa optando por um vestido azul-claro, florido e simples. Soltou os cabelos rebeldes quais tinham atingido um novo comprimento, antes aparados na altura do maxilar e agora tocavam o seu ombro.
Assim que saiu do quarto, deparou-se com Juca que aceitou uma carícia de bom dia, rumou até o banheiro social onde escovou os dentes e fez xixi.
Do pequeno cômodo ela podia ouvir Leonidas tocando “Wildest Dreams” da Taylor Swift, não apenas porque ele sabia que era sua cantora preferida, mas por ser a sua música favorita. Quantas vezes foi pega no pulão enquanto arrumava a cozinha, fazia o jantar, bebia um vinho ouvindo essa mesma canção e o rapaz ficava a observando as escondidas, sorrindo bobo ao ver Kalli em sua voz desafinada cantando com toda a alma. Para complementar, o rapaz se tornou fã da louvável habilidade de composição da cantora, o facilitou muito querer aprender cada uma delas. Desde então Kalli tem sido agraciada pelo Leonidas Version.
Mas “Wildest Dreams” era algo especial, a primeira vez que ela o ouvia cantar. Essa é a canção que ela ouve pensando nele. E ele sabe. Sim, ele sabe.
Sabe o quanto ela o ama.
Sabe como fazê-la se sentir amada.
Leonidas passou a tocar todas as músicas que ela mais gostava quando estavam em casa. E sabia o efeito que causava, fazia o coração dela quase explodir todas às vezes. Aos olhos de Kalliope, esses pequenos detalhes eram confissões diárias de amor.
A mulher foi guiada pelo som, as cordas do violão sendo majestosamente chacoalhadas sob as mãos do rapaz, a voz gostosa que ela adorava. Passou pelos cômodos familiares, a casa finalmente podia ser chamada de lar, decorada inteira do jeito que gostavam. Era tão bonita e aconchegante. Kalli nunca foi tão feliz quanto agora.
Ele estava de costas, sentado na pequena mesa do quintal, com o sol iluminando seu corpo, como em todas as manhãs. Sem camisa, usando bermuda e chinelos. Kalli adorava até isso.
— “Say you’ll remember me, standing in a nice dress, staring at the sunset, babe.” — Ela cantarolou em uníssono com o rapaz, fazendo-o tombar a cabeça e sorrir ao vê-la. E prosseguiram: — “Red lips and rosy cheeks, say you’ll see me again even if it’s just in your… Wildest dreams, ah, ah, aah.”
Diga que você se lembrará de mim
Usando um belo vestido
Olhando para o pôr do sol, baby
Lábios vermelhos e bochechas rosadas
Diga que você me verá de novo
Mesmo que seja apenas em seus
Sonhos mais selvagens, ah, ah, aah
Aquela canção era maravilhosa por completo, o jeito ardente e a dose de sensualidade que transcreviam com perfeição seus sentimentos veementes pelo rapaz.
Kalli fez uma expressão surpresa ao notar a mesa posta de café da manhã com todas suas comidas favoritas, o que significa que Leonidas acordou cedo para cozinhar para ela, se arrependeu profundamente de dormir quase o dia todo, mas ela precisava, oh, se sim. Havia ganhado o dia de folga, depois que Leonidas pediu ao seu chefe para liberá-la com um mês de antecedência. E, bom, era seu aniversário, só lhe restava aproveitar.
— Provocando reações múltiplas, como sempre. De calcinhas molhadas a corações prestes a explodir. Esse é o meu Orfeu. — Brincou a garota, deslizando para o colo do rapaz que deixou o violão de lado para segurá-la. — Obrigada por tudo isso.
— Não chega nem perto de tudo que você merece. — Selou os lábios da moça e depois roçou a ponta de seus narizes, num beijo esquimó. — Estou faminto.
— Eu te fiz esperar tanto!
— Vale muito a pena. — Garantiu a moça, ajeitando seus corpos para aproveitarem o café da manhã.
Comeram morangos com leite-condensado e chantilly, bolo de milho, pão de queijo e suco de maracujá natural. Ficaram conversando por um bom tempo como de costume, falavam sobre suas vidas profissionais e acadêmicas. Era incrível a capacidade de rirem de tal maneira, tão fluido, simples e gostoso. Kalli poderia passar o resto de suas vidas assim e não enjoaria em nenhum segundo.
— Tá calor, precisamos de um banho… — Disse o rapaz em dado momento.
O vestido de Kalli subiu em seu colo, agora que ela estava sentada sobre suas coxas de frente para si. O calor foi inevitável. Leonidas ficou louco após vê-la daquele modo e a situação atual não estava ajudando a afastar os pensamentos pervertidos.
— Banho juntos?
— Oh, yes! — O rapaz sorriu safado, agarrando-a pelas nádegas para levá-los ao local desejado.
Quando a eterna lua de mel iria acabar? Eles esperavam que nunca. É claro que, o sexo iria diminuir com o tempo, o que é perfeitamente normal, mas tinham certeza que sempre voltariam para os braços um do outro, ocasional e despretensiosamente durante o dia a dia.
Umas loucuras ali e aqui, conversa vai e vem, se pegaram na cama de novo. E agora Kalli retribuía o presente com posições inusitadas que faziam o rapaz enlouquecer. Acabou adormecendo entre uma transa e outra, Leonidas ficou observando-a dormir entre os lençóis enquanto escrevia em um caderninho de folhas amareladas, colocando todo seu coração para fora em forma de palavras.
Após cochilar por uns 30 minutos, Kalli acordou e deu de cara com o rapaz escrevendo. Era um mistério para ela, fazia algum tempo que o via fazer isso e embora despertasse sua curiosidade, não invadiu a privacidade dele.
No entanto, às vezes, só às vezes mesmo, não conseguia se conter…
— Tá escrevendo uma música?
Leonidas já havia confessado o quanto estava difícil para escrever, não havia um motivo aparente, tudo que ele sabe é que a ter em sua vida tornou tudo tão fácil. Ele simplesmente escrevia em prol de sua respiração, do bater suave de seu coração… a existência dela era sua maior inspiração. Então começou a acontecer… ele estava compondo suas próprias músicas. E elas eram inteiras para Kalliope.
— Sabe como é, né? É sobre a mulher da minha vida. — Ele sorriu libertinamente, sem desgrudar os olhos do papel. Deslizou a caneta pelo papel, finalizando as últimas palavras em sua mente.
Kalli sentiu o rosto ficar quente, seu coração acelerou na hora. Era praticamente uma declaração de amor.
— E a musa citada pode ouvir?
— Ainda não. — Ele fechou o caderninho e o deixou sob a mesinha ao seu lado da cama, encostou a cabeça contra a parede, observando-a. — Mas muito em breve.
Trocaram olhares intensos que sempre diziam tudo o que estavam sentindo.
— Tudo bem, eu espero. — Garantiu, deitando-se de costas sob a cama, exibindo sua pele brilhante e bonita.
Leonidas se aproximou, fazendo carinhos com sua palma quente, fazendo-a fechar os olhos. Subiu suas mãos pelo caminho entre sua lombar, tocando cada vértebra de sua coluna, até chegar no meio de suas omoplatas, massageou o pescoço e deslizou a palma delicadamente pela pele reconstituída. Ele não sentia mais toda aquela angústia e culpa, passou a ver aquelas cicatrizes como algo belo, assim como Kalli lhe ensinou. Sua mão percorreu as marcas, analisando as tonalidades diferentes de pele e espessura, desvendando mapas em sua pele.
— Você é tão linda. — Disse subitamente e Kalli sentiu algo não identificado deslizando contra a epiderme de suas costas, bem no meio do encontro entre suas omoplatas, fazendo-a abrir os olhos diante da sensação.
— O que está fazendo?
— Deixa eu terminar.
Aparentemente ele estava desenhando algo em suas costas.
— Eu quero saber! — Insistiu, impaciente.
— Aguenta só um pouquinho, fada do dente. — Exigiu, falsamente irritado e focado em fazer o que quer que seja na pele da garota. — Pronto, apressadinha. Vem cá.
Levantou-se de cama, ajudando a moça logo em seguida e ainda nus. Foram até o espelho alto acoplado a uma das portas de seu guarda-roupas. Ele a colocou de costas para o objeto refletor, foi até o banheiro correndo e voltou com um espelho menor nas mãos, posicionou-o de frente a Kalli fazendo-a poder enxergar o reflexo de um espelho no outro.
Estrelas.
Ele desenhou estrelas ao redor de suas cicatrizes.
Uma constelação delicada e única que ela nomeou imediatamente por Orfeu.
— Leonidas, isso é lindo…
Ele riu despretensioso.
— Não é nada.
— É tudo.
O jeito que ela voltou o olhar para os seus olhos, o fez atirar o espelho contra a cama ao seu lado para envolvê-la em seus braços e beijá-la profundamente. Seus corações estavam tão disparados que podiam sentir os golpes um contra o peito do outro. Kalli sorriu com lágrimas nos olhos, ela não tinha noção do quanto era capaz de amar, era tanto para seu coração sentir, como tudo isso cabia dentro de seu ser?
— Será que a Max já fechou o estúdio hoje? — Questionou subitamente.
— Acho que ela vai até as 21h, por quê? — O rapaz respondeu.
— Precisamos ir ao BlackCat. — Declarou Kalli fazendo o homem erguer as sobrancelhas confuso.
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quando você me abraça
quando você me põe em seus braços
posso sentir o seu coração cantando
hold me, tom odell
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Ele estava segundo a sua mão enquanto a agulha fina metralhava contra sua pele, causando-lhe a sensação de picadas repetidas, e depositando a tinta que eternizaria o desenho que há pouco era só um esboço de caneta. Leonidas sorria como nunca, diante do ato repentino, do significado de tudo aquilo.
Assim que ligaram, Maxine topou na hora, sem se importar em ficar mais tarde no estúdio para atender a nova amiga. Chamaram Abel para participar do evento catatônico, Sonya e ele bebiam Coca-Cola e riam às alturas no sofá de espera do estúdio. Músicas baixas e aleatórias soavam, completando a sensação harmônica do ambiente. Kalli sentia as lágrimas de dor invadirem seus olhos, fazendo-a apertar os dedos de Leonidas para descontar.
Se ela fosse sincera, estava totalmente arrependida da loucura, doía muito! Estava se esforçando ao máximo para não amarelar, afinal agora que começou não queria deixar o desenho pela metade.
— Vai valer a pena. — Dizia o rapaz, para encorajá-la.
— Juro que está acabando para valer, Kallizinha. — Tranquilizou Max. — Só mais duas estrelinhas. — Avisou, concentrada na arte, que estava gravando na pele da moça. — E… acabou.
— Deixa eu ver. — Leonidas foi logo conferindo, sorrindo diante do resultado. — Amor, você vai amar.
— Ficou lindo, Kalli. — Elogiou Maxine, orgulhosa de seu próprio trabalho.
A recém-tatuada levantou-se da maca, segurando o sutiã solto por cima dos seios, foi guiada pelo estúdio pela moça de fios azuis, que a posicionou diante de um espelho do mesmo modo que Leonidas fez em casa, a ajudando a vislumbrar a arte em suas costas.
— Meu deus! Ficou perfeito! — Kalli esbravejou, surpresa.
Suas costas carregavam estrelas agora.
Estrelas que ele desenhou ao redor de suas cicatrizes, como se quisesse as ressignificar. Sorriu fascinada ao finalmente perceber que tinha parte da frase mais famosa da canção “Cardigan” ilustrada em sua pele, sem o autor do desenho sequer saber disso. Coincidência ou não, ela fez questão de anotar mentalmente que, diferente da canção dolorosa de Taylor Swift, Kalli não estava sangrando e sim brilhando, tal qual como as estrelas. E se amar é sangrar, era de, e sim, por amor. E em sua concepção não havia razão melhor para isso.
You drew stars around my scars / Você desenhou estrelas ao redor das minhas cicatrizes
But now I’m bleedin’ / Mas agora estou sangrando
A canção da cantora supõe a metáfora de que alguém tentou tornar suas lembranças dolorosas mais bonitas, mas acabou magoando-a mais no processo. Divergente disso, Leonidas não falhou, pelo contrário. Ele transformou as memórias mais dolorosas de Kalliope, em novas mais belas e bonitas. E era só o começo…
— Vai ficar ainda mais bonita quando a gente colorir. — Informou a tatuadora.
Kalli queria adicionar cores, algo como roxo, azul, rosa… semelhante a uma galáxia de fato e ornando com as cores de suas cicatrizes. No entanto, isso ficaria para outra sessão. Por enquanto, estava satisfeita com o resultado em tinta preta. E honestamente, não tinha coragem de enfrentar mais uma sessão de agulhadas múltiplas. Sua pele estava inchada, dolorida e vermelha, precisava claramente de um descanso. Apesar dos pesares, Kalli se sentia um tanto emocionada por fazê-la. E os olhares amorosos que trocou com o autor do desenho, fazia se sentir como uma adolescente vivendo o primeiro amor. Estava tão orgulhosa de si mesma, e melhor que isso, era maravilhoso simplesmente acatar seus desejos sem ser massacrada pelo seu próprio subconsciente.
Ouviram a campainha do estúdio já fechado tocar e Sonya se levantou de supetão.
— A pizza chegou! — Anunciou correndo para receber a entrega.
Kalli ficou conversando com Max enquanto se vestia e a mulher lhe passava os devidos cuidados para a cicatrização da tatuagem. Até ser surpreendida por um:
— SURPRESA! — Gritou uma voz conhecida.
Assim que se virou na direção da tal voz, deu de cara com sua melhor amiga, Luiza, que segurava em suas mãos um bolo de aniversário com velas acesas.
— Feliz aniversário, amiga!
— LUIZA! — Kalli correu na direção da mulher que passou rapidamente o bolo para as mãos de Abel, agarram-se num abraço apertado e rodopiaram no meio do salão. — Mulher, o que cê tá fazendo aqui?
— Tirando férias, ué? E aproveitando para comemorar o aniversário da minha melhor amiga. Inclusive… — Ela tomou o rosto para o lado, encarando Leonidas. — Obrigada pela ajuda, cunhadinho!
— Sempre as ordens. — Sorriu Leonidas.
— Vocês dois tramaram contra mim!? — Kalli os encarou boquiaberta.
— Nada disso, tramamos a seu favor. — Corrigiu seu noivo. — Luiza queria fazer uma surpresa, ela iria nos visitar hoje à noite, mas acabou que surgiu a tatuagem, o que foi ótimo, agora todos estamos quase todos reunidos para cantar parabéns para minha fada do dente.
— Quase todos? — Notou Kalliope o encarando com desconfiança. — O que mais você está tramando, Vitorino?
E na mesma hora a campainha soou novamente.
— Salvo pelo gongo! — O rapaz comemorou, sorrindo atrevido e indo atender a porta.
Ouviu-se um burburinho de pessoas ansiosas até as figuras se revelarem no estúdio das amigas do rapaz, Kalli ficou ainda mais surpresa ao deparar-se com seu pai, Luiz e Drika trazendo pizza e refrigerante para complementar a mini festa.
Seu noivo não estava para brincadeira quando disse que faria de tudo para fazê-la sorrir. Se isso era um filme, Kalli estava adorando para um cacete.
A dentista começou a sentir os olhos arderem de tanta felicidade, ela engoliu o choro com força, enquanto seus amigos se reuniam em uma mesa improvisada e cantavam parabéns para ela diante do bolo com decoração de fadas, sereias e dentinhos. Se sentiu curada em cada pedacinho que um dia poderia ter se quebrado em seu ser. Trocou olhares com todos os presentes, pessoas que agora faziam parte essencial de sua vida.
Ela estava tão inteira que lhe foi apresentada uma nova versão de si mesma. A cada dia Kalliope se conhecia um pouco mais, desvendando nuances jamais imaginadas. E ela tinha certeza que o amor era a principal coisa da qual era feita.
Os olhos de Leonidas brilhavam diante da sua felicidade.
Como o céu estrelado tatuado em suas costas.
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“Porque você entre todas as estrelas era Marte.”
A Lista para se Apaixonar por Amin Song, Indie RedFox
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