Capítulo 5
Um lugar marcado com x.
“Às vezes, o espírito não vai embora,
até terminar o que tem que fazer.”
— Ghost: Do Outro Lado da Vida
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No meio do quarto dele, as coisas começaram a se destravar. A vitrola antiga soava “(Ghost) Riders In The Sky” do Vaughn Monroe. Elias adora essa música e é óbvio que pela piada. Ele cantarolava baixinho em sintonia:
Yi-pi-yi-ay, Yi-pi-yi-o.
Ghost riders in the sky.
Ao meu redor: mapas espalhados, cadernos antigos, anotações que ele fazia quando estava vivo. Cada detalhe era uma pista sobre a vida dele, e eu, claro, me senti uma detetive literária.
— Você fez um mapa tão lindo da propriedade… tinha vocação para geólogo mesmo. Tem cada detalhezinho aqui.
— Ah, eu amava explorar a fazenda. 1.200 hectares de aventuras.
Deitada na sua cama de bruços e com os pés balançando no ar, voltei meu olhar para Elias, que também vasculhava livros em sua escrivaninha. Sentado diante da chama bruxuleante das velas, o rosto iluminado pelo dourado trêmulo da luz, revelando traços de uma beleza quase esculpida – maxilar firme, boca que sugeria tanto doçura quanto ironia e olhos que fitavam com intensidade desconcertante, como se enxergassem além da superfície.
Havia nele um magnetismo silencioso, um convite perigoso e irresistível. Talvez fosse o anel em seu dedo, discreto, mas simbólico; talvez fosse a forma como mantinha o livro aberto diante de si, como se cada palavra tivesse o poder de prender ou libertar uma alma. Entre os muros de livros e sombras, ele não era apenas um leitor, mas alguém que carregava histórias dentro de si – histórias que, se contadas, poderiam mudar o destino de quem ousasse ouvi-las.
— Encarar demais é elogio, senhorita.
Meu rosto queimou na hora e desviei o olhar para o mapa em minhas mãos. Eu já não tinha mais condições psicológicas de responder suas investidas. A situação já estava abalando minhas estruturas o suficiente.
Voltei a percorrer o dedo por cada linhazinha que ele havia traçado. Até que troquei de folha e algo curioso saltou diante dos meus olhos.
— Uau! Tem uma cachoeira aqui na Fazenda do Vale Verde?
O encarei surpresa e a reação dele foi instantânea.
— Cachoeira… — Murmurou, pensativo. De repente, Elias quase saltou de tão animado. — Você falou “cachoeira”?
— Sim… — Tentei manter o tom casual, mas não pude deixar de notar o brilho no olhar dele.
— Ah, Lina… sinto algo quente dentro de mim, uma luz calorosa como raios de sol. Como se algo tivesse que vir, mas não sabe o caminho. Como se a resposta estivesse na ponta da língua.
Levantei-me cautelosamente enquanto o ouvia, assim que fiquei diante dele, Elias segurou minhas duas mãos, fazendo-me arrepiar de frio. Encarou-me profundamente.
— Se você explorar isso… bom, você certamente vai descobrir coisas das quais não consigo me lembrar.
— Eu?
— Mas é claro, se eu pudesse já estaria lá.
— Mas Elias, tenho dois pés esquerdos e escorrego até no asfalto. É suicídio ir numa cachoeira sozinha…
Sua expressão caiu.
— O que é asfalto? — Ele ergueu as sobrancelhas, confuso. Depois balançou a cabeça como quem deixa para lá. Às vezes esqueço que ele é de outro século. — É, deixa isso pra lá… você tem razão.
Eu não queria decepcioná-lo. Desejava tanto solucionar o mistério, que faria qualquer coisa por ele.
— E-eu vou falar com o seu Noberto, quem sabe encontro alguém pra me acompanhar?
Um sorriso doce surgiu nos lábios de Elias.
— Eu poderia beijá-la com uma facilidade imensurável, senhorita Lina.
Sua mão subiu por meu braço até repousar na minha nuca, enquanto a outra segurou a lateral do meu rosto e seu polegar massageou minha pele com uma delicadeza descomunal. Eu só conseguia me perder em seus olhos, na profundidade de seu ser sombrio, no mistério que almejo com todas as forças desvendar.
Estar perto do fantasma de Elias Santos nunca foi tão difícil.
Mas alguma coisa dentro dele o obrigava a se afastar toda vez que ele avançava, quando pensei em corresponder seus toques, Elias desprendeu as mãos de mim e desapareceu em uma explosão de névoa azul.
Ele realmente plantou a semente do desejo para então me deixar sozinha, completamente abalada. Que fantasminha maldoso!
Mas calma, vai ter troco. O fantasma que me pague!
E foi assim que decidi que naquela noite iria dormir mais cedo. Não que quisesse evitar sua companhia – longe disso –, mas queria estar descansada para explorar a cachoeira na manhã seguinte, mesmo que fosse preciso fazer isso sozinha.
E assim seguimos: eu curiosa e movida à lerdeza absoluta, ele provocador com a paciência etérea no zero. O começo de uma amizade que, eu já sabia, ia muito além de sustos e provocações…

Como havia planejado, fui me deitar mais cedo, mas não consegui dormir. Elias deve ter percebido, pois o senti deitar-se ao meu lado e, com sutileza, encaixou-se atrás do meu corpo.
Senti um arrepio subir pela coluna, minhas mãos se fecharam em punhos instintivamente, e meu coração acelerou.
Quando topei essa loucura, não esperava que no pacote estivesse incluso deitar de conchinha com um fantasma. E ele tinha toda a liberdade para isso, pois seria ingenuidade da minha parte negar os sentimentos que se instalavam em meu coração. Será que ele sentia o mesmo?
Eu estava me apaixonando por um fantasma.
Elias passou a palma pela minha pele, do ombro até as coxas, e senti arrepios profundos enquanto ele sussurrava em meu ouvido. Eu o queria com todas as forças.
“Lina”, o ar gélido de seus lábios batia na minha pele e me arrepiava inteira. Elias tocou meu rosto gentilmente, guiando meu olhar até se encontrar com o seu.
— Não tenho mais forças para ficar longe de você… — Sussurrou, e desviei meus olhos, incapaz de me afastar; cada centímetro do seu toque me prendia mais.
Ousei movimentar o quadril, pressionando meus glúteos contra ele. Elias soltou um suspiro rouco que só me deixava ainda mais úmida. Cada toque dele me arrepiava da nuca até a ponta dos dedos, nossas respirações estavam tão próximas que meu coração quase saltava do peito.
Preciso ser sincera, a verdade é que eu tinha um histórico horroroso de relacionamentos, por isso decidi não me envolver com mais ninguém e cumpria isso há cerca de dois anos. Sem beijos, sem toques, nada… só eu e minha coleção exagerada de vibradores. E tem sido bom não ter meu coração despedaçado por projetos de “homens” que nunca valeram nem um centavo.
Jurei não me apaixonar, até que um cara legal provasse seu valor. E se esse fantasma for esse homem? E se só restasse isso para nós – meras mulheres dessa geração de homens ferrados?
Prometi aos céus que faria de tudo para descobrir a verdade sobre a morte dele, na esperança de que, talvez assim, uma força maior tivesse pena de mim e me presenteasse com um amor possível ao lado dele.
Ah, Lina, você é ingênua demais. Sempre no mundo da lua. Contos de fadas não existem…, mas eu não queria pensar nisso, não enquanto o tinha na minha cama.
E agora havia tomado a decisão: iria até o fim com ele. Me entregaria de corpo e alma, pois, como solteira e livre, tenho total direito de ser feliz. Mereço dar isso a mim mesma. A mulher que se esconde por trás das palavras, que aprisionou seu coração na solidão.
Mereço ser amada. Mereço ser venerada. Mesmo que o único homem honroso que me queira, seja uma alma-penada.
E eu queria, desesperadamente, que o fantasma safado de Elias Santos me fizesse flutuar.
— Me toque. — Pedi em sussurros, e seu olhar sustentou o meu profundamente enquanto sentia sua mão percorrer o caminho até entre as minhas pernas. Algo duro e gélido cutucava minha bunda, e aquilo era tentador.
Aí, minha santinha… é agora!
Meu corpo cedeu ao desejo.
Dedos frios invadiram minha camisola e, com delicadeza, afastaram minha calcinha. Geralmente, associamos prazer a algo quente, mas preciso confessar: gelo também é bom. Muito bom, na verdade. É excepcional.
Mordi o lábio inferior com força para conter meus gemidos quando Elias tocou meu clitóris com maestria. Eu sabia que ele era um excelente pianista, mas aquilo… esses movimentos eram de um profissional.
— Minha nossa… — Senti o gosto de sangue na boca, cortei meu lábio com os dentes.
— Deixe-me ouvi-la, mon chéri. Por favor, liberte as sensações que te provoco.
Foi como uma ordem. Abri a boca, fechei os olhos e gemi sôfrega.
Seu indicador afundou-se em minha fenda, o polegar massageava meu ponto de prazer principal, e eu rebolava em ritmo acelerado, investindo contra sua mão e pressionando meu corpo contra sua ereção.
— Tão gelado…
— Você gosta? — Não pude respondê-lo, o que o fez ficar irritado, senti sua mão livre agarrar meu pescoço firmemente. — Responda-me.
— É muito gostoso…
— Diga meu nome. Invoque seu fantasma.
— Elias…
— Implore, minha amada.
— Por favor!
— Mais devagar? Mais rápido?
— Mais! Muito mais!
— Sente isso, Lina?
— SIM!
Ele aumentou o ritmo até me deixar à beira do abismo. E quando eu estava quase lá, Elias simplesmente desapareceu por um segundo. Quando ressurgiu entre minhas pernas, afastou minhas coxas bruscamente, abrindo-me ao máximo. Eu podia sentir todo aquele fluído quente escorrendo para fora de mim.
— O que está fazendo?
— Eu quero provar direto da fonte.
Seus lábios macios e gelados envolveram todo meu íntimo. Acho que gritei. Não, tenho certeza. Me contorci enquanto era exorcizada dos pés à cabeça. Cada músculo do meu corpo se contraiu com força, e eu pude ver as estrelas, literalmente.
— É a coisa mais deliciosa que já provei, minha querida Lina.
Assisti a ele lamber os lábios e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Elias sibilou um “shh”, voltou a deitar-se ao meu lado e depositou um selinho suave em minha testa.
— Não diga nada, minha amada. Apenas se entregue aos seus sonhos.
Naquela noite, Elias não me soltou, e eu não quis que soltasse. Nem por um segundo.
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