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Me encontre junto aos fantasmas
Quinta, 18 de abril de 2024
“Eu pagaria quantos milhões fossem necessários para alguém com coragem o suficiente, cortar a minha jugular”, riu libertinamente desse pensamento intrusivo tão absurdo.
Seu reflexo no espelho transparecia uma mulher empoderada, tolo devaneio. Já diziam que as aparências enganam, aqui jaz uma verdadeira fraude. Não poderia discordar que havia caprichado na maquiagem, fazia jus ao propósito de tapar as imensas olheiras escuras abaixo de seus olhos.
A mulher refletida no espelho piscou os cílios suavemente, adorava o fato de não precisar de postiços, visto que os seus eram naturalmente longos e volumosos. Corrigiu o batom vermelho sangue em seus lábios, qual orna com a cor de seu vestido desenhado por uma grife um tanto luxuosa e na medida para si. Assim como cantava Taylor Swift: havia feito um delineado fino o suficiente para matar um homem. Estava vestida de vingança, embora não planejasse uma contra alguém, a não ser, contra ela mesma.
Kalli era sua própria vilã e isso parecia tão nítido enquanto encarava seu reflexo. Pensou: “você se destrói com tanta força”, às vezes, tentava compreender o motivo de alguns seres humanos parecidos consigo, nutrirem tanto ódio por si mesmos. É uma sabotagem do caramba.
Retomou seus pensamentos para a realidade que a cercava, não tinha tempo para tanto vitimismo. Afinal, comemorações importantes requerem a melhor vestimenta.
Diante do espelho estava Kalliope Maria Antonelli Belline, carrega consigo dois nomes importantes de gerações de dentistas incríveis. Ria do acaso despretensioso de possuir muitos encontros de ‘éles’ e ‘is’ em seu nome, uma coincidência não planejada e que considerava ridícula.
Ela era uma obra-prima esculpida por seus pais e agora tinha que corrigir sua postura e caminhar graciosamente de volta para o salão, exibindo um sorriso incrivelmente alinhado, perfeito e branco, como tal filha de dentistas. Não mais uma garotinha correndo por aí, agora era uma profissional, Dra. Kalliope Antonelli, cirurgiã-dentista e futura bucomaxilofacial. As pessoas ansiavam por lhe fazer perguntas, amigos da área, cujo conhece desde quando era uma menininha, eles viram-na crescer e estão prontos para sentir muito orgulho.
O fato de render-se à odontologia, como seus pais, já lhe causavam muita ufania. Era um fardo imenso para carregar, Kalli não tinha tempo para se importar com o quão pesado poderiam estar as bolsas de chumbos em seus ombros.
— Isso não é nada, querida. — Encorajou-se, agarrando sua bolsa tiracolo e retornando ao evento, ignorando totalmente o fato daquele maldito salto estar esfolando a pele do seu pé.
Eventos empresariais eram o completo martírio para a dentista, daria qualquer coisa para que sua presença fosse irrelevante, mas era sobre a sua mãe. A incrível cirurgiã-dentista Dra. Laura Antonelli, cujo havia acabado de comprar uma das clínicas mais aclamadas da grande cidade metropolitana de Vera Marine, assim aprimorando seu negócio existente, a Odonto Antonelli, uma clínica requisita pela especialização em implantes odontológicos e agora um novo nicho: harmonização facial.
Kalli amava odontologia, por isso não foi difícil escolher o legado da sua família. Quando criança, até seus brinquedos eram da linha profissões, onde podia tratar dos dentinhos das suas próprias bonecas. Seus pais investiram e muito para despertar seu lado dentista. Embora desejassem que a menina seguisse o caminho que seu coração bem desejasse.
Mas, diga-me, como ela poderia romper o legado? Sendo assim, há um ano graduou-se em odonto e agora completou um ano de três se especializando em bucomaxilofacial, seguindo o exemplo de seu pai.
Um garçom passou por si, aproveitou a deixa para pegar da bandeja uma taça de champanhe que borbulhava luxuosamente. Levou a bebida aos lábios e quando degustou sentiu cócegas na língua, aquilo lhe causava uma eletricidade boa. O espumante é de fato delicioso, como se experimentasse um pedaço do céu. Uma garrafa dessas, provavelmente custava mais que seu salto.
Após mais alguns goles da bebida paradisíaca, seus olhos rastrearam a figura de sua mãe, deslizando pelo salão em um vestido estonteante, inspirado no pavão, verde e azul, cheio de detalhes – parecia um carnaval ambulante. A Dra. Laura sorria com pose e determinação, uma mulher ponderada que alcançou o topo. Orgulho e inspiração para sua filha, era sua ídola. Esculpiria o rosto desejado pelos clientes que viessem até si. Transformava sorrisos, devolvendo às pessoas dentes fortes, saudáveis e perfeitos, além de uma aparência renovada.
Kalli não era uma completa egoísta, estava feliz pela conquista da sua mãe, mas entre encarar as pessoas sofisticadas dos eventos e ficar na sua cama estudando e revisando seus livros enormes de odontologia, bem, já deve imaginar que ela prefira imensamente a última opção. Estava exausta, como se seu corpo já não possuísse mais nenhuma porcentagem de energia, mas ainda assim, não conseguia parar. Sentia que se lhe desse o luxo de fechar os olhos por alguns segundos, não seria tão boa quanto seus pais.
O pior era que eles não lhe pressionavam, nunca cobraram nada em relação à filha, não se importariam se optasse por não ser dentista, foi uma escolha livre e espontânea de Kalli. Mas a cobrança vinha de si mesma, por conviver com tantas pessoas dedicadas.
Nem mesmo os coquetéis e petiscos pra lá de sofisticados a deixavam animada, na verdade, estava achando a comida pouca e pequena demais, nesse momento sua elegância resumia-se a uma barraquinha de rua vendendo um cachorro-quente bem gorduroso. E agora que a Dra. Antonelli já havia anunciado tudo no microfone e os brindes com champanhe foram feitos, era a hora de ir para casa.
— Mãe, eu já vou indo. — Anunciou de imediato, assim que alcançou o pivô da noite.
— Mas já, filha? Ainda nem soltamos os fogos, você ama admirá-los. — Disse, doce e calma como sempre. Laura Antonelli não perdia a postura por pior que seja a situação, sua filha admirava essa capacidade. Isso é ser uma mulher profissional, até porque lidar com pacientes requer muito do feitio de controlar suas próprias emoções. — Você está cansada, não é? Estão pegando muito pesado contigo lá no hospital?
— Não, mãe, está tudo sobre controle. — Isso é uma tradução para: “estou perdendo a cabeça”. — A gente se vê em casa, viu? Aproveite o seu momento, Dra. Antonelli. Estou tão orgulhosa. Você merece o mundo! — Abraçou a mãe, que é mais baixa e mais magra. Laura é toda miudinha, o que tornava os abraços mais aconchegantes na opinião de sua primogênita.
— Obrigada querida, volte em segurança. — Assim despediram-se.
Kalli rumou em direção aos elevadores para finalmente encontrar refúgio no veículo que seria dirigido pelo motorista particular contratado por sua mãe.
Enquanto o automóvel deslizava pelas ruas sinalizadas de Vera Marine, seus pensamentos a devoravam como se fosse uma fera selvagem mirando carne fresca. Faziam um giro perfeito de 360º em torno de seu cérebro, levando a cirurgias traumáticas até o término de namoro há mais de um ano. Sabe quando as coisas terminam mal resolvidas? Elas te devoram lentamente por dentro, corroendo pouco a pouco. O problema não era seu ex e, sim, ela. Problemas internos que a consumiam, dúvidas, perguntas sem respostas, indefinição.
Acho que a pior coisa que pode acontecer ao ser humano, é não saber quem ele é.
— Caramba… — Sibilou, enquanto o carro parava no sinal próximo ao seu prédio, passou as mãos no rosto, esquecendo-se totalmente da quantidade de maquiagem que carregava na cara. — Ah, caramba! — Sibilou de novo quando encarou o resultado em suas mãos, borrões pretos de delineador. Aparentemente, ‘caramba’ era o linguajar mais sujo que se permitia dizer.
Quando o sinal assumiu a cor verde, o carro foi conduzido até a portaria do condomínio, o porteiro já reconhecendo o veículo, permitiu sua entrada. Kalli baixou o vidro fumê do carro apenas para desejar ao funcionário boa noite, após isso o motorista estacionou no espaço reservado para a família Antonelli. Despediu-se do funcionário, agradecendo e vendo em seguida o carro partir de volta para o salão de festa, provavelmente traria sua mãe para casa mais tarde.
O ginásio do condômino requintado ficava bem ao lado do estacionamento, a construção de azulejos azuis a atraia feito ímã, mais especificamente um chamado ainda maior a induzia traçar passos até o local. Todas as noites, quando sofria episódios de insônia, Kalli vinha praticar nado. Os exercícios ajudavam a dormir. Assim, meia-noite, costumava vir cumprir o seu ritual. Mas hoje, seus pés eram guiados de encontro à piscina com finalidades bem diferentes.
Empurrou a porta de vidro pesada que era mantida sempre destrancada, seus saltos faziam um barulho ecoante conforme caminhava até a borda da piscina aquecida que ainda estava acesa. Juventino, o zelador, a mantém ligada até as 2h da manhã, já ciente que a “menina Kalli” gostava de nadar nesse horário. As luzes reluziam em tons de ciano que tanto adorava. A natação sempre foi seu refúgio, na água encontrava calmaria.
O relógio digital de dígitos vermelhos, fixado em uma parede do ginásio, marcava 23h59. Um minuto para meia-noite, um novo dia começa. Tudo de novo. Dizem que um novo dia é uma nova chance de ser feliz, mas para Kalli era como se estivesse voltando no tempo, seu novo dia estava preso no ontem, ela não conseguia seguir em frente.
Não é o fundo do poço? Ter tudo e ainda assim se sentir tão infeliz. Era tão errado, tão ingrato.
Kalli parou a cinco passos de encontrar a beirada, justamente diante do lado mais fundo, 2,3 metros de profundidade. Tomou fôlego e fechou os olhos. Os pensamentos gritavam em sua mente, sufocando-a. Seu coração ameaçou disparar, induzindo-a a uma crise de ansiedade. Sentiu os músculos tensionarem. Lágrimas vieram à tona, apenas enchendo seus olhos, mas não ousaram cair. Não conseguia respirar. Aquele maldito vestido lhe apertava tanto que os seios quase saltavam para fora. Mas estava linda, sexy, perfeita.
Perfeita.
A palavra apertava ainda mais o nó em sua garganta.
Abriu os olhos e enxergou pela milésima vez a sua solidão.
Por que dói tanto? Ela só queria que alguém pudesse fazer isso parar. Sua vida é uma boneca Barbie, incrivelmente bonita, cara e terrivelmente oca por dentro.
Kalliope Antonelli é uma fraude.
Mas a solução era clara como água, límpido, simples, fácil…
Ela só precisava de se reencontrar em meio a todo o caos em sua vida, só por alguns segundos queria se achar perdida dentro de seu ser. Ato costumeiro, ela sabia que dentro da água sua mente cessaria, dando-lhe um pouco de paz.
A água era um universo novo, sem perfeições, cobranças ou solidão.
Sem dor.
Com esse pensamento, a bolsa que segurava foi ao chão e ela deu cinco passadas largas, mais especificamente correu, até que seus pés já não tocassem o solo.
Kalli pulou na água, sem sequer remover os saltos agulha.
“KALLIOPE!”, ignorou o grito de seu subconsciente.
Havia algo na água silenciosa que a acalmava, como se diluíssem suas preocupações e a levasse a um estado de tranquilidade. E, bom… funcionou, por um momento, todas as suas preocupações desapareceram e se permitiu apenas existir, presente no momento.
Tudo que precisava era alguns segundos de quietude para a angústia incessante que se apoderava do seu ser. Era um grito consciente e silencioso. Ela foi ao encontro do cessar-fogo contra ela mesma.
Kalliope, deixou o corpo em posição fetal, os joelhos pararam na altura dos seios e os abraçou. Ela desceu gentilmente até o fundo da piscina, até que o cóccix tocasse o ladrilho, mas ciente que em alguns segundos deveria emergir.
Se concentrou em segurar a respiração. Um dos exercícios que praticava para evitar uma crise de ansiedade.
Houve paz. Sua mente era um vazio branco calmante.
Não havia solidão, nem estresse, tão pouco ansiedade. Nenhuma cobrança sequer. Era maravilhoso. Um tipo de nirvana.
Não é como se não tivesse feito isso antes. A considerar o fato de ser nadadora, precisaria de muito esforço para se matar afogada na piscina do seu prédio. E como uma nadadora, não é a primeira vez que testava seus limites assim.
Ela tinha voz, ao menos dentro da água. Será que dava para perceber quantas lágrimas jorravam para fora de seus olhos enquanto tanta água a envolvia?
A solidão que vestiu, era um belo vestido feito sob medida, o mesmo que aceitou como uma nova camada de pele, a está devorando agora, está apertando suas costelas, perfurando seus pulmões e os comprimindo a ponto de não permitir respirar. Por fora continua bela, apesar das cicatrizes, permanecia perfeita, sorrindo com o rosto todo. Os tolos que a assistem continuam se enganando, a sua atuação é impecável.
Essa foi a escolha que fez, portanto, é o poder que lhe foi concedido. É tarde demais para regressar. Continue de olhos fechados, Julieta, acredite em mim, você não quer acordar e descobrir o que aconteceu enquanto estava se fingindo de morta.
O chiffon do belo vestido vermelho que trajava, nadava suavemente ao seu redor como uma água-viva, fazendo cócegas quando se esbarrava em sua pele.
E como num filme, foi arrancada de seus sonhos…
Quando estava prestes a retornar para a superfície, algo caiu sobre a água como uma bola de canhão, seus olhos se abriram arregalados encarando o borrão que nadava em sua direção.
Seria uma miragem?
Um fantasma?
Um delírio! É, com certeza estava delirando.
Kalliope chacoalhou os braços, tentando começar a se movimentar para sair dali, mas a presença dentro da piscina foi mais rápida, agarrando-a com força.
Estavam cara a cara.
Era ele.
O seu pior pesadelo.
Leonidas Vitorino.
Parece que após tentar matá-la, o Diabo resolveu salvá-la.
O rapaz a puxou para a superfície.
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A má notícia é que a surpresa fez um bocado de água entrar pelo seu nariz, o que resultou em uma tosse copiosa. Suas vias nasais ardiam devido ao cloro, respirar se tornou incômodo e o centro de sua testa fincou de dor. Um braço vigoroso ainda a rodeava, levando-a em direção à margem da piscina.
— Você perdeu a noção completamente!? — O rapaz bravejou, seu tom de voz parecia mais grave e rouco do que se lembrava. — Porra, Kalliope! Mas que merda!
— Para de falar palavrão! — É a primeira coisa que Kalli consegue gritar de volta. Isso a levou para anos atrás, quando a maioria de suas brigas eram devido ao linguajar sujo do menino.
Agarrados ao beiral, ainda sustentando seus corpos na água, Kalli desvencilhou do toque alheio, afastando-se bruscamente. Como poderia tocá-la depois do que lhe causou?
Ele tentou matá-la.
Lembre-se de como sua vida quase foi arrancada pelas mãos desse desgraçado.
Lembre-se, Kalliope! Seu consciente a alertava em gigantes letras neon cor vermelha.
— O que você está fazendo aqui? — Questionou, sem conseguir sequer encará-lo. Seu estômago estava se dobrando ao meio, tamanho sua repulsa.
— O que estou fazendo aqui? Que sorte a sua eu estar por perto ou nesse momento você estaria roxa, flutuando na piscina. Cara, na moral, você pensou na Laura? Pensou no Dr. Belline? Em como sua mãe teria que assistir tirarem você da piscina e ainda reconhecer seu corpo morto! Já imaginou seu irmãozinho chorando no seu funeral? Puta que pariu, Kalliope! — Em meio às suas indagações descontroladas, Leonidas segurou no braço da garota. Imediatamente ela o puxou de volta com força para se libertar do toque hostil.
— Ah, faça-me o favor! — Gargalhou. — Quem é você para me julgar? Deveria se- — Calou-se subitamente, não tinha o direito de falar sobre “aquele dia”. A grande catástrofe. Não poderia, jamais, questioná-lo sobre o que aconteceu. Respirou fundo e buscou os olhos carregados de intensidade os quais tanto se recordava. — Olha, você se enganou, não estava tentando me matar. Faço natação desde os 3 anos de idade! Mas desde quando você se importa?
O rapaz bufou, ignorando várias respostas na ponta da língua que poderia dar a moça. A questão é: quando ele nunca se importou? A única que não percebia isso era ela. Mas não é como se pudesse exigir alguma coisa, não depois de 6 anos sem contato.
— Um obrigado seria ótimo. — Escolheu sua resposta enquanto revirava os olhos.
— Não vou te agradecer por nada, como eu disse, não estava tentando contra minha própria vida. — Kalli ergueu o corpo para fora da água e com dificuldade, saiu da piscina, ainda usando salto e um vestido de gala um tanto pesado agora que molhado.
— Meio difícil acreditar quando se está vestida de Gisele Bündchen, mas beleza, quem sou eu para julgar, não é mesmo? — Leonidas ergueu uma mão em defensiva, enquanto a garota buscava equilíbrio para andar, em seguida ergueu-se e deixou a piscina. — Sua cara tá a maior bagunça. — Constatou quando a encarou.
— Sério, Leonidas? — Revirou os olhos e começou a marchar para fora do ginásio, alcançando sua bolsa atirada ao chão.
— Achei que só usasse maquiagem indestrutível. — Provocou.
Kalli ignorou os próprios princípios e apenas ergueu sua mão explanando um belo dedo do meio, sem se dar ao trabalho de virar de costas e atravessando finalmente a porta de vidro do local. Ouviu uma risada alta em resposta a sua atitude e assim moveu-se o mais depressa até os elevadores. Por sorte as portas se abriram assim que apertou o botão e estava vazio, ótimo, assim ninguém mais precisará presenciar o desastre que se encontra. As portas se fecharam e ela se encontrou presa na caixa metálica que imediatamente começou a içar até a cobertura do prédio de 13 andares.
Estava salva. Sã e salva do demônio chamado Leonidas Vitorino.
Parecia que tinha visto um fantasma. Faziam o quê? 6 anos? Muito tempo havia se passado desde a última vez que o viu, poucos segundos antes de quase perderem suas vidas. Fechou os olhos, afetada. Leonidas era uma memória de puro fogo. A destruição em pessoa. O rapaz parecia o Furacão Katrina, arriscaria dizer que deixava mais destruição do que a catástrofe natural.
Onde estava com a cabeça quando resolveu pular naquela piscina?
E pior…
Por que Leonidas Vitorino estava ali?
Era um tipo de punição do universo?
Quando se deu conta, já estava parada no banheiro da sua suíte, encarando seu reflexo bagunçado no espelho. Seu rosto era uma verdadeira meleca, o garoto estava certo quando mencionou que sua maquiagem não prestava.
Precisava dar um jeito naquela bagunça urgente, sua mãe poderia chegar e encontrar o rastro molhado pela casa, delatando a anomalia que lhe ocorreu. Tratou de expulsar o fantasma de Leonidas da sua mente, livrou-se do vestido de grife, os saltos que lhe resultaram em bolhas nos pés, entrou debaixo do chuveiro e lavou-se.
Mas quem disse que Leonidas saiu de seus pensamentos?
A aparição bagunçou ainda mais seus sentimentos. Seu cérebro parecia tão teimoso quanto o garoto em questão quando se trata de não a obedecer.
Não conseguia escapar da sombra de Leonidas que pairava sobre sua mente como uma nuvem obscura. Cada pensamento, cada lembrança, era como uma ferida aberta que se recusava a cicatrizar. Uma verdade devastadora lhe assombrava: parece que seu coração estava irremediavelmente ligado ao daquele que agora se transformara em seu tormento mais profundo.
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não somos quem costumávamos ser
somos apenas dois fantasmas no lugar de você e eu
tentando nos lembrar de como é sentir o coração bater
two ghosts, harry styles
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