Dedicatória + Glossário
Para você que ousa enxergar além do véu do mundo,
que sente o sussurro das almas e escuta os segredos do vento.
Saiba: tudo que toca o coração nunca realmente se vai.
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“A vida muda em um instante, sabe?
As pessoas pensam que são eternas,
que sempre haverá o amanhã, mas isso é mentira.”
— Ghost: Do Outro Lado da Vida

Glossário das “Mineirices & Birutices”
Se você não é de Minas Gerais ou nunca foi assombrado, aqui vai um manual rápido de sobrevivência…
Antes de mergulhar nessa história, aviso logo: este livro usa uma linguagem informal e cheia de sotaque, porque faz parte do charme e da graça. Você vai encontrar um certo caipira falando com as palavras dele, escritas de propósito do jeitinho que soam, pra dar mais imersão.
Não é erro de português, não – é estilo purinho. (Pros chatos de plantão: eu sei escrever a norma culta, obrigada. Mas aqui preferi escrever do jeito que é vivido e falado. Honestamente, nosso sotaque mineiro aquece o coração.)
Também aparecem uns termos incomuns, regionais e expressões do interior de Minas, que dão aquele tempero especial. É muito raro encontrar um mineiro que fale assim, viu? Esse vocabulário é mais típico do interiorzão, e mesmo dentro de Minas varia bastante.
Um dos maiores patrimônios culturais desse Brasil é o jeitinho de cada brasileiro de falar, né não? Pois então, respeite, visse? Todos os personagens da trama, por exemplo, são mineiros, mas em alguns o sotaque deles é mais neutro (somente em algumas palavras, expressões, etc.). Já o cowboy… ah, ele é raiz!
Então, se em algum momento você se perder em meio a um uai, trem ou sô, não tema: basta consultar o glossário logo abaixo.
Boa leitura… e cuidado: mineiro não grita “boo!”, joga chinelo.
Mineirices traduzidas (ou quase):
- Peão / Cowboy / Caipira: trabalhador do campo, vaqueiro raiz; dono de chapéu, bota, cavalo e muita prosa fiada.
- Arriar as quatro patas: expressão caipira pra “me apaixonei perdidamente”.
- Uai: partícula universal que serve pra tudo. Pode ser surpresa (“Uai, que trem é esse?”), dúvida (“Uai, será?”) ou só pra dar graça na frase.
- Trem: qualquer coisa, objeto, situação, lugar e até sentimento. Em Minas, tudo é trem: “Cadê meu trem?” pode ser chave, celular, marido, dignidade…
- Visse: tipo “entendeu?”, mas com mais charme.
- Bão: bom.
- Ocê: variação de “você”.
- Nu / Nó: espanto, surpresa, espraiamento da alma. Ex.: “Nóóó, olha o tamanho desse queijo!” ou “Nu, que calor dos infernos!”
- Sô: duas utilidades. 1) descontentamento ou ênfase: “Ô, sô, cê tá doido?” 2) forma reduzida de “senhor” ou “senhora”.
- Véi: forma carinhosa ou debochada de chamar alguém, equivalente a “cara” ou “mano”.
- Fia / Fio: filha / filho.
Delícias mineiras:
- Queijo Canastra: orgulho mineiro, patrimônio cultural. Cremoso, forte e viciante.
- Broa de fubá: pãozinho doce feito de farinha de milho, típico do café mineiro.
- Mar de Minas: apelido carinhoso pras águas da Represa de Furnas, em Capitólio. Quem foi que disse que em Minas não tem mar, hein?
- Comer rezando: expressão pra algo tão bom que parece sagrado.
Outras birutices & assombrações:
- Chupacu: primo pobre do Chupa-cabra. Lenda urbana/meme brasileiro sobre uma criatura noturna. Imagine um lobisomem versão low budget. Sabe filme de terror classe Z? Então. Não pergunte. Só aceite.
- Picar a mula: sair correndo ou ir embora depressa. “Vazar”, “dar no pé”.
- Xuxar: enfiar, colocar ou espremer algo em espaço apertado. Ó, não é nada disso que cê tá pensando, viu? (Ou será que é?)
- Carroça na frente dos bois: fazer algo na ordem errada, ser precipitado.
- Zé dend’água: pessoa sem noção, que age de forma esquisita. O tipo que tropeça no seco, vai de chinelo na chuva e ainda culpa o vento.
- Tem base: usado quando algo parece absurdo demais. Ex.: “Cê acredita que o fulano nunca viu chupacu? Tem base um trem desses?”
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